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Paris presta homenagem a Patricio Guzmán e celebra legado do cineasta chileno

Documentarista morreu em setembro, aos 85 anos, e recebeu homenagem na capital francesa com exibição de filmes, apresentações musicais e manifestações em defesa da memória histórica do Chile.
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A cidade de Paris, na França, realizou neste sábado (7) uma homenagem ao cineasta chileno Patricio Guzmán, morto em setembro, aos 85 anos. A cerimônia reuniu admiradores, ativistas, representantes da cultura e integrantes do grupo musical Quilapayún para celebrar a trajetória de um dos principais documentaristas dedicados à história política e social do Chile.

O evento aconteceu no auditório da prefeitura de Paris e contou com a exibição de dois trabalhos importantes da filmografia do diretor: O Poder Popular e Nostalgia da Luz. A programação também teve apresentações musicais e manifestações em defesa da preservação da memória histórica chilena.

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Cineasta transformou a história do Chile em documentários

Patricio Guzmán construiu uma carreira marcada pelo registro de acontecimentos políticos e sociais de seu país. Sua obra ganhou reconhecimento internacional especialmente pela maneira como documentou o governo de Salvador Allende, o golpe militar de 1973 e os anos de ditadura comandados por Augusto Pinochet.

Entre seus trabalhos mais conhecidos está a trilogia A Batalha do Chile, produzida a partir de imagens registradas entre 1972 e 1973. O documentário acompanha o período de instabilidade política que antecedeu a derrubada de Allende e se tornou uma referência do cinema documental sobre a América Latina.

Outro destaque da carreira é Nostalgia da Luz, obra que aproxima a busca por vestígios do passado no deserto do Atacama da procura por pessoas desaparecidas durante a ditadura chilena. O filme combina memória, história, ciência e reflexão sobre a passagem do tempo.

Exílio levou o diretor à França

Após o golpe militar de 1973, Guzmán deixou o Chile e viveu fora do país durante grande parte da vida. Paris se tornou uma de suas principais referências pessoais e profissionais. Foi na capital francesa que encontrou espaço para continuar sua trajetória e dar visibilidade internacional às histórias que documentava.

A vereadora parisiense Geneviève Garrigos, uma das organizadoras da homenagem, afirmou à agência AFP que a cidade não poderia deixar de reconhecer o cineasta, que encontrou refúgio na França e continuou denunciando a ditadura chilena a partir de Paris.

Garrigos também relacionou a importância da obra de Guzmán ao cenário político atual do Chile, afirmando que existe um risco de apagamento da memória histórica. A declaração foi feita durante o evento e representa a avaliação da organizadora sobre o significado político da homenagem.

Quilapayún participou da homenagem

A música teve papel importante na cerimônia. Integrantes do grupo chileno Quilapayún participaram do encontro e interpretaram canções ligadas à história dos movimentos populares e à resistência política no país.

Entre as músicas apresentadas estavam Venceremos e El Pueblo Unido Jamás Será Vencido, composição que se tornou conhecida internacionalmente como símbolo de mobilização popular. A presença do grupo aproximou o cinema de Guzmán de outra expressão artística fundamental para a memória política chilena.

Eduardo Carrasco e Hernán Gómez, integrantes do Quilapayún, também participaram da homenagem. Carrasco destacou o valor histórico de O Poder Popular, documentário que integra a trilogia A Batalha do Chile e registra acontecimentos fundamentais daquele período.

Legado ultrapassa as fronteiras chilenas

Ao longo da carreira, Guzmán realizou cerca de 15 documentários, muitos deles dedicados à história recente de seu país. Sua linguagem cinematográfica combinava investigação histórica, imagens de arquivo, depoimentos e uma abordagem poética sobre a memória coletiva.

Durante a cerimônia em Paris, participantes ressaltaram que preservar a memória dos acontecimentos históricos é também uma maneira de evitar que experiências de violência e autoritarismo sejam esquecidas. Para os admiradores do diretor, seus filmes continuam oferecendo instrumentos para compreender o passado e refletir sobre o presente.

A homenagem também lembrou o papel de Paris como cidade de acolhimento para artistas e intelectuais que deixaram seus países em períodos de perseguição política. Para Patricio Guzmán, a capital francesa foi mais do que um endereço: tornou-se um espaço de produção, resistência e preservação de histórias que atravessaram gerações.

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