A BYD está acelerando seus planos de expansão no Brasil e quer transformar a fábrica de Camaçari, na Bahia, em uma das principais bases industriais da empresa nas Américas. A estratégia envolve ampliar a produção nacional de veículos, atrair fornecedores, conquistar novos mercados e avançar no desenvolvimento de tecnologias que hoje dependem da China.
Os movimentos incluem R$ 11,3 bilhões em investimentos no complexo industrial baiano, o interesse na aquisição do antigo porto utilizado pela Ford e uma articulação com o governo brasileiro para viabilizar a transferência de tecnologia chinesa para a produção de baterias.
A ambição da montadora é fazer do Brasil não apenas um mercado consumidor, mas também uma plataforma de produção e exportação de carros para outros países das Américas.
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BYD prepara produção de carros nacionais na Bahia
Um dos principais passos dessa estratégia está na fábrica de Camaçari, inaugurada em outubro de 2025. A unidade avança na instalação de estruturas de estamparia, soldagem e pintura, etapas fundamentais para substituir gradualmente o modelo de montagem de veículos com kits parcialmente importados da China.
Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, a previsão é iniciar a produção local integrada até dezembro de 2026.
A empresa estabeleceu como meta alcançar 50% de conteúdo nacional nos veículos até janeiro de 2027. O avanço da nacionalização é importante para reduzir a dependência de componentes importados e ampliar as possibilidades de exportação.

BYD quer comprar antigo porto da Ford na Bahia
A expansão da BYD também passa pela infraestrutura logística. A empresa demonstrou interesse em adquirir o Terminal Portuário Miguel de Oliveira, conhecido como antigo Porto da Ford, localizado em Candeias, na região metropolitana de Salvador.
A estrutura foi construída para facilitar o escoamento dos veículos produzidos pela antiga fábrica da Ford em Camaçari. Com a saída da montadora norte-americana da Bahia, em 2021, o terminal deixou de operar.
A proximidade com o complexo industrial da BYD pode facilitar o transporte de veículos para outros países e reduzir custos logísticos. A intenção é utilizar a Bahia como ponto de partida para ampliar a presença da montadora no mercado internacional.
O interesse na estrutura portuária, entretanto, não significa que a aquisição já tenha sido concluída.
BYD pede ajuda de Lula para trazer tecnologia chinesa
Outro movimento importante envolve a produção de baterias de lítio. A BYD quer avançar além da montagem de conjuntos de baterias no Brasil e busca condições para fabricar também as células utilizadas nesses equipamentos.
Alexandre Baldy afirmou ter solicitado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a abertura de um diálogo diplomático com a China para viabilizar a transferência de tecnologia.
Atualmente, a empresa já trabalha com a fabricação de conjuntos de baterias no Brasil, mas ainda depende de fornecedores chineses para uma parte essencial do processo.

Segundo o executivo, aproximadamente 85% das células de bateria utilizadas vêm da China.
A intenção é aproveitar também as reservas de lítio existentes na América do Sul e desenvolver uma cadeia produtiva regional. A transferência de tecnologia, porém, depende de entendimentos entre os governos brasileiro e chinês e ainda não tem implementação garantida.
Investimento da BYD pode ampliar produção e empregos
O projeto industrial da BYD na Bahia prevê investimentos de aproximadamente R$ 11,3 bilhões, segundo informações divulgadas pela montadora.
A fábrica emprega cerca de 9 mil pessoas e tem planos de ampliar a capacidade produtiva. A companhia trabalha com a possibilidade de chegar a 600 mil veículos por ano quando o complexo estiver totalmente desenvolvido.
A expansão também depende da instalação de fornecedores nacionais. A empresa busca ampliar a participação de componentes fabricados no Brasil e fortalecer uma cadeia produtiva ligada à indústria automotiva.
Brasil pode virar plataforma de exportação da BYD
A estratégia da montadora chinesa combina três frentes: produção nacional, infraestrutura logística e transferência de tecnologia.
Com uma fábrica mais integrada, fornecedores instalados no país e acesso a uma estrutura portuária, a BYD pretende ampliar a competitividade dos veículos produzidos na Bahia e abrir espaço para exportações.

A empresa também trabalha para atender mercados internacionais, incluindo países da América Latina, com veículos produzidos em território brasileiro.
O desafio agora será transformar os planos em operações concretas. A nacionalização de componentes, a negociação envolvendo o porto e a eventual transferência de tecnologia chinesa serão decisivas para determinar o tamanho da presença industrial da BYD no Brasil nos próximos anos.