Neymar da Silva Santos, o Neymar pai, assumiu nesta sexta-feira o cargo de CEO do Santos Futebol Clube e passa a comandar a gestão executiva do clube e do Instituto Meninos da Vila, com mandato inicial até dezembro e permanência condicionada à eleição presidencial marcada para 12 de dezembro.
O que aconteceu para o pai de Neymar assumir como CEO do Santos?
Neymar pai foi nomeado CEO do Santos após um acordo fechado em reunião na Vila Belmiro com o presidente Marcelo Teixeira e executivos da NR Sports, empresa da família, em meio à necessidade de fortalecer o planejamento e a saúde financeira do clube.
O cargo estava vago desde maio de 2025, quando Pedro Martins deixou o time, e foi criado em junho de 2024, ainda na gestão de Marcelo Teixeira. Desde então, decisões do futebol vinham sendo conduzidas principalmente pelo presidente e pelo executivo de futebol Alexandre Mattos.
Neymar pai já atuava nos bastidores alvinegros por meio da NR Sports, responsável por parcerias que viabilizaram reformas em vestiários, pintura de arquibancadas e construção de um lounge temático na Vila Belmiro. Ele também liderou a captação para a nova estrutura das categorias de base no CT Rei Pelé, com investimento estimado em R$ 8 milhões.
Em outra frente, intermediou o pagamento de um transfer ban de R$ 12 milhões, dívida ligada à contratação do meia Jean Lucas. Em troca, a NR Sports recebeu seis espaços publicitários no uniforme santista. A boa relação com a diretoria e a capacidade de atrair recursos abriram caminho para que ele fosse escolhido para o comando executivo.
Qual é o papel do pai de Neymar como CEO do Santos?
O empresário passa a ocupar uma posição estratégica no planejamento do clube até dezembro e permanece no cargo caso o presidente Marcelo Teixeira seja reeleito.
Como CEO, Neymar pai terá sob seu guarda-chuva os departamentos de marketing e de futebol, em integração com os executivos já contratados. Alexandre Mattos (futebol) e Caio Lacerda (marketing) seguem em suas funções, agora respondendo à nova estrutura executiva.
Ele também assume a presidência do Instituto Meninos da Vila, responsável por gerenciar carreiras de jogadores da base e a área dos Ídolos Eternos do Santos, que cuida da relação institucional com ex-craques do clube.
A ideia do executivo é, antes de mais nada, profissionalizar a gestão do clube, com executivos de mercado nas posições chave, afastamento entre política e futebol e intensificação do trabalho de marketing em busca da ampliação de receitas e soluções financeiras.
Um dos diferenciais é o uso coordenado de dois grandes ativos comerciais: a marca Neymar Jr., hoje camisa 10 e referência técnica do time, e a Pelé Brand, marca de Pelé adquirida pelo empresário. A expectativa interna é que essas marcas ajudem a atrair novos patrocinadores, acordos de licenciamento e ações globais de exposição da camisa santista.
Entenda o contexto
O Santos vive um período eleitoral, com o pleito marcado para 12 de dezembro. A permanência de Neymar pai no comando executivo depende diretamente do resultado: ele seguirá como CEO se Marcelo Teixeira for reeleito. Em caso de mudança na presidência, é provável que a nova gestão rediscuta o desenho da diretoria executiva.
Apesar da chegada ao posto máximo da gestão profissional, pessoas próximas ao empresário rejeitam qualquer associação da movimentação com planos de transformar o clube em sociedade anônima ou iniciar um processo de compra. Ele assume como executivo remunerado, sem operação de SAF ou participação acionária.
Nos bastidores, a aposta é que a presença de Neymar pai ajude a blindar o departamento de futebol das disputas políticas internas e acelere a execução do planejamento já em curso, especialmente em marketing, base e infraestrutura. Ao mesmo tempo, o vínculo da nova gestão ao resultado da eleição mantém um grau de incerteza no médio prazo.
Dentro de campo, a influência da família também já é sentida: Neymar Jr. participou do convencimento de reforços como Arthur e Philippe Coutinho a aceitarem propostas do Santos, movimento que tende a ser potencializado com a nova configuração do comando executivo.