O humorista e roteirista Vinícius Antunes, conhecido como Cacofonias, está sendo processado nas esferas cível e criminal pela Escola Suíço-Brasileira, no Rio de Janeiro, após denunciar comentários ofensivos atribuídos a um funcionário da instituição. Segundo o artista, as mensagens faziam referência à morte de seu filho Francisco, de 9 anos, atropelado ao lado da mãe em março deste ano.
Vinícius afirma que procurou a escola depois de identificar o responsável pelas publicações nas redes sociais. Entre os comentários atribuídos ao funcionário estavam provocações sobre a morte da criança e mensagens de conteúdo político. O humorista sustenta que pretendia comunicar a conduta à direção da instituição, por considerar preocupante que o autor das mensagens trabalhasse em um ambiente frequentado por crianças.
A situação terminou em uma disputa judicial. De acordo com Vinícius, uma decisão da Justiça o impede de mencionar publicamente a escola e o funcionário, sob risco de multa diária de R$ 10 mil. A instituição afirma que os comentários foram publicados em um perfil pessoal, sem seu conhecimento ou autorização, e que adotou providências internas após tomar conhecimento do episódio.
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Funcionário fez comentários sobre a morte do filho do humorista
O conflito começou depois que Vinícius recebeu mensagens ofensivas nas redes sociais, atribuídas a Rodrigo Frota, identificado como funcionário da Escola Suíço-Brasileira.
Em uma das publicações, o homem teria questionado o estado do filho do humorista, mesmo após a morte da criança.
“Seu filho vai bem, babaca?”
Outro comentário atribuído ao funcionário apresentava uma provocação de caráter político.
“Petista bão é petista lacrado no caixão.”
Vinícius afirmou que identificou o perfil do autor das mensagens e descobriu que ele trabalhava em uma instituição de ensino.
Segundo seu relato, a descoberta provocou preocupação sobre a conduta do funcionário e o ambiente escolar.
O humorista declarou que tentou entrar em contato com a direção por Instagram, WhatsApp, telefone e e-mail para relatar o ocorrido.
Ele afirmou que não pretendia iniciar uma campanha contra o colégio, mas solicitar uma avaliação interna sobre a situação.
Humorista diz que foi bloqueado ao procurar a escola
Em entrevista ao jornal O Dia, Vinícius contou que enfrentou dificuldades para conseguir conversar com representantes da instituição.
Segundo ele, o perfil oficial da escola o bloqueou após uma tentativa de contato pelo Instagram. O humorista também afirmou que deixou de receber atendimento por telefone.
Posteriormente, recebeu uma mensagem da instituição informando que nenhuma criança estaria em perigo.
O artista questionou como a escola poderia chegar a essa conclusão sem, segundo sua versão, realizar uma avaliação adequada da conduta denunciada.
Vinícius ressaltou que sua intenção inicial era comunicar uma situação que considerava preocupante, especialmente por envolver alguém que trabalha em contato com o ambiente escolar.
Filho do humorista morreu atropelado no Rio de Janeiro
O episódio ocorre poucos meses depois de uma tragédia familiar enfrentada por Vinícius Antunes.
Em 30 de março de 2026, seu filho Francisco, de 9 anos, e a mãe do menino, Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, foram atingidos por um ônibus na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Os dois estavam em uma bicicleta elétrica na Rua Conde de Bonfim, nas proximidades da Rua Pinto de Figueiredo.
Segundo informações divulgadas na época, mãe e filho teriam caído na pista após serem fechados por um automóvel.
Emanoelle morreu no local. Francisco chegou a receber atendimento, mas não resistiu aos ferimentos.
A ocorrência passou a ser investigada pela 19ª Delegacia de Polícia, na Tijuca, responsável por esclarecer as circunstâncias do atropelamento e identificar o veículo envolvido.
Francisco completaria 10 anos em maio.
Justiça impõe restrições e defesa critica decisão
O humorista informou que responde a processos nas áreas cível e criminal relacionados ao conflito com a instituição.
Segundo ele, uma determinação judicial também estabelece restrições às suas manifestações públicas sobre o colégio e o funcionário.
A medida prevê multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento, conforme o relato apresentado pelo artista.
Os advogados Matheus Emídio e Daniele Emídio, responsáveis pela defesa de Vinícius, contestam a proporcionalidade da decisão.
A defesa considera que as restrições impostas ao humorista são excessivas diante das circunstâncias relatadas.
Os representantes afirmam que acompanharão o andamento dos processos e adotarão as medidas judiciais consideradas necessárias.
Vinícius também declarou que poderá avaliar uma ação contra o funcionário responsável pelos comentários.
Escola repudia comentários, mas diz que também sofreu ataques
Em nota pública, a Escola Suíço-Brasileira afirmou que as mensagens atribuídas ao funcionário foram feitas em uma conta pessoal, durante uma discussão política, sem participação ou autorização da instituição.
A direção declarou que repudia manifestações ofensivas, principalmente aquelas dirigidas a pessoas que enfrentam o luto pela morte de familiares.
Segundo o colégio, o funcionário foi chamado para prestar esclarecimentos e providências internas foram adotadas.
A instituição também informou que o empregado é neurodivergente e que sua família acompanha o caso. A escola ressaltou que essa condição não justifica as manifestações ofensivas.
O colégio afirmou ainda que passou a enfrentar ataques e episódios de assédio direcionados à comunidade escolar após a divulgação da controvérsia.
De acordo com a instituição, a preocupação envolve a proteção dos estudantes, funcionários e demais integrantes da comunidade.
Próximos passos
A disputa entre o humorista e a Escola Suíço-Brasileira continuará na Justiça, onde serão analisadas as alegações apresentadas pelas partes.
A defesa de Vinícius deverá buscar a revisão das restrições impostas às manifestações públicas do artista.
O humorista também considera adotar medidas judiciais contra o funcionário apontado como autor das mensagens.
Até o momento, não há informação confirmada sobre uma decisão definitiva que encerre os processos.
O caso envolve discussões sobre liberdade de expressão, responsabilidade por publicações nas redes sociais e os limites da exposição pública de instituições e profissionais.