O deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (25). A Operação Afluente investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a prefeituras do Maranhão, onde o parlamentar é apontado como líder de uma organização criminosa que exigia 25% de propina sobre os valores repassados.
Vale lembrar que o deputado já possui histórico judicial e chegou a ser condenado anteriormente por cobrança de propina para o encaminhamento de recursos públicos.
A mecânica do desvio e o papel da Codevasf
Segundo as investigações da Polícia Federal, o esquema funcionava através da triangulação de verbas federais. Os valores das emendas parlamentares eram repassados aos municípios maranhenses por intermédio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Após a chegada dos recursos, as prefeituras realizavam contratações de fachada ou direcionadas. O montante era então escoado para empresas que, direta ou indiretamente, possuíam vínculos com o grupo liderado por Maranhãozinho. A “taxa de retorno” (propina) cobrada pelo grupo seria de um quarto do valor total da emenda (25%).
Apreensões e desdobramentos da Operação Afluente
Para desarticular a rede e aprofundar as provas de lavagem de dinheiro, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão distribuídos pelo Maranhão, Goiás e Distrito Federal.
Os principais alvos das buscas foram:
- A residência oficial e endereços ligados ao deputado Josimar Maranhãozinho.
Sedes das empresas contratadas para prestar serviços às prefeituras beneficiadas pelas emendas. - Durante as diligências, imagens divulgadas pelas autoridades registraram a apreensão de vultosas somas de dinheiro em espécie (reais) e até mesmo de um helicóptero pertencente aos investigados.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, peculato (desvio de dinheiro público), lavagem de capitais e organização criminosa.
O que dizem os citados
Procurado pela reportagem para comentar as acusações e as buscas em seus endereços, o deputado Josimar Maranhãozinho não retornou os contatos até a publicação desta matéria.
Já a Codevasf, utilizada como via de repasse no esquema investigado, emitiu nota oficial afirmando que “repudia todo e qualquer desvio na administração pública e que provê suporte integral ao trabalho das autoridades policiais e da Justiça”.