O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou claro que a pauta da segurança pública será a principal moeda de troca política nas eleições deste ano. Em evento na capital paulista nesta quarta-feira (17), ele transformou um balanço de ações policiais em um palanque para outubro, convocando o eleitorado a formar uma base aliada rigorosa no Congresso Nacional.
Tarcísio condicionou seu apoio político à agenda mais dura contra o crime. “Quando a gente vai defender candidaturas à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, é defender candidaturas que vão levar essas bandeiras para que a gente possa fazer esse endurecimento de penas”, declarou. O chefe do Executivo paulista definiu a estratégia como a montagem de um “time” capaz de encabeçar a redução da maioridade penal e o combate à reincidência criminosa.
Críticas ao Judiciário e ‘tirocínio policial’
O discurso eleitoral do governador teve como principal alvo as atuais legislações e as decisões do Judiciário que, segundo ele, engessam o trabalho da polícia. Tarcísio defendeu maior segurança jurídica para a prisão por “fundada suspeita” e exigiu que a Justiça preserve o chamado “tirocínio policial” (a intuição e experiência do agente na rua).
Ele usou como exemplo casos em que juízes anulam prisões por tráfico de drogas ocorridas durante blitze de trânsito. “Muitas vezes o tirocínio não é preservado no Judiciário porque prisões são relaxadas. […] Isso não faz sentido na nossa cabeça. Como a gente dá segurança jurídica para as ações baseadas na fundada suspeita?”, questionou, justificando a urgência de uma reformulação legislativa.
Asfixia financeira e vitrine tecnológica
Ciente do apelo do tema nas urnas, Tarcísio aproveitou a agenda para expor a vitrine de sua gestão. Ele destacou a integração crescente das polícias com o Ministério Público e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), citando mais de 200 operações conjuntas focadas na asfixia financeira de facções e no fechamento de negócios de fachada.
Na reta final do mandato, ele projetou encerrar a gestão com quase 23 mil novos policiais contratados, mais de 4 mil viaturas e 23 mil armas entregues. Prometendo uma “curva descendente” contínua nos indicadores criminais, o governador apostou no uso maciço de Inteligência Artificial e sensores urbanos para consolidar seu projeto político. “A gente vai bloqueando os canais de fuga e aumentando a nossa possibilidade de prever comportamento criminoso”, concluiu.