Um homem suspeito de envolvimento no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos foi morto durante uma operação da Polícia Militar na manhã desta sexta-feira (30), na Zona Leste de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele era procurado pela Justiça por suspeita de participação no ataque ocorrido em junho, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
De acordo com a Polícia Militar, equipes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) receberam informações sobre o paradeiro do suspeito em um imóvel. Ao chegarem ao endereço, os agentes teriam sido recebidos a tiros e reagiram. O homem foi baleado, desarmado e socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi constatada no Hospital das Clínicas.
Suspeito tinha mandado de prisão em aberto
Segundo a SSP, o homem era investigado por participação na tentativa de homicídio contra o tenente Pimentel e tinha um mandado de prisão em aberto.
Durante a operação, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros, com numeração suprimida, além de 13 munições. O material será analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação.
A ocorrência foi encaminhada ao Grupo Especial de Atendimento a Local de Crime (Geacrim), vinculado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A Secretaria da Segurança Pública também informou que será instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar as circunstâncias da intervenção, incluindo a dinâmica dos disparos e a atuação dos agentes envolvidos.
Operações já deixaram sete mortos e cinco presos
Com a nova ocorrência, chega a sete o número de pessoas mortas em ações da Rota realizadas durante as buscas por suspeitos de participação no atentado contra o tenente.
Outras cinco pessoas foram presas desde o início das investigações. Entre os detidos estão homens suspeitos de prestar apoio logístico aos executores e de colaborar com a retirada da motocicleta utilizada no crime.
A Polícia Civil procura identificar todos os participantes da ação, esclarecer a função de cada investigado e descobrir quem teria determinado o ataque.
Apesar das prisões e das mortes registradas nas operações, a motivação do atentado ainda não foi esclarecida.
Relembre o atentado contra o tenente Pimentel
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça em 27 de junho de 2026, enquanto pilotava uma motocicleta pela Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
O policial estava de folga e à paisana quando foi surpreendido por dois homens que se aproximaram em outra motocicleta. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação dos criminosos e a fuga após os disparos.
Gravemente ferido, Pimentel recebeu atendimento de emergência e foi encaminhado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por tratamento intensivo.
A última informação pública sobre seu estado de saúde indicava que o tenente permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família deixou de autorizar a divulgação de boletins médicos, e não há uma atualização oficial recente sobre sua condição.
Polícia investiga possível participação do PCC
As investigações apontam que o atentado teria sido planejado com antecedência. A Polícia Civil apura a possibilidade de envolvimento de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas ainda não apresentou uma conclusão definitiva sobre a participação da facção.
Um dos principais investigados é Hércules da Costa Siqueira, conhecido como “Golias”, apontado como o homem que teria efetuado os disparos contra o tenente.
Ele continua sendo procurado pelas autoridades. Segundo as investigações, o suspeito teria contado com o auxílio de outras pessoas para executar o ataque e organizar a fuga.
Em julho, a polícia prendeu a esposa e o enteado de Hércules, suspeitos de participação na tentativa de fuga do investigado para o litoral paulista.
Outros três homens também foram detidos por suspeita de envolvimento no atentado. Dois teriam participado do apoio logístico e do transporte dos executores, enquanto outro foi apontado como responsável por descartar a motocicleta utilizada no crime.
Tenente é irmão de Eloá Pimentel
Ronickson Pimentel é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente assassinada aos 15 anos, em outubro de 2008, após ser mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em Santo André, na Grande São Paulo.
O caso Eloá teve repercussão nacional e ficou marcado pelo cárcere privado que durou mais de 100 horas, além do desfecho que provocou a morte da adolescente.
Ronickson ingressou na Polícia Militar em 2009, após servir como fuzileiro naval. Posteriormente, tornou-se oficial da corporação e passou a integrar a Rota em 2019.
Próximos passos
A Polícia Civil seguirá investigando a participação dos suspeitos no atentado e tentando localizar Hércules da Costa Siqueira, apontado como o principal executor dos disparos.
Paralelamente, o DHPP e a Polícia Militar deverão apurar as circunstâncias da morte registrada nesta sexta-feira, incluindo a versão apresentada pelos policiais sobre o confronto.
Os investigadores também buscam esclarecer a motivação da tentativa de homicídio contra Ronickson Pimentel e confirmar se houve participação de uma organização criminosa no planejamento do ataque.