O mercado de carros usados no Brasil apresenta sinais de desaceleração na valorização dos veículos. Dados do índice IBV Auto, elaborado pelo banco BV, mostram que os preços médios negociados acumulam alta de 4,02% em 2026, abaixo dos 4,42% registrados no mesmo período do ano passado.
O movimento é mais intenso entre os automóveis de maior valor, que enfrentam a concorrência dos modelos novos, especialmente aqueles comercializados por montadoras chinesas. O cenário também é influenciado pelo encarecimento do crédito e pelas condições de financiamento.
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Modelos conhecidos registram queda nos preços
Entre setembro e outubro, alguns veículos populares no mercado brasileiro apresentaram redução nos valores médios negociados. O Chevrolet Tracker teve queda de 2,01%, enquanto o Jeep Renegade registrou desvalorização de 1,74%. Já o Toyota Corolla apresentou recuo de 1,33% no período.
Esses modelos continuam em produção e recebem novas unidades no mercado de seminovos a cada ano. Entretanto, a maior oferta e a concorrência com veículos zero-quilômetro têm pressionado os preços.
Marcas chinesas aumentam a concorrência
A expansão das fabricantes chinesas no Brasil também contribui para a mudança no mercado automotivo. Para disputar consumidores, montadoras tradicionais passaram a oferecer descontos, condições especiais de financiamento e campanhas promocionais.
Com isso, a compra de determinados veículos usados, principalmente os mais caros, perde parte da atratividade diante das condições oferecidas para modelos novos.
Carros populares ainda apresentam valorização
Enquanto os veículos de maior valor enfrentam dificuldades para manter os preços, alguns modelos mais antigos e acessíveis continuam registrando valorização.
O Ford Fiesta apresentou alta de 4,83% nos preços médios negociados, enquanto o Fiat Uno, que deixou de ser produzido em 2021, registrou aumento de 3,37%.
Esses automóveis atendem principalmente consumidores com menor acesso ao crédito e costumam envolver negociações realizadas à vista.
Veículos elétricos acumulam maiores perdas
Os automóveis elétricos continuam entre os que mais perderam valor de revenda. Segundo o levantamento, os modelos ano 2023 acumulavam desvalorização de 47,24% até outubro de 2026.
Entre os híbridos da mesma safra, a queda chegou a 29,12%. Já os veículos exclusivamente a combustão registraram redução de 23,34% no período.
Parte dessa diferença está relacionada aos preços elevados e à menor aceitação de modelos elétricos mais antigos. O mercado brasileiro começou a ganhar maior volume de vendas nessa categoria a partir de 2024, com a expansão de fabricantes como BYD e GWM.
O levantamento indica que o mercado de usados passa por uma mudança na dinâmica de preços. A concorrência com os veículos novos, o custo do financiamento e as diferenças entre as categorias devem continuar influenciando as negociações no setor automotivo.
O tema também se relaciona ao crescimento da procura por automóveis eletrificados no país. Em levantamento anterior, a demanda por carros elétricos usados no Brasil já apontava mudanças no comportamento dos consumidores.