A brasileira de 111 anos Eunice Anício da Silveira revelou os hábitos que acredita terem contribuído para sua longevidade. Moradora de Joanésia, no interior de Minas Gerais, ela atribui a vida longa a uma rotina simples: dormir e acordar cedo, beber bastante leite, trabalhar e consumir alimentos produzidos na própria terra. A história da mineira desperta curiosidade por mostrar como ela atravessou mais de um século mantendo costumes ligados à vida no campo.
Nascida em 21 de outubro de 1915, Eunice comemorou os 111 anos cercada pela família. Sua idade foi oficialmente validada pela LongeviQuest, organização internacional especializada na verificação de pessoas que ultrapassaram os 110 anos. A brasileira integra o grupo dos chamados supercentenários, formado por pessoas que alcançam uma idade considerada excepcional.
Outro detalhe de sua trajetória chama a atenção. Quando completou 100 anos, Eunice afirmou que nunca havia ficado doente nem precisado tomar medicamentos. A declaração faz parte de seu relato pessoal e não significa que deixar de utilizar remédios ou evitar tratamentos médicos seja uma prática recomendada para viver mais.
Mulher que viveu 117 anos tinha sinais de envelhecimento e características de pessoa mais jovem
Quais são os hábitos da brasileira que chegou aos 111 anos?

Ao falar sobre sua longevidade, Eunice destacou costumes que fazem parte de sua vida desde a juventude. A mineira sempre viveu no campo, onde construiu sua família e manteve uma rotina ligada às atividades rurais.
Entre os hábitos mencionados estão dormir cedo, levantar pela manhã, manter-se ocupada com tarefas cotidianas, consumir bastante leite e priorizar alimentos cultivados na propriedade onde vive.
A alimentação é um dos pontos que ela considera mais importantes. Eunice afirma que sempre valorizou os produtos que a terra oferece, mantendo uma dieta relacionada à vida rural e aos alimentos produzidos no próprio ambiente.
O trabalho também ocupa um espaço importante em sua história. Durante décadas, participou de atividades do campo e manteve uma rotina marcada pela dedicação à família.
Embora esses costumes tenham acompanhado sua trajetória, não é possível afirmar que algum deles, isoladamente, seja responsável por sua idade avançada. A longevidade depende de uma combinação de fatores que envolve genética, ambiente, alimentação, condições de saúde e hábitos mantidos ao longo da vida.
Mineira teve 15 filhos e construiu família com várias gerações
A vida de Eunice também é marcada por uma família numerosa. Aos 16 anos, em 26 de fevereiro de 1932, ela se casou com Oswaldo de Carvalho Lage.
O casamento durou 74 anos e dez meses, até a morte do marido, em 2007. Durante a união, o casal teve 15 filhos, dos quais dois morreram ainda na infância. Atualmente, nove estão vivos.
A família cresceu ao longo das gerações. Segundo a LongeviQuest, Eunice possui 50 netos, 88 bisnetos e 52 tataranetos.
Uma curiosidade é que todas as dez filhas receberam o primeiro nome Maria. Entre os três filhos homens que chegaram à vida adulta, um recebeu o nome Sebastião e os outros dois foram registrados como Augusto.
De acordo com o relato familiar, o marido de Eunice chegou a registrar dois meninos com o mesmo nome sem perceber a repetição, situação que ela costumava recordar com bom humor.
Aos 111 anos, a mineira reúne histórias de diferentes gerações e mantém vínculos com familiares que acompanham sua trajetória.
Beber muito leite realmente ajuda a viver mais?
Apesar do destaque dado pela brasileira ao consumo de leite, não existe comprovação científica de que beber grandes quantidades desse alimento, por si só, aumente a expectativa de vida.
A longevidade é um fenômeno complexo, influenciado por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. A herança genética pode ter uma participação importante, especialmente entre pessoas que ultrapassam os 100 anos, mas não explica sozinha por que alguém vive tanto.
Uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas, o sono adequado e o acompanhamento médico são fatores associados à manutenção da saúde durante o envelhecimento.
Em entrevista ao NC News, a geriatra Daniela Lima explicou que hábitos relacionados ao sono, à alimentação, à atividade física e às relações sociais ajudam a construir um envelhecimento com mais autonomia e qualidade de vida.
Por isso, a experiência de Eunice deve ser entendida como uma história individual, e não como uma receita para alcançar os 100 anos.
O relato de que ela não havia utilizado medicamentos até determinada idade também não deve ser interpretado como uma recomendação para abandonar tratamentos prescritos por profissionais de saúde.
Outros brasileiros também alcançaram idades excepcionais
O Brasil reúne histórias de pessoas que ultrapassaram os 110 anos e tiveram suas trajetórias reconhecidas por organizações especializadas em longevidade.
Um desses casos é o de João Marinho Neto, nascido no Ceará, que recebeu reconhecimento internacional por sua idade avançada e por integrar o grupo dos homens mais longevos do mundo.
O NC News já contou a trajetória do cearense João Marinho Neto, marcada pela vida no campo, pelo trabalho e pela convivência familiar.
Assim como Eunice, João passou grande parte da vida em um ambiente rural, embora isso não permita estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre esses hábitos e a longevidade extrema.
Histórias como essas despertam o interesse de pesquisadores que tentam compreender por que determinadas pessoas conseguem viver muito além da expectativa média da população.
O que a ciência pode aprender com pessoas que vivem mais de 100 anos?
O estudo dos supercentenários ajuda a investigar os mecanismos biológicos relacionados ao envelhecimento e à resistência a doenças.
Entre os fatores analisados estão o funcionamento do sistema imunológico, as características genéticas, o metabolismo e a microbiota intestinal.
Um exemplo é o estudo sobre Maria Branyas Morera, espanhola que viveu até os 117 anos. Pesquisadores encontraram em seu organismo uma combinação de sinais típicos de envelhecimento extremo com características biológicas associadas a pessoas mais jovens.
A descoberta reforça a hipótese de que a longevidade não depende de um único alimento, comportamento ou característica genética, mas da interação entre diferentes fatores durante toda a vida.
Aos 111 anos, Eunice continua sendo exemplo de uma trajetória marcada pela vida no campo, pelos laços familiares e por costumes que atravessaram gerações.
Sua história também reforça uma questão importante para a ciência: mais do que descobrir como viver muitos anos, o desafio é compreender como envelhecer com saúde, independência e qualidade de vida.