Lewis Hamilton iniciou o fim de semana do GP Brasil em Interlagos celebrando a marca histórica de 400 corridas na Fórmula 1 com um capacete nas cores do Brasil, reforçando a ligação com o país ao mesmo tempo em que voltou a cobrar mudanças na Ferrari e a criticar a postura agressiva de Charles Leclerc nas disputas internas da equipe.
No autódromo de São Paulo, onde completa o 400º Grande Prêmio neste domingo, o heptacampeão britânico também viu uma iniciativa ligada à sua fundação levar 22 jovens negros aos bastidores da categoria, numa ação voltada à inclusão e diversidade em um ambiente ainda pouco representativo racialmente.
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Qual a homenagem de Lewis Hamilton ao Brasil no capacete?
Hamilton colocou na pista um capacete verde e amarelo com referências diretas ao Brasil, à própria trajetória na Fórmula 1 e à marca das 400 corridas. O desenho traz as cores da bandeira brasileira em destaque e duas inscrições centrais: uma com “Melbourne 2007 – São Paulo 2026”, marcando da estreia à corrida atual, e outra com o número 400 estampado na parte superior.
Cidadão honorário do Brasil, o piloto da Ferrari usou o casco já no primeiro treino livre em Interlagos e reforçou o simbolismo de chegar à marca histórica justamente no país onde construiu uma base de fãs das mais apaixonadas da categoria. No total, ele se torna o segundo piloto com mais largadas na história, atrás apenas de Fernando Alonso, da Aston Martin, que alcança 445 GPs neste fim de semana.
Outros pilotos também aderiram a capacetes especiais, como o jovem Kimi Antonelli, que homenageou Ayrton Senna, e o brasileiro Gabriel Bortoleto, que apostou em um desenho predominantemente branco com elementos ligados à cultura nacional.
Qual é o projeto de Lewis Hamilton que leva jovens negros à Fórmula 1?
O projeto que trouxe 22 jovens negros aos bastidores da Fórmula 1 em Interlagos é uma ação da organização Mission 44, fundada por Hamilton, em parceria com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT). Ao longo da quinta e desta sexta, o grupo vivencia uma imersão no ambiente da categoria, com visitas à garagem, ao pit-lane e atividades que mostram, na prática, as diferentes profissões envolvidas em um fim de semana de corrida.
Os participantes acompanharam demonstrações de troca de pneus, conheceram áreas técnicas e operações de equipes ligadas à categoria, como Alpine e Pirelli, e tiveram contato com profissionais de engenharia, tecnologia, comunicação, logística e gestão. A ideia é apresentar caminhos de carreira em setores de alta tecnologia que, muitas vezes, parecem distantes da realidade desses jovens.
“Ampliar o acesso das juventudes negras a diferentes espaços profissionais é fundamental para enfrentar desigualdades históricas e construir novas possibilidades de futuro”, afirma Daniel Bento Teixeira, diretor-executivo do CEERT. Segundo ele, aproximar os participantes de ambientes como a Fórmula 1 ajuda a criar novas referências e a enxergar oportunidades concretas de formação e trabalho.
A parceria integra a atuação global da Mission 44, voltada a reduzir barreiras sociais e a aumentar a presença de jovens de grupos sub-representados em áreas de educação e emprego. Em São Paulo, a programação continua com a visita da equipe de comunicação da organização à sede do CEERT para ouvir relatos de participantes e ex-integrantes de programas de formação da entidade.
O que Lewis Hamilton disse sobre o tratamento diferente de Leclerc nas disputas?
Em coletiva em Interlagos, Hamilton foi direto ao falar sobre o clima na Ferrari e a forma como Charles Leclerc o enfrenta nas pistas. Questionado se o companheiro de equipe disputa posições com ele de maneira mais agressiva do que com outros rivais, respondeu com um seco “Sim”.
O britânico citou uma disputa específica em Singapura como exemplo da abordagem mais dura do monegasco e reconheceu o peso político de Leclerc dentro da equipe italiana. Ao mesmo tempo, fez questão de dizer que trabalha para manter a relação funcional: “Eu me aproximei da equipe e trabalhei muito para construir um bom relacionamento com Charles, diminuir as distâncias e garantir que tenhamos harmonia e trabalhemos bem juntos. Sempre tentei ser respeitoso”.
Hamilton admitiu ainda que segue incomodado com incidentes na primeira volta da corrida anterior, que envolveram a dupla da Ferrari. “Naturalmente eu estava frustrado e continuo frustrado. Precisamos ter conversas sobre isso. E vamos conversar quando tivermos a oportunidade de voltar à Europa como equipe”, afirmou.
Ele reforçou que sua chegada à escuderia passa por um processo de cobrança interna por mudanças estruturais e de postura competitiva. “Sou muito franco e pressiono, pressiono e pressiono por muitas mudanças. E vou continuar pressionando por mais. Enquanto eu estiver aqui, será assim. Estou aqui para vencer”, disse o heptacampeão.
Entenda o contexto
Hamilton desembarca em Interlagos como um dos protagonistas do fim de semana tanto dentro quanto fora da pista. Aos olhos do público brasileiro, ele combina a imagem de ídolo esportivo — heptacampeão, dono de recordes e agora integrante seleto do grupo de pilotos com 400 GPs — com a de ativista por causas sociais, em especial a luta contra o racismo e por mais diversidade no automobilismo.
No grid atual, ele é o segundo em número de largadas, atrás de Fernando Alonso, que também corre neste fim de semana pela Aston Martin. A disputa entre dois veteranos com mais de 800 corridas somadas ajuda a dar um peso histórico extra ao GP no Brasil, que ainda exibe a nova geração em ascensão, caso dos brasileiros Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara.
Enquanto Interlagos vibra com o marco esportivo do britânico, as tensões internas na Ferrari ganham contornos estratégicos para o restante da temporada. A equipe precisa equilibrar a rivalidade entre Hamilton e Leclerc para transformar velocidade em resultados consistentes. Fora da pista, a presença dos 22 jovens trazidos por Mission 44 e CEERT indica que as decisões de hoje, em termos de inclusão e acesso, podem influenciar quem estará nos boxes e escritórios do automobilismo nas próximas décadas.