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Mãe que se acorrentou em hospital por cirurgia do filho também cuida de filha com leucemia

Laise Sousa Carvalho enfrenta dificuldades para cuidar das duas crianças em Paraíso do Tocantins, onde a falta de água agrava a rotina da família.
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A história da mãe Laise Sousa Carvalho, que se acorrentou ao portão de um hospital para conseguir atendimento especializado para o filho de 5 anos, ganhou um novo capítulo. Além de cuidar de Kauan, que nasceu com uma grave malformação cardíaca e não pôde passar pela cirurgia que precisava, a moradora de Paraíso do Tocantins também acompanha o tratamento da filha, diagnosticada com leucemia. Agora, a família enfrenta outro problema: a falta de água que atinge o município desde outubro.

Sem condições financeiras para realizar todas as adaptações necessárias em casa, Laise relata dificuldades para garantir os cuidados básicos do menino. Kauan precisa de atenção constante, utiliza sonda para alimentação, não anda, não fala e apresenta dificuldades respiratórias. A situação ficou ainda mais complicada com as interrupções no abastecimento de água.

Em entrevista divulgada pelo g1, a mãe contou que recebeu galões de água doados por um morador de Palmas e passou a utilizá-los para dar banho no filho. Para economizar, ela precisa controlar a quantidade de água utilizada em cada cuidado diário, enquanto também acompanha as necessidades médicas da filha.

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Mãe enfrenta falta de água enquanto cuida de dois filhos em tratamento

Laise mora em Paraíso do Tocantins, município que enfrenta uma crise no abastecimento de água desde o início de outubro.

A estiagem reduziu o volume do rio do Coco, uma das principais fontes de abastecimento da cidade. Com a queda do nível do rio, a concessionária responsável pelo serviço adotou medidas emergenciais, incluindo distribuição de água por horários e reforço do abastecimento em determinadas áreas.

Para a família de Kauan, a dificuldade é ainda maior devido aos cuidados especiais exigidos pela condição de saúde da criança.

“Eu não tenho onde banhar ele. Um rapaz de Palmas me doou os galões de água. É com o que tenho banhado ele. De copinho, para poder economizar. Tem a minha filha que faz tratamento de leucemia. Então, assim, a gente está enfrentando uma situação difícil porque não normalizou a água”, relatou Laise.

A mãe também informou que ainda não conseguiu adaptar adequadamente a residência para receber o filho após o retorno de São Paulo.

Entre os equipamentos necessários estão uma cama hospitalar, uma cadeira de banho, uma cadeira de rodas e um espaço apropriado para guardar os materiais utilizados nos cuidados diários.

Segundo Laise, as dificuldades financeiras impedem a família de comprar todos os equipamentos e realizar as modificações recomendadas pelos profissionais de saúde.

Filho de 5 anos nasceu com malformação no coração

Kauan nasceu com uma condição cardíaca congênita que compromete a circulação sanguínea. O menino possui apenas um ventrículo funcional e já passou por duas cirurgias.

A família buscava uma terceira intervenção, conhecida como cirurgia de Fontan, utilizada em determinados pacientes com alterações cardíacas complexas.

O procedimento tem como objetivo modificar a circulação do sangue para reduzir a sobrecarga sobre o ventrículo funcional, mas sua indicação depende de condições clínicas específicas.

No caso de Kauan, a cirurgia apresentava riscos elevados devido ao comprometimento de outros órgãos e às condições gerais de saúde da criança.

Segundo informações divulgadas pela família, o menino também apresenta problemas neurológicos e pulmonares, o que aumenta a complexidade do atendimento.

Laise se acorrentou ao hospital para conseguir transferência

A história da família ganhou repercussão nacional em 9 de setembro de 2026, quando Laise se acorrentou ao portão do Hospital Geral de Palmas, conhecido como HGP.

O protesto tinha como objetivo cobrar a transferência de Kauan para uma unidade especializada em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

A mãe afirmava que buscava o tratamento fora do Tocantins desde 2024 e que, apesar das decisões judiciais, ainda não havia conseguido realizar a transferência.

Na tarde daquele mesmo dia, ela deixou o hospital e repetiu o protesto em frente ao Ministério Público do Tocantins.

O órgão informou que recebeu Laise por meio das equipes de Assistência Social e Atendimento ao Cidadão e que já acompanhava a ação judicial relacionada ao atendimento da criança.

Em julho de 2025, a Justiça havia determinado a transferência do menino para São Paulo, incluindo transporte adequado e assistência para acompanhante.

Diante da demora, uma nova decisão judicial autorizou o bloqueio de recursos para garantir o tratamento fora do estado.

Menino foi transferido para São Paulo, mas cirurgia acabou descartada

Depois das manifestações e de novas providências médicas e judiciais, Kauan foi transferido para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto no dia 25 de setembro.

Na unidade paulista, o menino passou por uma série de avaliações, incluindo tomografias, encefalograma e cateterismo cardíaco.

Os exames buscavam esclarecer suas condições clínicas e verificar a possibilidade de realizar a cirurgia de Fontan.

No início de outubro, os especialistas se reuniram para avaliar os resultados e decidir sobre a indicação do procedimento.

Após a análise, a equipe médica concluiu que Kauan não apresentava condições para ser submetido à cirurgia, devido ao risco elevado associado à intervenção.

Laise comunicou a decisão nas redes sociais e demonstrou tristeza ao explicar que não havia possibilidade de realizar o tratamento cirúrgico naquele momento.

A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins já havia informado anteriormente que equipes médicas consideravam o procedimento contraindicado devido à fragilidade clínica e neurológica da criança, ao comprometimento dos acessos vasculares e à necessidade de cuidados pós-operatórios especializados.

Família voltou para casa e precisa de equipamentos

Depois de receber alta hospitalar, Kauan retornou com a mãe para Paraíso do Tocantins.

Segundo Laise, o menino tem apresentado condições estáveis na maior parte do tempo desde a volta, mas continua precisando de assistência constante.

O retorno exigiu mudanças na organização da casa, principalmente para acomodar os equipamentos e materiais utilizados nos cuidados médicos.

A mãe afirmou que ainda não conseguiu adquirir todos os itens necessários e que precisa de uma estrutura mais adequada para garantir o conforto e a segurança do filho.

“Quando a gente chegou de São Paulo, foi preciso fazer adaptações para ele, mas, como as nossas condições são baixas, eu não consegui fazer esse tipo de adaptação. Ainda não consegui os insumos dele, que a médica passou”, relatou.

A situação se tornou mais delicada porque Laise também acompanha a filha em tratamento contra a leucemia, um tipo de câncer que afeta as células produtoras do sangue.

Informações adicionais sobre a idade da menina, a etapa do tratamento e seu estado de saúde não foram detalhadas publicamente.

Crise hídrica agrava dificuldades da família

Paraíso do Tocantins enfrenta um período de dificuldades no abastecimento de água provocado pela estiagem e pela redução do volume do rio do Coco.

Diante da situação, a prefeitura decretou emergência, enquanto o Ministério Público passou a acompanhar os impactos da crise.

A BRK Ambiental, concessionária responsável pelo abastecimento, informou que as chuvas recentes contribuíram para uma recuperação gradual do nível do rio, mas ainda não foram suficientes para encerrar as medidas emergenciais.

Segundo a empresa, o abastecimento segue organizado por horários, com utilização de caminhões-pipa em situações específicas e reforço do atendimento a serviços essenciais.

Para famílias que precisam realizar cuidados médicos dentro de casa, as interrupções representam uma dificuldade adicional, especialmente em atividades de higiene e limpeza de equipamentos.

Próximos passos

A prioridade da família é conseguir melhores condições para os cuidados de Kauan em casa e acompanhar a continuidade do tratamento da filha.

O menino permanece sob os cuidados da mãe, depois que a equipe especializada em São Paulo avaliou que uma nova cirurgia cardíaca apresentaria riscos elevados.

Não há confirmação pública de uma nova indicação cirúrgica para Kauan.

Em relação à crise hídrica, a concessionária mantém medidas emergenciais enquanto aguarda a recuperação dos níveis de água utilizados no abastecimento de Paraíso do Tocantins.

A situação da família evidencia como a falta de infraestrutura e de recursos para cuidados domiciliares pode agravar a rotina de pessoas que dependem de acompanhamento médico contínuo.

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