A permanência do senador Jaques Wagner na liderança do governo no Senado passou a ser alvo de pressão dentro do próprio campo governista. Integrantes do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliados e lideranças do PT defendem que o parlamentar tome a iniciativa de deixar o cargo já nos próximos dias, diante do avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Segundo interlocutores do governo, a avaliação é de que Lula evita afastar sumariamente auxiliares e aliados que se tornem alvo de investigações. No caso de Jaques Wagner, a situação seria ainda mais delicada devido à relação de amizade e confiança construída ao longo de décadas entre os dois petistas.
Apesar disso, cresce nos bastidores o receio de que a crise envolvendo o Banco Master acabe contaminando o Palácio do Planalto e prejudique a articulação política do governo no Congresso Nacional. Integrantes da base governista avaliam que o senador pode perder capacidade de conduzir negociações consideradas estratégicas enquanto seu nome permanece associado ao caso.
A pressão aumentou após a operação da Polícia Federal que atingiu pessoas ligadas ao governo federal. Na avaliação de aliados de Lula, uma eventual saída voluntária da liderança poderia ajudar a reduzir o desgaste político e preservar o governo de novos questionamentos.
A situação ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (18), quando Jaques Wagner afirmou, em entrevista à TV Bandeirantes da Bahia, que recebeu a solidariedade do presidente Lula e que não pretende deixar a liderança do governo no Senado. A declaração foi recebida com críticas por integrantes do próprio campo governista, que defendem um gesto de afastamento temporário até que os fatos sejam esclarecidos.
O debate deixou os bastidores e ganhou dimensão pública após o deputado federal Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, defender abertamente o afastamento do senador em publicação nas redes sociais.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que os próximos dias serão decisivos para definir se Jaques Wagner permanecerá à frente da liderança governista ou se o Planalto buscará uma alternativa para reduzir o impacto político da crise.
Reportagem: Ingrid Santos