O Grêmio suportou um bombardeio do Atlético-MG na Arena MRV, segurou o empate no agregado sob chuva forte e clima hostil em Belo Horizonte e garantiu vaga na final da Copa do Brasil, aproximando-se do sexto título e da chance de se igualar ao Cruzeiro como maior campeão do torneio.
Atlético domina, abre 2 a 0 e reacende esperança
Precisando reverter o 2 a 0 sofrido na Arena Grêmio no jogo de ida, o Atlético-MG partiu para cima desde o início e transformou o primeiro tempo em ataque contra defesa. A insistência foi premiada quando Renan Lodi acertou um golaço aos 25 minutos, fazendo 1 a 0 e inflamando a Arena MRV.
Com a torcida empurrando e o Grêmio recuado, o 1 a 0 “pareceu a senha para a virada alvinegra”, como descreveu o jornalista Juca Kfouri. Aos 38 minutos, Noriega cruzou na medida e Carlos Vinicius, artilheiro da temporada, marcou de cabeça o segundo do Galo, seu 26º gol no ano, igualando o placar agregado e colocando ainda mais pressão sobre os gaúchos.
Antes disso, Weverton já havia salvado o Grêmio em pelo menos duas finalizações claras, impedindo que a vantagem atleticana fosse ainda maior antes do intervalo.
Grêmio ajusta o time e aposta na resistência
Na volta do vestiário, o Atlético-MG seguia favorito pelo volume de jogo, mas o Grêmio tratou de reorganizar a equipe. Caio Paulista e Dodi entraram logo no início para dar fôlego e opção de saída rápida nos contra-ataques, enquanto o time mineiro manteve a pressão ofensiva.
A torcida atleticana pedia mais presença no ataque e, pouco depois, Fred e Dudu foram acionados para aumentar o poder de fogo dos donos da casa. Mesmo assim, o cenário começou a mudar: o Grêmio, mais compacto, passou a controlar melhor os espaços e a segurar o ímpeto rival.
Segundo Juca Kfouri, “a postura corporal um Grêmio confiante e seguro e o rival nervoso e apressado” resumiu bem o clima em campo: enquanto o Galo mostrava ansiedade nas finalizações, o time gaúcho administrava o relógio e rondava o ataque em bolas longas.
Expulsão de Vitão, VAR em ação e chuva torrencial
Com o agregado empatado e o clima tenso, a partida ganhou contornos ainda mais dramáticos. A chuva apertou, o gramado sintético começou a empoçar e a visibilidade ficou prejudicada também pelos sinalizadores acesos no setor da torcida atleticana.
O lance decisivo veio quando Vitão acertou Braithwaite com o pé alto na região da cabeça. O árbitro, inicialmente, não aplicou o cartão vermelho, mas foi chamado pelo VAR para revisar o lance. Após checagem, mudou a decisão e expulsou o zagueiro do Atlético-MG, deixando o time da casa com dez jogadores em um momento crucial do confronto.
Com um a mais, o Grêmio reforçou ainda mais a postura defensiva, fechou os espaços e reduziu o jogo a um duelo de paciência. O Atlético-MG ainda tentou na base do abafa, com chutes de média distância e bolas alçadas, mas esbarrou na segurança da defesa gremista e de Weverton, pouco exigido na etapa final graças ao bom posicionamento da zaga.
Entenda o contexto
O duelo em Belo Horizonte valia vaga na final da Copa do Brasil, com o Grêmio defendendo a vantagem de 2 a 0 construída no primeiro encontro. Com o empate no saldo após o 2 a 0 atleticano no tempo normal, o time gaúcho levou a melhor no confronto pelo regulamento da competição e confirmou presença em sua 10ª decisão do torneio.
A classificação coloca o clube novamente em evidência nacional, reforçando a imagem de equipe copeira, acostumada a jogos grandes e a suportar pressão. Nas palavras de Juca Kfouri, o “Grêmio, com estoicismo, na décima final da Copa do Brasil, em busca do hexa”.
Impacto para Grêmio e Atlético-MG
Para o Grêmio, a vaga significa a chance real de erguer o sexto troféu da Copa do Brasil e se igualar ao Cruzeiro como maior vencedor da história da competição. A campanha valoriza o trabalho da comissão técnica e do elenco, que mostra capacidade de adaptação tática e resistência emocional em ambientes adversos.
A classificação também aumenta a visibilidade do clube junto à mídia, patrocinadores e ao mercado de apostas, além de manter em alta a perspectiva de premiações e receitas extras em caso de título.
Do lado atleticano, a eliminação após um primeiro tempo dominante e a perda do controle emocional na etapa final ampliam as cobranças internas. A expulsão de Vitão, em lance revisado pelo VAR, deve entrar no centro das discussões sobre disciplina em jogos decisivos, enquanto a comissão técnica será pressionada a explicar a queda de rendimento e a dificuldade em transformar superioridade em classificação.
O Atlético-MG agora volta as atenções para as demais competições da temporada, sob expectativa de ajustes no elenco e, dependendo da avaliação da diretoria, possíveis mudanças de rumo na comissão técnica. Já o Grêmio passa a concentrar esforços na preparação para a final da Copa do Brasil, em clima de confiança e com o peso histórico de poder alcançar o hexa.