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Eduardo Bolsonaro desafia democratas e diz não temer ações contra ele e Flávio nos EUA

Após derrota de Trump nas eleições legislativas, ex-deputado afirma que os irmãos estão legalmente no país e minimiza possibilidade de deportação; congressistas cobram explicações sobre a entrada de Flávio.
Redação NC News
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Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (5) que não teme possíveis ações de parlamentares democratas contra ele e o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nos Estados Unidos. A declaração ocorre após a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, que alterou o equilíbrio de forças no Congresso americano e abriu caminho para uma fiscalização mais intensa sobre o governo de Donald Trump.

O ex-deputado federal, que teve o mandato cassado, reconheceu que integrantes da oposição americana podem tentar adotar medidas contra a família Bolsonaro. No entanto, argumentou que o Congresso não possui autoridade para cancelar vistos, revogar cidadanias ou determinar diretamente a deportação de estrangeiros. Eduardo também garantiu que ele, Flávio e seus familiares estão legalmente no território norte-americano.

As declarações foram dadas em entrevista ao influenciador conservador Joey Mannarino, antes da participação de Eduardo na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Mar-a-Lago, na Flórida. O evento acontece em um momento de pressão política sobre os irmãos, principalmente após a saída de Flávio do Brasil, dois dias depois da derrota na eleição presidencial.

Eduardo e Flávio Bolsonaro entram na mira de democratas após derrota de Trump

Eduardo Bolsonaro minimiza ameaça de democratas

Questionado sobre a possibilidade de enfrentar medidas políticas após o resultado das eleições americanas, Eduardo admitiu que os democratas podem pressionar o governo Trump, mas demonstrou confiança na permanência da família nos Estados Unidos.

“Eles vão tentar [medidas contra nós], mas não cabe ao Congresso aqui nos Estados Unidos revogar vistos ou cidadanias. Então, não tenho muito medo disso”.

O ex-parlamentar afirmou que sua situação migratória é regular e estendeu a declaração ao irmão Flávio, que chegou aos Estados Unidos no fim de outubro, acompanhado da esposa e das filhas.

Apesar da confiança demonstrada por Eduardo, a situação dos irmãos poderá passar por maior escrutínio político nos próximos meses. A nova maioria democrata terá instrumentos para solicitar documentos, convocar representantes do governo e investigar decisões administrativas relacionadas à entrada e à permanência de estrangeiros.

Isso não significa, entretanto, que exista uma ordem de deportação contra os dois. Investigações parlamentares e procedimentos migratórios são processos diferentes, conduzidos por autoridades com competências específicas.

Vitória democrata aumenta pressão sobre Donald Trump

As eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro, representaram uma derrota política para o presidente Donald Trump. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, revertendo o controle republicano das duas Casas.

A nova composição do Congresso começará a atuar em janeiro de 2027 e poderá dificultar a aprovação de propostas do governo, além de ampliar a fiscalização sobre decisões tomadas pela Casa Branca.

Entre os assuntos que podem ganhar espaço estão as políticas migratórias, as relações diplomáticas com outros países e o tratamento oferecido a estrangeiros próximos ao presidente americano.

A relação de integrantes da família Bolsonaro com autoridades do governo Trump já vinha sendo questionada por parlamentares democratas antes mesmo das eleições.

Com a mudança no comando do Legislativo, essas iniciativas poderão receber maior atenção política.

Democratas cobram explicações sobre entrada de Flávio nos EUA

Um grupo de 25 parlamentares democratas enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, exigindo esclarecimentos sobre as circunstâncias da entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

Entre os signatários está a deputada Pramila Jayapal. O documento apresenta 15 perguntas relacionadas à concessão de vistos, à participação de autoridades americanas e à possibilidade de tratamento diferenciado concedido ao senador brasileiro.

Os congressistas querem saber quais procedimentos foram adotados para permitir a entrada de Flávio e se representantes do governo Trump participaram de alguma etapa relacionada à viagem.

O Departamento de Estado recebeu prazo até 13 de novembro para apresentar respostas por escrito e disponibilizar funcionários para prestar esclarecimentos.

As perguntas não representam comprovação de irregularidades. A iniciativa busca obter informações que poderão subsidiar novas medidas de fiscalização.

O deputado democrata Robert Garcia também pediu a deportação de Flávio e cobrou informações sobre sua permanência nos Estados Unidos.

Até agora, porém, não há confirmação de que as autoridades migratórias americanas tenham iniciado um procedimento formal para deportar o senador em decorrência dessas cobranças.

Flávio deixou o Brasil após derrota para Lula

Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos em 27 de outubro, dois dias depois de perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A saída ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

O parlamentar seguiu para a Flórida, onde se encontrou com Eduardo e outros familiares.

A viagem provocou questionamentos políticos e jurídicos, especialmente pelas circunstâncias da saída do Brasil e pela autorização concedida pelo governo americano para sua entrada no país.

O secretário de Estado Marco Rubio negou que os Estados Unidos tenham organizado a viagem, mas confirmou que Donald Trump autorizou a entrada do senador em território norte-americano.

No Brasil, Flávio é alvo de investigações no STF envolvendo suspeitas de irregularidades financeiras. As apurações incluem questões relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As suspeitas seguem sujeitas à apuração das autoridades competentes e não representam condenação.

Eduardo foi condenado pelo STF e permanece nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O ex-deputado teve o mandato cassado por excesso de faltas e, em junho de 2026, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo o entendimento da Corte, Eduardo atuou junto a autoridades americanas para pressionar integrantes do Judiciário brasileiro e tentar interferir no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Entre as medidas examinadas no julgamento estavam articulações envolvendo sanções contra ministros do STF e tarifas comerciais impostas ao Brasil.

Eduardo rejeita as acusações e sustenta que sua atuação nos Estados Unidos tem caráter político. O ex-parlamentar afirma ser alvo de perseguição e mantém proximidade com setores conservadores ligados ao governo Trump.

Em outubro, Alexandre de Moraes determinou a expedição de um mandado de prisão contra Eduardo e o cancelamento de seus passaportes.

A condenação no Brasil, entretanto, não provoca automaticamente sua deportação dos Estados Unidos. Um eventual retorno compulsório dependeria de procedimentos legais específicos e de decisões das autoridades competentes.

Democratas podem deportar os irmãos Bolsonaro?

Embora a vitória democrata tenha ampliado a pressão sobre Eduardo e Flávio, o Congresso americano não pode determinar diretamente a deportação de estrangeiros.

Os parlamentares têm competência para fiscalizar o Executivo, realizar audiências, solicitar documentos e investigar possíveis irregularidades na atuação de autoridades federais.

Já decisões relacionadas à permanência de estrangeiros são conduzidas pelos órgãos responsáveis pela política migratória, incluindo o Departamento de Segurança Interna.

Também existe diferença entre deportação e extradição. A primeira está relacionada ao cumprimento das leis migratórias americanas. A segunda envolve um procedimento jurídico para a entrega de uma pessoa a outro país, conforme a legislação e os tratados aplicáveis.

Portanto, a eventual abertura de uma investigação parlamentar não significa que Eduardo ou Flávio perderão automaticamente o direito de permanecer nos Estados Unidos.

Donald Trump também continuará exercendo as atribuições do Poder Executivo, mesmo diante de um Congresso controlado pela oposição.

Próximos passos

A primeira data importante é 13 de novembro, prazo estabelecido pelos parlamentares democratas para que o Departamento de Estado responda aos questionamentos sobre a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

A partir de janeiro de 2027, com a posse da nova maioria no Congresso, os democratas poderão ampliar as investigações e convocar integrantes do governo Trump para prestar esclarecimentos.

Enquanto isso, Eduardo e Flávio permanecem nos Estados Unidos. O ex-deputado sustenta que a situação migratória da família é regular e afirma não temer as iniciativas da oposição.

O desdobramento dependerá das respostas do governo americano, de eventuais investigações parlamentares e das decisões das autoridades migratórias. Até o momento, a pressão contra os irmãos é principalmente política, sem confirmação de uma medida de deportação determinada pelas autoridades americanas.

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