Vitória democrata no Congresso dos Estados Unidos pode ampliar a pressão sobre Flávio Bolsonaro em solo americano. A oposição conquistou maioria na Câmara e no Senado, o que abre espaço para investigações, cobranças ao governo Trump e novo desgaste político para o bolsonarismo. O resultado, porém, não garante a deportação do senador.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos renovam o Congresso e parte dos governos estaduais, e o resultado complicou o cenário político para Flávio Bolsonaro. Os democratas conquistaram o controle das duas Casas legislativas, em uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump e os republicanos. A nova composição amplia a capacidade de pressão sobre o governo americano em relação ao senador brasileiro. Um ponto técnico precisa ficar claro.

O Congresso americano não decide deportações. Revogar um visto não retira automaticamente um estrangeiro do país, e a deportação exige procedimento legal específico no Executivo. O que uma maioria democrata consegue fazer é investigar as condições da entrada de Flávio e da família, cobrar explicações do Departamento de Estado e questionar o uso de recursos públicos na proteção do senador.
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Dois inquéritos no STF
Flávio responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. O primeiro envolve o
financiamento do filme Dark Horse e a relação

com o dono do Banco Master. O segundo, segundo fontes, está ligado ao universo das bets e atinge um advogado amigo pessoal do senador. Ele deixou o Brasil dois dias depois de perder a eleição presidencial para Lula, em 25 de outubro. Nos Estados Unidos, o senador tem sinalizado que pode falar abertamente, algo que, no Brasil, ele associa a um regime de exceção e a perseguição política atribuída ao ministro Alexandre de Moraes.
Oposição à distância e a disputa pela direita
A tendência é de que Flávio tente manter uma oposição home office, a distância, quase em formato EAD. A estratégia tem um objetivo prático: não perder espaço na direita para nomes que se projetam visando o controle do campo em 2030. Os principais são o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro.
Tarcísio, Michelle e a sombra de Eduardo
Segundo fontes diplomáticas, os ataques radicais a Tarcísio teriam o dedo de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que também mora nos Estados Unidos. O irmão de Flávio teria endurecido a tese de que o governador foi traidor na campanha. Michelle, falando pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, teria rechaçado essa interpretação.

Um Congresso insatisfeito com Trump
Parlamentares democratas já mostraram irritação com a postura do governo Trump no caso. Os vistos concedidos a Flávio e à família provocaram críticas do comitê de Relações Exteriores da Câmara e uma carta de dezenas de deputados ao secretário de Estado, Marco Rubio. Parte dos democratas sustenta que o tratamento dado ao senador contrasta com a rigidez da política migratória americana, inclusive diante de pedidos de entrada por perseguição política e fuga de guerra.
A vitória democrata nas duas Casas do Congresso muda o cenário político em Washington. A oposição terá poderes para convocar audiências, solicitar documentos, conduzir investigações e cobrar explicações do governo Trump. A nova maioria, que assume em janeiro de 2027, poderá transformar o caso de Flávio em mais um ponto de atrito com a Casa Branca. Para o senador brasileiro, o resultado representa um novo fator de pressão sobre sua permanência e sua atuação política nos Estados Unidos.