Juíza é demitida após investigação apontar mais de 2 mil processos acumulados e suspeita de ausências fora do estado

Decisão inédita no Judiciário de Mato Grosso resultou na perda definitiva do cargo de magistrada após processo disciplinar por supostos desvios de conduta
Redação NC News
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Uma decisão histórica do Tribunal de Justiça de Mato Grosso marcou o Judiciário estadual nesta semana. Por 9 votos a 5, o Órgão Especial do TJMT determinou a demissão da juíza Tatiana dos Santos Batista, que atuava na comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade, a 522 quilômetros de Cuiabá.

A magistrada se tornou a primeira juíza da história do Judiciário mato-grossense a perder o cargo durante o estágio probatório, período em que o desempenho e a conduta dos magistrados são avaliados antes da confirmação definitiva na carreira.

A decisão ocorreu após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que investigou supostas irregularidades na atuação da juíza.

O que levou à demissão da magistrada?

Segundo as investigações internas, a Corregedoria do Tribunal identificou um elevado acúmulo de processos sob responsabilidade da juíza.

A apuração apontou que mais de dois mil processos estariam sem andamento adequado, alguns deles paralisados há anos, gerando preocupação sobre a prestação jurisdicional na comarca.

Além disso, foram analisados despachos considerados genéricos e decisões que, segundo os investigadores, poderiam indicar falhas na condução dos processos.

O que diz a investigação?

O procedimento disciplinar também investigou suspeitas de que a magistrada passava longos períodos fora de Mato Grosso.

Para verificar a situação, a Corregedoria analisou registros e imagens de sistemas de videomonitoramento, buscando confirmar a presença física da juíza no estado durante períodos determinados.

As apurações serviram de base para a abertura do processo disciplinar que culminou no julgamento realizado pelo Órgão Especial do tribunal.

Como foi o julgamento?

Durante a sessão, o relator do caso apresentou voto pela absolvição da magistrada.

No entanto, o entendimento acabou sendo derrotado após voto divergente apresentado pelo desembargador José Luiz Lindote.

A posição divergente foi acompanhada pela maioria dos integrantes do colegiado, formando o placar final de 9 votos a 5 pela demissão.

Houve acusação de corrupção?
Não.

Durante o julgamento, os desembargadores afastaram acusações relacionadas à corrupção.

A decisão pela perda do cargo foi fundamentada em questões ligadas à conduta funcional analisada durante o estágio probatório e ao desempenho considerado incompatível com as exigências da magistratura.

Com a decisão, a magistrada perde o cargo de forma definitiva e sem direito aos benefícios salariais normalmente assegurados em outras modalidades de desligamento da carreira.

Ainda cabem medidas jurídicas dentro dos instrumentos previstos na legislação para contestação da decisão.

O episódio ganhou repercussão por representar uma situação inédita no Judiciário mato-grossense.

A perda do cargo de um magistrado durante o estágio probatório é considerada uma medida rara e demonstra o rigor dos mecanismos de fiscalização e avaliação adotados pelo tribunal.

Além disso, o caso reacendeu debates sobre produtividade judicial, fiscalização da atividade dos magistrados e a importância da prestação eficiente dos serviços à população.

Contexto do caso

A investigação teve início após uma correição realizada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

A análise identificou atrasos significativos em processos e levou à adoção de medidas para acelerar o andamento das ações judiciais na comarca.

Com o avanço das apurações, foram reunidos elementos que motivaram a abertura do Processo Administrativo Disciplinar. Após meses de análise, o caso foi levado ao Órgão Especial do TJMT, que decidiu pela demissão da magistrada.

A decisão entra para a história do Judiciário estadual por ser a primeira perda de cargo de uma juíza ainda em estágio probatório em Mato Grosso.

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