O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, foi baleado na manhã deste sábado (27), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Dois homens em uma moto se aproximaram do agente em um semáforo na Avenida Goiás e dispararam à queima-roupa. O policial foi socorrido inconsciente e levado de helicóptero ao Hospital Mário Covas, em estado grave.
Ataque em via movimentada e investigação em curso
O atentado ocorre em uma das avenidas mais movimentadas de São Caetano, em horário de grande circulação. As primeiras informações indicam que Ronickson estava à paisana, em uma moto, parado no sinal vermelho, quando foi surpreendido. Câmeras de segurança registraram a aproximação da dupla e os disparos contra o tenente.
A Secretaria da Segurança trata o caso como tentativa de homicídio. Em nota, afirma: “A Polícia Militar informa que, na manhã deste sábado (27), equipes foram acionadas para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul”. A pasta diz ainda que diligências estão em andamento para identificar e prender os autores. Outras linhas de investigação não são descartadas.
O resgate mobilizou equipes de rua e o helicóptero Águia da PM, que pousou próximo ao local para agilizar o transporte da vítima. Ronickson chegou ao Hospital Mário Covas inconsciente. Não há boletim médico oficial atualizado sobre o quadro de saúde do PM.
A trajetória de Ronickson e o elo com o caso Eloá
O nome de Ronickson entra no noticiário nacional em 2008, não como policial, mas como irmão de Eloá Cristina Pimentel, com 15 anos na época. A jovem foi mantida refém por cinco dias pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, em um conjunto habitacional em Santo André. O desfecho, transmitido ao vivo para todo o país, terminou com a morte da adolescente.
Em depoimento à polícia, Ronickson relembrou episódios de agressão contra a irmã. “Ele era agressivo, sempre arrumava brigas por motivo banal”, disse.
Em 2009, um ano após o crime, Ronickson ingressou na Polícia Militar, depois de servir como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009. Passou pela Academia do Barro Branco e torna-se oficial. Em 2019, passa a integrar o 1º Batalhão de Polícia de Choque, a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a Rota, tropa mais associada ao enfrentamento direto ao crime armado na capital paulista.
Para a Secretaria da Segurança Pública, o episódio pressiona por uma resposta rápida. A pasta já informa que “a ocorrência foi encaminhada à Delegacia Sede de São Caetano do Sul e segue em andamento, com diligências para identificar e localizar os autores do crime”.
Memória do caso Eloá volta ao centro do debate
A ligação de Ronickson com o caso Eloá dá ao atentado uma dimensão nacional. A família Pimentel volta ao noticiário quase 18 anos depois do assassinato que marcou o debate sobre violência contra a mulher e a cobertura da televisão ao vivo.
O atentado contra Ronickson expõe, ao mesmo tempo, duas dimensões da violência brasileira. A da violência doméstica, que tirou a vida de sua irmã, e a da violência urbana, armada, que agora mira um oficial de elite em uma avenida da Grande São Paulo. A mesma família atravessa, em duas décadas, dois episódios extremos da criminalidade.
Pressão por respostas e próximos passos
A partir deste sábado, o inquérito que apura a tentativa de homicídio contra Ronickson passa a disputar espaço com as estatísticas de crimes comuns. A expectativa é de que as câmeras de segurança ao longo da Avenida Goiás e em vias próximas ajudem a traçar a rota de fuga da dupla em moto e a identificar os suspeitos.
O caso tende a reforçar a discussão sobre expansão de sistemas de monitoramento por vídeo, leitura automática de placas e integração de bancos de dados policiais. Também pode alimentar propostas de reforço em protocolos de autoproteção para policiais fora de serviço, em especial aqueles lotados em unidades de choque.
Enquanto o tenente permanece internado em estado grave, o desfecho da investigação e o esclarecimento da motivação ganham peso político em São Paulo. Uma eventual prisão rápida dos responsáveis pode servir de resposta a uma opinião pública já saturada por episódios de violência. Uma apuração lenta ou inconclusa tende a ampliar a sensação de impunidade.