Diretor da agência nuclear da ONU diz que Irã precisará de verificação “muito avançada” para comprovar programa atômico

Chefe da AIEA afirma que inspeções serão fundamentais após acordo de paz provisório e reforça preocupação internacional com estoque de urânio enriquecido do país
Redação NC News
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O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta quinta-feira (26) que o Irã precisará passar por um sistema de verificação nuclear “muito avançado” para comprovar que seu programa atômico permanece voltado para fins pacíficos. A declaração acontece em meio às negociações para um acordo definitivo entre Teerã e os Estados Unidos, após a assinatura de um memorando que estabeleceu uma trégua temporária no conflito entre os dois países.

Segundo Grossi, a retomada das inspeções internacionais é considerada indispensável para garantir transparência sobre as atividades nucleares iranianas, principalmente em relação aos estoques de urânio enriquecido acumulados nos últimos anos. A expectativa é que os trabalhos técnicos da agência comecem nos próximos dias, caso o acordo provisório continue sendo cumprido.

O que aconteceu?

A declaração do diretor da AIEA ocorre após a assinatura de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos, que abriu um período de até 60 dias para a construção de um acordo definitivo de paz e para a definição das regras sobre o programa nuclear iraniano.

O documento prevê que a agência da ONU tenha papel central na fiscalização das atividades nucleares desenvolvidas pelo país do Oriente Médio.

Para isso, inspetores internacionais deverão voltar a ter acesso às instalações nucleares iranianas, incluindo locais que armazenam material enriquecido e equipamentos de monitoramento.

Por que a verificação será considerada “muito avançada”?

Segundo Rafael Grossi, a situação atual exige mecanismos de fiscalização mais rigorosos do que os utilizados anteriormente.

Isso porque ainda existem dúvidas sobre a quantidade exata e o destino de parte do urânio enriquecido pelo Irã durante os últimos anos, especialmente após os recentes ataques militares que atingiram algumas instalações estratégicas do país.

Especialistas explicam que uma verificação avançada pode incluir:

  • inspeções presenciais frequentes;
  • monitoramento contínuo por câmeras e sensores;
  • rastreamento de estoques de urânio;
  • análises técnicas sobre a capacidade de enriquecimento do material;
  • auditorias em instalações industriais e laboratórios nucleares.

Qual é a principal preocupação da comunidade internacional?

O maior temor internacional envolve o estoque de urânio enriquecido a níveis próximos do necessário para uso militar.

A AIEA estima que o Irã acumulou centenas de quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, percentual considerado muito próximo do grau utilizado para fabricação de armas nucleares, que gira em torno de 90%. O governo iraniano, por sua vez, afirma que o programa possui objetivos exclusivamente civis e energéticos.

A comunidade internacional busca garantir que o material não seja desviado para fins militares e que qualquer atividade nuclear permaneça sob supervisão permanente dos inspetores da ONU.

O que diz o governo iraniano?

Autoridades iranianas têm demonstrado posições diferentes sobre o retorno imediato das inspeções.

Enquanto o memorando assinado prevê a participação da AIEA na fiscalização do programa nuclear, integrantes do governo de Teerã afirmam que detalhes sobre o acesso às instalações estratégicas ainda dependerão da conclusão de um acordo definitivo e do eventual relaxamento das sanções econômicas impostas ao país.

O Irã também argumenta que parte das limitações atuais de monitoramento ocorreu em consequência dos danos provocados pelos recentes confrontos militares e não por falta de cooperação com os organismos internacionais.

O que acontece agora?

Os próximos 60 dias serão decisivos para definir o futuro do programa nuclear iraniano.

Durante esse período, negociadores dos dois países deverão discutir temas considerados sensíveis, como:

  • limites para o enriquecimento de urânio;
  • quantidade máxima de material armazenado;
  • frequência das inspeções internacionais;
  • mecanismos de transparência e fiscalização;
  • redução gradual das sanções econômicas.

Caso as negociações avancem, a AIEA deverá implementar um dos sistemas de verificação mais complexos já aplicados no Oriente Médio nas últimas décadas.

Qual o impacto para o cenário internacional?

O desfecho das negociações pode influenciar diretamente a estabilidade política e econômica do Oriente Médio.

Um acordo bem-sucedido reduziria as tensões militares na região e diminuiria o risco de novos confrontos envolvendo grandes potências. Por outro lado, eventuais impasses sobre as inspeções ou sobre o estoque de urânio podem ampliar novamente as incertezas geopolíticas e afetar mercados globais, especialmente o setor energético.

Entenda o contexto

O programa nuclear iraniano está no centro das discussões internacionais há mais de duas décadas.

Em 2015, Teerã assinou um acordo com potências mundiais que limitava suas atividades nucleares em troca da suspensão de sanções econômicas. Nos anos seguintes, divergências políticas e novos conflitos enfraqueceram o pacto, aumentando a desconfiança sobre o nível de enriquecimento de urânio mantido pelo país.

Agora, com a assinatura de um novo memorando de entendimento e a perspectiva de um acordo definitivo, a Agência Internacional de Energia Atômica volta a desempenhar papel central para garantir transparência e segurança internacional. Os próximos meses serão decisivos para determinar se a fiscalização avançada defendida pela ONU conseguirá reconstruir a confiança entre as partes envolvidas.

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