Alline Calandrini, 38, ex-zagueira da Seleção Brasileira feminina e comentarista esportiva da TV Globo, fica noiva em 2024, durante os Jogos Olímpicos de Paris. A mineira Stéphanie de Paula, 29, ex-bailarina do Faustão, atriz, jornalista e escritora, faz um pedido de casamento surpresa em um show na capital francesa.
O pedido que muda a relação em Paris
Em meio à programação cultural dos Jogos, o casal assiste a um show da cantora Amanda Coronha, de quem são fãs. Na última música, o roteiro muda. A artista chama Alline no microfone e anuncia que Stéphanie tem um pedido a fazer.
Alline conta que não desconfia de nada até ouvir o próprio nome ecoar pelo som do palco. “Comecei a suar e tremer. Todo mundo olhando para a gente, gravando. Eu não imaginava realmente que ela fosse me surpreender dessa forma”, relata em entrevista ao jornal O Globo na época.
Stéphanie se ajoelha diante da plateia e das câmeras e faz o pedido. A ex-zagueira, emocionada, aceita sem hesitar. “Estava nos meus planos também fazer o pedido, só que ela me deu uma ‘rasteira’. Ela se ajoelhou e obviamente eu topei. E é mais uma etapa na nossa relação”, resume Alline.
De uma busca na internet a cinco anos de história
A relação começa de um jeito improvável, bem antes da cena em Paris. Alline, ainda em transição capilar, procura na internet referências e informações sobre o processo. Esbarra nos conteúdos de Stéphanie.
O interesse inicial pelo tema vira conversa, amizade, depois romance. Em 5 de dezembro de 2023, as duas comemoram cinco anos juntas. No dia seguinte, 6 de dezembro, Stéphanie publica no Instagram uma longa declaração de amor, celebrando as conquistas do casal.
“Você me lê como ninguém e eu amo ser lida por você”, escreve. No mesmo texto, ela sintetiza a trajetória das duas: “São 5 anos de muitas realizações, incentivos, construções, reconstruções e muito amor. Uma caminhada linda, divina e protegida. Te amo muito e amo a nossa família! Feliz dia 05!!!”.
O relacionamento, que começa discreto, ganha cada vez mais espaço nas redes sociais. As duas dividem rotina, viagens, bastidores de trabalho e planos para o futuro. A exposição aumenta com a projeção de Alline na TV Globo e a presença constante de Stéphanie em programas de entretenimento e em seus próprios quadros digitais.
Carreiras cruzadas entre esporte e entretenimento
Nascida no Amapá, Alline constrói carreira sólida no futebol. Defende clubes, chega à Seleção Brasileira feminina e se aposenta dos gramados como zagueira respeitada. Na sequência, migra para a comunicação esportiva, assume o microfone em grandes coberturas e se destaca como comentarista da Globo, incluindo transmissões do Mundial de Seleções e outros torneios.
Stéphanie, mineira, constrói trajetória multifacetada. Estuda na Espanha e no Rio, faz cursos de TV, teatro, apresentação e moda. Em 2016, participa da novela “A Lei do Amor”, da TV Globo. Em 2018, volta à emissora em “Malhação”.
Em 2019, faz teste para “Bom Sucesso” para viver a filha de Grazi Massafera, papel que acaba com Giovanna Coimbra. No mesmo período, integra o Balé do Faustão e permanece no programa, primeiro como bailarina e depois também como repórter, até 2023, já na Band.
Em casa, carrega ainda uma história familiar singular. O pai, Adelmo José, é ex-padre e deixa a batina ao se apaixonar pela mãe de Stéphanie, a modelo e atriz Fátima. A experiência de ver de perto uma ruptura com expectativas religiosas tradicionais ajuda a moldar o olhar da atriz sobre afeto e fé.
Amor em evidência e resistência às críticas
O noivado em Paris chega a um público já acostumado a acompanhar o casal. Nas redes, as reações são majoritariamente de festa. Torcedores, fãs de futebol feminino, espectadores de programas de entretenimento e seguidores antigos celebram o pedido e a trajetória de mais de cinco anos.
Em meio às mensagens de apoio, surgem críticas religiosas e comentários de ódio. Alline prefere não fugir do tema, mas responde com calma. “Nós somos duas mulheres reservadas, mas não escondemos a nossa relação, os nossos momentos e a nossa vivência. Acolhimento a gente sempre teve. Mas sempre tem um ou outro que vai lá e fala da Bíblia, fala de Deus”, diz.
A comentarista reforça como enxerga fé e família. “Deus fala sobre amor, né? E o amor independe da forma que é, entre dois homens, duas mulheres ou um casal hétero. De forma alguma nos atinge, porque a gente não está fazendo nada errado”, afirma. Para ela, a vida a dois com Stéphanie é “uma história, uma família tradicional. Para mim, isso é tradicional e supernormal”.
O gesto público de Paris, feito por duas figuras conhecidas de universos tradicionalmente conservadores como o futebol e a TV aberta, reforça a presença LGBTQ+ nesses espaços. A cena do pedido, registrada em celulares e compartilhada depois, funciona como contraponto à ideia de que determinados ambientes não comportam afetos diversos.
Planos de casamento, casa cheia e mais visibilidade
O noivado acelera planos que já vinham sendo desenhados. Alline e Stéphanie falam em oficializar a união com uma cerimônia intimista à beira-mar, cercadas por amigos próximos e familiares. Sonham com uma casa grande, filhos e animais de estimação correndo pelo quintal.
Mais do que projeto romântico, a construção dessa família amplia o debate sobre modelos familiares no Brasil. Duas mulheres, em alta visibilidade na mídia, se colocam como casal que trabalha, paga contas, cria planos, enfrenta preconceitos e, ao mesmo tempo, desfruta de momentos banais de afeto. A normalidade dessa rotina, exposta com naturalidade, acaba virando mensagem política.
A exposição não vem sem custo. Setores mais conservadores se sentem desafiados por esse tipo de visibilidade, sobretudo quando parte de uma ex-jogadora da Seleção e de uma artista ligada à TV aberta de grande audiência. Ainda assim, a postura serena do casal indica disposição para seguir em frente. “Que assim seja sempre: vivermos primeiro, juntas”, escreve Stéphanie em um dos trechos da declaração de 2023.
Nos próximos meses, o passo mais concreto deve ser a escolha da data e do local exato do casamento. A médio prazo, a tendência é que a presença das duas na mídia, dentro e fora dos estúdios esportivos, siga estimulando outras atletas, jornalistas e artistas LGBTQ+ a viverem relações de forma aberta. O noivado em um palco de Paris se torna, assim, mais do que lembrança afetiva: vira símbolo de uma mudança lenta, mas consistente, na maneira como o esporte e a televisão tratam a diversidade.
Quem é a namorada de Alline Calandrini?
A namorada e noiva de Alline Calandrini é Stéphanie de Paula, mineira de 29 anos, ex-bailarina do Faustão, atriz, jornalista, escritora e criadora de conteúdo.
Qual é a sexualidade de Alline Calandrini?
Alline Calandrini mantém um relacionamento homoafetivo com Stéphanie de Paula e fala publicamente sobre viver uma família formada por duas mulheres.
Alline Calandrini tem filhos?
Alline Calandrini e Stéphanie de Paula ainda não têm filhos. As duas planejam formar uma família com crianças e animais de estimação no futuro.
Quem é Aline Calandrini?
Alline Calandrini é ex-zagueira da Seleção Brasileira feminina de futebol, nascida no Amapá, e comentarista esportiva da TV Globo, em destaque em grandes coberturas.