O diretor e produtor Nilton Travesso, que morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, em São Paulo, continuou envolvido com a televisão e o audiovisual mesmo depois de encerrar sua rotina à frente de grandes programas. Nos últimos anos, participou de documentários, acompanhou produções da Jovem Pan e manteve sua ligação com a formação de novos talentos.
Conhecido por trabalhos históricos como Éramos Seis, Fantástico, TV Mulher e Bom Dia & Cia, Travesso acumulou mais de sete décadas de experiência. Embora suas maiores realizações tenham ocorrido entre as décadas de 1960 e 2000, o diretor permaneceu ativo em diferentes projetos e nunca anunciou uma aposentadoria definitiva.
Entre suas atividades mais recentes estão participações em produções sobre Hebe Camargo e Silvio Santos, trabalhos de supervisão de programação e projetos voltados ao cinema. Relembre cinco capítulos da fase final de sua carreira.
Morre Nilton Travesso, diretor que marcou gerações da TV brasileira, aos 92 anos
1. Participou de documentário sobre Silvio Santos em 2024
Um dos últimos trabalhos de Nilton Travesso relacionados ao SBT aconteceu em 2024, quando participou do documentário Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro.
A produção revisitou a trajetória do fundador da emissora e reuniu depoimentos de pessoas que participaram da construção de sua história na televisão.
A presença de Travesso teve um significado especial. Durante sua passagem pelo SBT, o diretor ajudou a reorganizar a teledramaturgia, participou da criação de programas e esteve por trás de produções que marcaram a programação do canal.
O documentário foi sua última participação registrada em um projeto da emissora.

2. Também contribuiu para documentário sobre Hebe Camargo
Ainda em 2024, Nilton Travesso participou da produção documental Hebe, A Cara da Coragem, dedicada à vida pessoal e à carreira de Hebe Camargo.
O diretor conheceu a apresentadora durante sua longa passagem pela Record, emissora em que trabalhou desde os primeiros anos da televisão brasileira.
Ele esteve envolvido na direção de programas apresentados por Hebe e acompanhou uma fase importante de sua consolidação como um dos maiores nomes do entretenimento nacional.
A participação no documentário permitiu resgatar lembranças de bastidores e contribuir para a preservação da história da apresentadora.

3. Continuou trabalhando com programação na Jovem Pan
Mesmo depois de deixar a direção diária de atrações televisivas, Travesso continuou ligado à comunicação.
Um de seus últimos vínculos profissionais foi com a Jovem Pan, onde participou de atividades de direção e supervisão de programas, incluindo transmissões realizadas pela internet.
A atuação demonstrava seu interesse pelas transformações do setor audiovisual. O profissional, que havia começado a carreira em 1953, acompanhou a passagem da televisão analógica para as transmissões digitais e plataformas online.

4. Desenvolveu projeto para levar Éramos Seis ao cinema
Em 2016, Nilton Travesso deixou a direção do programa Todo Seu, apresentado por Ronnie Von na TV Gazeta, e passou uma temporada em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde viviam sua filha e seus netos.
Durante a permanência no país, trabalhou com o genro no desenvolvimento de uma adaptação cinematográfica de Éramos Seis, novela que havia dirigido no SBT em 1994.
O projeto pretendia levar para as telas uma das histórias mais importantes de sua trajetória na teledramaturgia.
Apesar dos esforços, a produção não chegou a ser concretizada. Na época, Travesso afirmou que a mudança para os Estados Unidos não representava sua aposentadoria.
5. Seguiu ligado à formação de novos atores
Outra contribuição que permaneceu associada ao nome do diretor em seus últimos anos foi a Nilton Travesso Oficina de Atores, fundada em 2001, em São Paulo.
A instituição foi criada para preparar profissionais para a televisão, o cinema e o teatro, reunindo técnicas de interpretação e experiências acumuladas pelo diretor durante décadas.
A escola se tornou um dos principais projetos de seu legado fora das emissoras, formando artistas e profissionais que passaram a atuar em diferentes produções audiovisuais.
Em 2026, a instituição também passou por uma modernização de sua presença digital, reforçando sua atuação na formação artística.
Últimas homenagens antes da morte
Poucos meses antes de morrer, Nilton Travesso recebeu uma homenagem organizada por Paulo Machado em uma associação de moradores na região do Jardim Londrina e Jardim Lar São Paulo, na capital paulista.
O jornalista Flávio Ricco, amigo de longa data do diretor, contou que apresentou a cerimônia a pedido do próprio Travesso.
Em texto publicado após a morte, Ricco relembrou que aquela foi a última ocasião em que os dois estiveram juntos.
Nilton Travesso morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após enfrentar problemas de saúde. O velório está marcado para sábado (7), das 10h às 17h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista.
Sua trajetória nos últimos anos mostrou que, mesmo afastado da rotina intensa dos estúdios, ele continuou contribuindo para a preservação da memória da televisão brasileira e para a formação de novas gerações de profissionais.