O mercado imobiliário de BH tem apenas 470 imóveis novos prontos disponíveis para venda, em meio à redução dos estoques e à demanda por moradia. O número foi apresentado pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá, em entrevista divulgada neste sábado (7). Segundo ele, a oferta limitada, somada ao aumento dos custos da construção, contribui para pressionar os preços dos apartamentos na capital mineira.
Considerando também as unidades em construção e em outras etapas de comercialização, o estoque é de aproximadamente 4.500 imóveis. Para Lafetá, a quantidade é insuficiente diante da procura, embora isso não signifique que a cidade esteja prestes a ficar sem unidades disponíveis.
O representante do setor afirma que os lançamentos imobiliários ainda não acompanham a necessidade de novas moradias. A formação de novos domicílios, a procura por apartamentos menores e a dificuldade de encontrar terrenos disponíveis estão entre os fatores que explicam o desequilíbrio.
A escassez também influencia o deslocamento de compradores para municípios da Região Metropolitana. Nova Lima, especialmente nas regiões de Vila da Serra e Vale do Sereno, tem absorvido parte dessa procura. Santa Luzia, Lagoa Santa e Vespasiano também foram citadas como alternativas para famílias que não encontram imóveis adequados ao orçamento em Belo Horizonte.
Mercado imobiliário de BH tem apartamentos menores e mais caros
Uma das mudanças observadas pelo setor é o aumento da oferta de apartamentos compactos, principalmente os de um quarto. Em Belo Horizonte, já existem unidades de aproximadamente 28 metros quadrados sendo comercializadas.
Segundo Lafetá, a redução da metragem é uma resposta ao encarecimento dos terrenos e da própria construção. Com imóveis menores, as incorporadoras conseguem oferecer preços totais mais acessíveis, embora o valor por metro quadrado possa continuar elevado.
Esse tipo de empreendimento tem atraído investidores interessados em aluguel, mas também pessoas que moram sozinhas, estudantes e trabalhadores que passam apenas parte da semana na cidade.
O mercado apresenta ainda diferenças importantes entre as faixas de renda. Durante a entrevista, foi apontado que os imóveis com preços entre R$ 400 mil e R$ 1 milhão representam cerca de 40% dos lançamentos em Belo Horizonte. Já os empreendimentos econômicos correspondem a apenas 5%, segundo Lafetá.
A diferença preocupa o setor porque a maior parcela da demanda habitacional está concentrada justamente entre os compradores de menor renda.
Entrada do financiamento dificulta compra da casa própria
Apesar dos preços elevados, o presidente do Sinduscon-MG considera que a entrada exigida pelos bancos é um dos principais obstáculos para quem pretende financiar um imóvel.
A dificuldade está relacionada à baixa capacidade de poupança das famílias. Mesmo quando o comprador consegue assumir uma prestação mensal, nem sempre dispõe do dinheiro necessário para pagar a entrada.
Lafetá defende mudanças nas condições de financiamento, com redução da entrada, ampliação da parcela financiada pelos bancos e prazos maiores de pagamento.
Os juros elevados também afetam as construtoras, que precisam contratar crédito para financiar projetos, adquirir materiais e manter as obras. Esse custo acaba influenciando o preço final dos empreendimentos.
Outro fator de pressão é a inflação da construção civil. Lafetá citou aumentos de aproximadamente 8% nos custos de mão de obra e 5% nos materiais, acima da inflação geral considerada na comparação apresentada durante a entrevista.
Por que os imóveis estão ficando mais caros em Belo Horizonte?
Para o presidente do Sinduscon-MG, o preço dos terrenos, os custos da mão de obra, os materiais e a burocracia para aprovação de projetos são os principais fatores que encarecem as novas construções.
Ele também avalia que as regras urbanísticas municipais restringem as possibilidades de novos empreendimentos. Na avaliação do dirigente, alterações na legislação poderiam ampliar a oferta de moradias.
Lafetá considera positiva a proposta de incentivar a ocupação residencial da região central de Belo Horizonte, por aproximar moradores de empregos, comércio e transporte público.
Para quem pretende comprar um imóvel, a recomendação do dirigente é avaliar as condições financeiras e o prazo necessário para a mudança. Apartamentos na planta permitem distribuir parte do pagamento da entrada durante a construção, enquanto imóveis prontos atendem quem precisa se mudar imediatamente.
Já a decisão entre comprar ou alugar depende da estabilidade financeira e dos planos de permanência na região. Para Lafetá, o aluguel pode ser uma alternativa para quem ainda não decidiu onde pretende morar.