Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Irmão de Cleitinho culpa Lula por demissões na Gerdau e alerta para mais fechamentos

Gleidson Azevedo afirma que já havia alertado sobre o encerramento da produção em Divinópolis; siderúrgica aponta custos elevados, concorrência de importados e dificuldades para exportar.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos-MG), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. Em vídeo publicado nesta terça-feira (3), Gleidson afirmou que havia alertado sobre o risco de fechamento da unidade antes do segundo turno das eleições e declarou que outras empresas brasileiras poderão enfrentar dificuldades semelhantes.

A manifestação ocorreu após a Gerdau confirmar o encerramento da produção de aço na unidade de Divinópolis, decisão que afeta diretamente cerca de mil trabalhadores próprios e terceirizados, segundo a prefeitura. O impacto também preocupa fornecedores, comerciantes e prestadores de serviços da região. O número de pessoas atingidas, entretanto, não corresponde necessariamente ao total de demissões.

Apesar das acusações de Gleidson, a Gerdau não atribuiu o encerramento da produção à reeleição de Lula. Em comunicado oficial, a companhia apontou a perda de competitividade, a dificuldade para adquirir minério de ferro a preços viáveis, o aumento das importações de aço e as condições desfavoráveis do mercado internacional como os principais fatores para a decisão.

Fim da Gerdau pode afetar 2 mil empresas e reduzir arrecadação de Divinópolis

Gleidson afirma que alertou sobre fechamento da Gerdau

No vídeo divulgado nas redes sociais, Gleidson Azevedo relacionou o encerramento da produção ao cenário econômico brasileiro e afirmou que já havia previsto a situação durante a campanha presidencial.

“O tesouraço começou nas nossas empresas do Brasil. Quando passou o primeiro turno, eu fui para a porta da Gerdau e avisei: se o Lula ganhar essa reeleição, a Gerdau vai fechar a usina e vai mandar funcionários embora.”

O deputado eleito também afirmou que o fechamento da unidade terá consequências para empresas e trabalhadores que dependem da atividade industrial em Divinópolis.

Na avaliação dele, a situação poderá se repetir em outras regiões do Brasil. Gleidson criticou a política econômica do governo federal, mencionando gastos públicos e impostos.

As declarações representam uma avaliação política do parlamentar. Até o momento, não foram apresentados elementos que comprovem uma relação direta entre o resultado da eleição presidencial de 25 de outubro e a decisão da siderúrgica.

Irmão de Cleitinho também critica gastos do governo Lula

Durante a gravação, Gleidson afirmou que a situação de Divinópolis seria um exemplo das dificuldades que, segundo ele, poderão ser enfrentadas por outras empresas.

O parlamentar eleito também criticou o que considera falta de controle das despesas públicas e responsabilizou o governo federal pelos problemas econômicos que atingem a indústria.

“Essa culpa é do governo Lula e essa culpa eu não carrego.”

Gleidson rejeitou ainda a possibilidade de responsabilizar a administração municipal ou o governo estadual pelo encerramento da produção.

Em sua manifestação, ele mencionou um impacto superior a quatro mil empregos diretos e indiretos. O número, entretanto, não corresponde ao levantamento oficial divulgado pela Prefeitura de Divinópolis, que estima cerca de mil trabalhadores diretamente afetados pela decisão.

A diferença está relacionada ao alcance das estimativas. Enquanto a prefeitura apresenta o contingente diretamente atingido, Gleidson menciona consequências mais amplas para a economia local, sem apresentar uma metodologia para o cálculo.

Conteúdo protegido pelo Instagram. O Instagram restringe a exibição desta publicação em outros sites. Ver no Instagram

Gerdau apresenta motivos econômicos para encerrar produção

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a Gerdau explicou que a decisão faz parte de uma reorganização de suas atividades industriais no Brasil.

A principal dificuldade apontada pela companhia é a ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, situação que aumentou as despesas de produção na unidade de Divinópolis.

A siderúrgica também mencionou a concorrência com o aço importado, especialmente diante das condições de mercado que dificultam a competição entre fabricantes nacionais e fornecedores estrangeiros.

Outro fator destacado foi o cenário desfavorável para as exportações, historicamente importantes para a operação mineira.

A companhia informou que pretende concentrar a fabricação de aço em unidades consideradas mais competitivas, eficientes e tecnologicamente avançadas.

O encerramento da produção ocorre em meio a ajustes operacionais realizados pelo grupo. No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 26 de outubro, a Gerdau informou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão, com contribuição importante de suas operações na América do Norte.

O resultado positivo do grupo não significa que todas as suas unidades sejam igualmente rentáveis. A companhia não divulgou dados financeiros específicos que permitam avaliar isoladamente a situação da fábrica de Divinópolis.

Fechamento afeta trabalhadores e preocupa comércio de Divinópolis

A Prefeitura de Divinópolis estima que aproximadamente mil trabalhadores próprios e terceirizados sejam diretamente afetados pelo encerramento da produção de aço.

Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região, 280 trabalhadores foram demitidos e outros 120 receberam propostas de transferência para unidades da Gerdau em diferentes cidades brasileiras.

A empresa ainda não apresentou um balanço definitivo de todos os desligamentos.

Os efeitos econômicos poderão ultrapassar o setor industrial. Um levantamento da prefeitura identificou mais de 2 mil empresas nos bairros Interlagos e Porto Velho, localizados no entorno da siderúrgica.

Desse total, aproximadamente 93% são microempresas, que podem sentir os impactos de uma eventual redução no movimento comercial e na demanda por serviços.

A preocupação envolve transportadoras, fornecedores, restaurantes, comerciantes e empresas que dependem direta ou indiretamente das atividades da Gerdau.

Estudos da administração municipal também indicam que a siderúrgica pode representar até 15% dos repasses de ICMS recebidos por Divinópolis.

Esse percentual não significa que a cidade perderá automaticamente 15% de sua arrecadação. O impacto real dependerá das atividades econômicas que permanecerem em funcionamento e das mudanças na distribuição do imposto.

Prefeitura já negociava alternativas antes das eleições

A possibilidade de interrupção da produção já vinha sendo acompanhada pela administração municipal antes do anúncio oficial.

Em 29 de outubro, a prefeita Janete Aparecida (Avante) informou que havia realizado reuniões com a direção da Gerdau para discutir alternativas que permitissem preservar empregos.

Entre as possibilidades analisadas estavam uma paralisação temporária das atividades, férias coletivas e a manutenção de parte dos trabalhadores, com condições para uma eventual retomada.

Na ocasião, a prefeita também apontou a concorrência com o aço chinês como uma das dificuldades enfrentadas pela indústria siderúrgica brasileira.

Após a confirmação do encerramento, Janete afirmou que a prioridade da administração municipal será acompanhar a situação dos trabalhadores e reduzir os efeitos econômicos sobre a cidade.

“Nossa prioridade é apoiar as pessoas impactadas, acompanhar a cadeia produtiva e defender a economia da cidade.”

A prefeitura anunciou que pretende apresentar, ainda nesta semana, um programa de apoio aos profissionais e aos estabelecimentos comerciais afetados.

Gleidson havia criticado boicotes políticos após eleição

A manifestação desta terça-feira ocorre poucos dias depois de Gleidson Azevedo ter defendido o respeito às diferenças políticas após a reeleição de Lula.

Em 28 de outubro, o deputado eleito criticou campanhas de boicote contra empresas e pessoas identificadas como apoiadoras do PT.

Na ocasião, ele pediu que eleitores da direita não deixassem de realizar doações ou ajudar famílias por divergências políticas.

O posicionamento acompanhou manifestações de Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais, que também pediu respeito às escolhas feitas nas urnas.

Agora, ao comentar o encerramento da produção da Gerdau, Gleidson adotou um discurso de responsabilização política do governo federal pelas dificuldades enfrentadas pela siderúrgica.

As duas manifestações aconteceram em meio às discussões sobre os efeitos econômicos e políticos do resultado das eleições presidenciais de 2026.

Próximos passos

A Gerdau informou que avalia a transferência de parte dos trabalhadores para outras unidades, além da oferta de cursos de qualificação técnica e atividades de apoio à recolocação profissional.

A companhia ainda não esclareceu se todas as atividades da unidade de Divinópolis serão encerradas ou se outras operações poderão continuar funcionando. O anúncio confirmado até agora trata do fim da produção de aço.

A Prefeitura de Divinópolis deverá apresentar medidas de apoio aos trabalhadores e às empresas afetadas ao longo desta semana.

Enquanto isso, a administração municipal continuará avaliando os possíveis impactos sobre a arrecadação, o comércio e o mercado de trabalho.

Até a última atualização, não havia comprovação de que a decisão da Gerdau tenha sido provocada diretamente pelo resultado das eleições. A justificativa oficial permanece relacionada à perda de competitividade e às condições econômicas enfrentadas pela operação industrial.

Carregar Comentários