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Estudo brasileiro explica piora súbita em bebês com hérnia diafragmática e alerta para risco no tratamento

Pesquisa publicada na revista Scientific Reports identificou um possível mecanismo de proteção nos pulmões de recém-nascidos e aponta que medicamentos usados em UTIs podem anular esse efeito e agravar o quadro.
Redação NC News
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Uma pesquisa brasileira identificou um mecanismo biológico que ajuda a explicar por que recém-nascidos com hérnia diafragmática congênita podem apresentar uma piora repentina e potencialmente fatal após um período inicial de estabilidade. O estudo também acende um alerta sobre o uso de determinados medicamentos nas unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais.

Publicado na revista científica Scientific Reports, o trabalho aponta que a hipertensão pulmonar, geralmente considerada uma complicação da doença, pode funcionar temporariamente como um mecanismo de proteção. Segundo os pesquisadores, medicamentos vasodilatadores utilizados para alterar a circulação sanguínea podem anular esse efeito e favorecer uma congestão pulmonar grave.

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O que é a hérnia diafragmática congênita?

A hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação que ocorre durante o desenvolvimento do bebê na gestação. Nela, o diafragma — músculo que separa o tórax do abdômen — não se forma completamente, deixando uma abertura pela qual órgãos como estômago, intestino e fígado podem se deslocar para o espaço do peito.

Com isso, os órgãos abdominais podem comprimir os pulmões e prejudicar seu desenvolvimento. Após o nascimento, os bebês podem apresentar dificuldades respiratórias, baixos níveis de oxigênio no sangue e alterações na circulação pulmonar, exigindo acompanhamento especializado e, em muitos casos, cuidados intensivos.

De acordo com estimativas citadas pelos pesquisadores, a malformação ocorre em aproximadamente um a cada 6 mil nascimentos no estado de São Paulo.

Pressão alta nos pulmões pode ter efeito protetor

Um dos principais achados da pesquisa foi a identificação de uma proliferação de capilares não funcionais nos pulmões afetados pela malformação. Esses pequenos vasos sanguíneos não participam adequadamente da troca de oxigênio e gás carbônico.

Os pesquisadores observaram que a hipertensão pulmonar pode ajudar a impedir que o sangue avance em excesso para essa rede de vasos, evitando temporariamente o acúmulo de líquido no órgão. Dessa forma, o aumento da pressão não representa apenas uma complicação: em determinadas circunstâncias, também atua como uma proteção.

A descoberta muda a compreensão de um mecanismo da doença. Antes, acreditava-se que o aumento da pressão nos pulmões era o principal responsável pelo fim de uma fase inicial de estabilidade dos recém-nascidos.

Medicamentos podem anular mecanismo de proteção

O estudo chama atenção para o uso de medicamentos vasodilatadores, que promovem o relaxamento dos vasos sanguíneos e podem reduzir a pressão na circulação pulmonar.

Segundo os pesquisadores, em bebês com HDC, essa redução pode eliminar o efeito protetor da hipertensão pulmonar e permitir que o sangue se acumule nos vasos não funcionais. O processo pode provocar congestão pulmonar, comprometer ainda mais a oxigenação e desencadear uma deterioração grave do quadro clínico.

O alerta não significa que esses medicamentos devam ser suspensos ou evitados em todos os casos. Os resultados indicam a necessidade de avaliação cuidadosa e individualizada pelas equipes médicas, considerando as particularidades da circulação pulmonar desses recém-nascidos.

Pesquisa investigou modelos animais e amostras humanas

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores ligados à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), entre eles os médicos Alexandre Todorovic Fabro e Lourenço Sbragia Neto. A investigação utilizou modelos animais e amostras humanas provenientes de autópsias para analisar alterações nos vasos sanguíneos dos pulmões.

Os resultados também ajudam a compreender a chamada fase de “lua de mel”, período de aparente estabilidade que alguns bebês apresentam inicialmente após o nascimento, antes de uma possível piora rápida.

Os autores ressaltam, porém, que ainda não existe uma resposta terapêutica definida para o mecanismo identificado. A pesquisa amplia o entendimento sobre a evolução da doença e abre caminho para novos estudos que possam contribuir para tratamentos mais seguros e eficazes.

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