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Cidade de Deus volta à HBO com disputa entre milícia, tráfico e poder político

Segunda temporada retoma a história em 2004, após o assassinato de uma jornalista, e amplia o foco sobre corrupção, crime organizado e resistência dos moradores.
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O universo de Cidade de Deus: A Luta Não Para está de volta. A segunda temporada da série estreia neste domingo (8), na HBO Max e no canal HBO, com uma trama que aprofunda as relações entre milícia, tráfico de drogas e corrupção política. Ambientada em 2004, a nova fase retoma os acontecimentos após o assassinato da jornalista Lígia e acompanha diferentes personagens em uma disputa pelo controle da comunidade.

Com seis episódios, a produção mantém a ligação com o filme Cidade de Deus, lançado em 2002, mas amplia o olhar sobre os moradores e as estruturas de poder que influenciam a vida na região. A história coloca em evidência não apenas os confrontos armados, mas também as articulações políticas e econômicas que sustentam o domínio criminoso.

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Assassinato de jornalista movimenta a nova temporada

O ponto de partida da nova fase é o assassinato de Lígia, jornalista que investigava as conexões entre milicianos, políticos e traficantes. Seu parceiro, Buscapé, interpretado por Alexandre Rodrigues, decide investigar a rede criminosa e buscar respostas para a morte da amiga.

Enquanto a investigação avança, a disputa pelo território ganha novos contornos. Após a morte do traficante Curió, diferentes grupos passam a disputar espaço e influência na Cidade de Deus. A violência deixa de ser apresentada apenas como confronto entre criminosos e passa a envolver interesses políticos e estratégias de ocupação.

Berenice enfrenta vereador ligado à milícia

Uma das principais linhas narrativas acompanha Berenice, personagem de Roberta Rodrigues. Eleita vereadora, ela busca apoio dos moradores e tenta enfrentar a influência de Israel, político envolvido com a milícia e o crime organizado.

A personagem passa a percorrer as ruas da comunidade para conversar com a população e fortalecer sua atuação política. A disputa expõe como o poder criminoso pode se misturar à representação institucional e transformar serviços, negócios e relações cotidianas em instrumentos de controle.

Jerusa, vivida por Andréia Horta, também ganha papel importante. A personagem procura Israel para iniciar um negócio na comunidade, em uma articulação que favorece Reginaldo, secretário de segurança pública corrupto interessado em ampliar sua influência no território. A movimentação coloca interesses econômicos e políticos no centro da trama.

Personagem do filme original retorna

A nova temporada também marca o retorno de Matheus Nachtergaele como Cenoura, personagem que surgiu no filme de 2002. Depois de deixar a prisão, ele volta à comunidade e reencontra um território transformado por novas disputas e alianças.

Além de Alexandre Rodrigues, Roberta Rodrigues e Andréia Horta, retornam nomes como Sabrina Rosa, Kiko Marques, Dhonata Augusto e Luellem de Castro. A série é uma produção da O2 Filmes, dirigida por Aly Muritiba, com produção de Andrea Barata Ribeiro e Fernando Meirelles.

Série amplia debate sobre violência e representação

O retorno da produção também reacende discussões sobre a representação das favelas na televisão e no cinema. O filme original alcançou repercussão internacional, mas ao longo dos anos recebeu críticas por supostamente romantizar a violência e reforçar estereótipos sobre as comunidades brasileiras.

A segunda temporada tenta ampliar esse retrato ao dar espaço às relações familiares, à participação política e às formas de resistência que não passam necessariamente pelo confronto armado. A cultura, a música e a mobilização dos moradores aparecem como caminhos para enfrentar a violência e construir alternativas.

Com a nova temporada, Cidade de Deus: A Luta Não Para volta a um cenário conhecido, mas desloca o foco para as conexões entre crime e poder institucional. A produção aposta em uma história na qual a disputa pelo território não acontece somente nas ruas: também se desenrola nos bastidores da política e dos negócios.

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