Uma tempestade geomagnética de baixa intensidade, causada por uma corrente de vento solar de alta velocidade vinda de um buraco coronal no Sol, começa a atingir a Terra entre a noite desta sexta-feira (6) e o sábado (7), no horário de Brasília, com potencial de interferir em satélites, navegação por GPS e comunicações por rádio de alta frequência.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) classifica o episódio como um evento G1, o menor dos cinco níveis da escala de tempestades geomagnéticas, e vê apenas uma pequena chance de intensificação para G2, o que exigiria ajustes operacionais em satélites em órbita baixa por causa do aumento do arrasto atmosférico.
Quando a tempestade solar vai atingir a Terra?
A previsão da NOAA indica que a tempestade geomagnética de nível G1 atua principalmente entre a noite desta sexta-feira (6) e o sábado (7), com maior probabilidade de perturbações no período noturno e início da madrugada, no horário de Brasília.
O alerta está ligado à chegada de uma corrente de vento solar de alta velocidade, formada por partículas carregadas lançadas a partir de um buraco coronal na atmosfera do Sol. Esse fluxo se desloca pelo espaço e, ao encontrar o campo magnético da Terra, provoca alterações no chamado clima espacial, capazes de afetar sistemas que dependem de satélites e de ondas de rádio.
De acordo com a agência, “o cenário previsto é de um evento G1, o primeiro dos cinco níveis da escala de tempestades geomagnéticas”. A possibilidade de o fenômeno subir para G2 é considerada reduzida e está concentrada no sábado.
Quais os riscos da tempestade solar para o Brasil?
No Brasil, os impactos previstos são mínimos, sem expectativa de apagões generalizados ou danos a equipamentos do dia a dia. A posição geográfica do país, distante dos polos magnéticos, reduz bastante a sensibilidade a esse tipo de evento, que costuma ser mais intenso em altas latitudes.
Em boletim recente, a NOAA afirmou que “no Brasil, a previsão apresentada não indicava apagões generalizados de energia, internet ou telefonia”. Redes elétricas e de telecomunicações que atendem a população em geral devem operar normalmente, embora serviços que dependem de radiocomunicação e navegação por satélite possam monitorar eventuais oscilações.
Os efeitos mais visíveis da tempestade, como o aumento de auroras, são esperados principalmente em regiões próximas aos polos, e não em latitudes tropicais como as brasileiras.
Como a tempestade solar pode afetar celulares, satélites e rádios?
Para o público comum, a principal dúvida recai sobre celulares e internet móvel. A previsão da NOAA é clara: “Celulares não sofrerão danos, nem haverá queda generalizada nos serviços de internet. Não é necessário desligar aparelhos ou tomar precauções especiais”.
Isso porque a tempestade atinge principalmente o ambiente espacial e a ionosfera, camada da atmosfera que influencia a propagação de ondas de rádio. Sistemas que dependem diretamente desses sinais — como satélites em órbita baixa, navegação por GPS e comunicações por rádio de alta frequência — são os mais sensíveis.
A NOAA ressalta que “a possibilidade de interferência em sistemas de navegação ou comunicação por satélite não equivale a uma previsão de queda das redes móveis”. Eventuais efeitos para o usuário podem aparecer, de forma pontual, como pequenas imprecisões momentâneas em serviços de localização.
Operadores de satélites acompanham o fenômeno em tempo real. Se a tempestade subir de G1 para G2, a própria agência admite que “pode haver um leve aumento do arrasto atmosférico sobre equipamentos em órbita baixa, exigindo pequenas manobras de ajuste”.
Entenda o contexto
Tempestades geomagnéticas ocorrem quando fluxos de material do Sol — como vento solar acelerado ou ejeções de massa coronal — interagem com o campo magnético da Terra. No caso atual, o principal gatilho é um vento solar de alta velocidade que escapa de um buraco coronal, região da atmosfera solar em que as linhas de campo magnético se abrem e facilitam a saída de partículas.
Além do componente geomagnético, a NOAA também acompanha o risco de apagões de rádio causados por explosões solares. Para esta sexta e sábado, os boletins apontam probabilidade de 35% de eventos R1 ou R2, que podem provocar interrupções temporárias em comunicações de alta frequência na face iluminada da Terra, e 10% de eventos mais severos, de R3 ou superiores.
A agência monitora ainda uma ejeção de massa coronal registrada em 1º de novembro, que teve trajetória majoritariamente tangencial em relação à Terra, e relata que a atividade solar global permanece em patamar baixo, com chances reduzidas de explosões de maior intensidade nos próximos dias.