A Polícia Federal (PF) revelou que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, recebeu cinco ingressos de camarote para o show da cantora Taylor Swift em 2023. As entradas, de altíssima cobertura e com valores inflacionados pela alta disputa da turnê “The Eras Tour”, custaram R$ 63.339,00 e foram pagas por uma empresa ligada a fundos do Banco Master.
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). O episódio é citado pelos investigadores como um exemplo claro do “elevado grau de confiança pessoal” e da proximidade entre o parlamentar e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“Pronto amigo. Seguem os outros dois”
O avanço das investigações ocorreu após a extração de dados do celular de Augusto Lima. Mensagens datadas de 23 de novembro de 2023 mostram Jaques Wagner perguntando diretamente ao empresário sobre os “ingressos de sábado”.
Em resposta, Augusto enviou os arquivos digitais dos bilhetes de camarote. Na sequência, o senador baiano solicitou que o número de entradas fosse ampliado para cinco pessoas, visando atender a membros de seu núcleo familiar. O empresário prontamente atendeu ao pedido, respondendo: “Pronto amigo. Seguem os outros dois”.
Há uma pequena divergência geográfica apontada nos relatórios transcritos na decisão: embora Taylor Swift estivesse se apresentando em São Paulo (no Allianz Parque) no dia 25 de novembro de 2023, trechos do documento da PF citam que as mensagens fariam menção a um show em Los Angeles, na Califórnia — cidade onde a cantora também se apresentou em agosto daquele ano. A PF confirmou o repasse dos bilhetes, mas não especificou se o próprio senador compareceu ao evento ou se as entradas foram usufruídas apenas por seus parentes.
Logística e o esquema maior
De acordo com os autos, a compra dos ingressos foi providenciada ainda em junho de 2023 pela empresa REAG Investimentos S.A., após orientação direta de Augusto Lima à sua secretária e tratativas com o operador João Carlos Mansur.
A defesa de Augusto Lima manifestou-se em nota, afirmando que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”. A assessoria de Jaques Wagner foi procurada, mas não emitiu resposta até o momento.
Para a PF, o mimo de R$ 63 mil era parte de uma engrenagem maior de vantagens indevidas — que inclui o uso de jatinhos particulares, um apartamento de R$ 2,4 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões — destinadas a garantir o apoio político do líder do governo na tramitação de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.