Convocação de delegados da PF gera questionamentos após operação que atingiu aliados do governo

A decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de convocar de volta delegados da Polícia Federal cedidos a outros órgãos provocou reações dentro da corporação e levantou questionamentos nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Segundo informações divulgadas nos últimos dias, a medida pode afetar diretamente investigações relacionadas ao caso Banco Master e às apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os delegados que podem ser alcançados pela convocação está Thiago Ferreira, atualmente lotado no gabinete do ministro do STF André Mendonça.

Integrantes da Polícia Federal ouvidos por veículos de imprensa avaliam que a medida ocorre em um momento sensível, logo após operações que atingiram pessoas ligadas ao governo federal, entre elas o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que a decisão tenha relação com as investigações em andamento.

A justificativa apresentada pelo governo para a reconvocação dos policiais é a necessidade de reforçar o efetivo da Polícia Federal no combate ao crime organizado. O argumento, no entanto, passou a ser alvo de questionamentos. Críticos da medida observam que a movimentação teria impacto direto apenas sobre o gabinete de André Mendonça, sem atingir, pelo menos até agora, estruturas semelhantes existentes em outros gabinetes do Supremo.

Nos bastidores, a principal indagação é sobre o critério adotado para a mudança. Se a necessidade é ampliar o número de policiais em atividade na corporação, questionam interlocutores da PF e do Judiciário, por que a medida não alcançaria de forma uniforme todos os agentes cedidos ao STF, incluindo aqueles que atuam em outros gabinetes da Corte?

Outro ponto que chama atenção é a informação divulgada por veículos de imprensa de que André Mendonça teria solicitado que a operação relacionada ao caso Master fosse conduzida com elevado grau de sigilo, sem comunicação prévia nem mesmo ao superintendente regional da Polícia Federal. A medida teria sido adotada para evitar vazamentos e preservar a eficácia das diligências.

A documentação referente à convocação dos delegados ainda não teria chegado oficialmente ao Supremo Tribunal Federal. Procurados, o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e o STF ainda podem se manifestar sobre os questionamentos envolvendo os critérios da decisão.

A discussão ocorre em meio ao debate sobre a presença de delegados cedidos a outros órgãos públicos. Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o retorno de policiais federais à corporação, afirmando que o reforço do efetivo é necessário para intensificar o combate ao crime organizado.

Dados da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) apontam que atualmente 53 delegados estão cedidos a diferentes órgãos da administração pública, desempenhando funções consideradas estratégicas pela entidade. A associação defende que eventuais mudanças sejam conduzidas com critérios técnicos e sem prejuízo às investigações em andamento.

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