A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 se concentra em Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), mostra pesquisa do Instituto Vox feita entre 25 e 27 de junho de 2026 com 1.480 eleitores. O levantamento, registrado sob o número SP-08939/2026, será divulgado neste domingo, 28 de junho, e consolida o cenário após a saída de outros pré-candidatos e o anúncio de Márcio França (PSB) como vice na chapa petista.
Pesquisa em cenário de menos nomes
O novo retrato da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes surge em um momento de rearranjo das candidaturas. Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) desistem da disputa e abrem espaço para uma polarização mais nítida entre governo e oposição.
A pesquisa do Instituto Vox, com margem de erro de 2,55 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, mede as intenções de voto para o governo paulista em um cenário enxuto, sem candidaturas alternativas de maior peso. O resultado tende a orientar movimentos de partidos que ainda testam nomes e alianças para 2026.
O instituto também pergunta sobre a disputa pelas vagas de São Paulo no Senado, onde figuram André do Prado (PL), Guilherme Derrite (Progressistas), Marina Silva (Rede), Paulinho da Força (Solidariedade), Ricardo Salles (Novo) e Simone Tebet (MDB). Os números vão indicar quem chega competitivo ao maior colégio eleitoral do país e como as chapas para o governo afetam o tabuleiro nacional.
Haddad sela chapa com Márcio França
Enquanto a pesquisa entra na reta final de coleta, Fernando Haddad confirma Márcio França como candidato a vice-governador em sua chapa. O acerto fortalece a aliança entre PT e PSB em São Paulo e amplia o arco de centro-esquerda na disputa.
Haddad traz para perto um ex-governador com trânsito em setores moderados, empresariais e de servidores públicos. França, do PSB, já ocupou o Palácio dos Bandeirantes e construiu base regional importante na Baixada Santista e no interior, ativos valiosos em um embate que tende a ser decidido voto a voto.
A composição também responde a uma preocupação estratégica: reduzir a resistência de eleitores que veem o PT como um partido mais à esquerda e preferem um arranjo que sinalize equilíbrio. O gesto dialoga com o esforço do governo federal de manter alianças amplas em estados-chave, em sintonia com o ministro da Fazenda, que agora volta ao centro do palco paulista.
Tarcísio aposta na união da direita
Do outro lado, Tarcísio de Freitas tenta organizar seu campo político e transformar a máquina do governo em ativo eleitoral sem reproduzir desgastes nacionais. Pré-candidato à reeleição, ele se apresenta como gestor de direita que quer manter São Paulo em rota de investimentos em infraestrutura, segurança pública e obras de mobilidade, ao mesmo tempo em que se mantém alinhado ao grupo que orbita Flávio e Michelle Bolsonaro.
Em entrevista coletiva em Diadema, em 26 de junho, Tarcísio admite que a unidade do grupo é condição para enfrentar uma campanha dura. Ao comentar desentendimentos entre Flávio e Michelle Bolsonaro, o governador trata o atrito como tema doméstico, mas não esconde a preocupação com os reflexos políticos.
“Acho que essa questão da Michelle com ele é uma questão familiar. E é uma questão que a gente tem certeza de que, lá na frente e num tempo breve, eles vão chegar num entendimento, vão poder caminhar. O grupo tem que estar unido, porque o enfrentamento vai ser difícil. A gente vai ter que fazer um confronto de projetos e de visões de futuro, e, quanto mais unido a gente tiver, melhor vai ser”, afirma.
O governador repete, em agendas na região metropolitana, que a vitória depende da capacidade de atrair indecisos e eleitores de centro. A leitura é clara: sem harmonia entre as principais lideranças da direita, o palanque perde fôlego e abre espaço para a chapa alinhada ao Planalto.
Peso nacional do maior colégio eleitoral
O embate entre o governador de São Paulo e o ministro da Fazenda ultrapassa as fronteiras do estado. São Paulo responde por dezenas de milhões de eleitores e influencia a formação de bancadas no Congresso, os rumos da economia e o ambiente para a corrida presidencial.
A polarização antecipada força Republicanos, PT, PSB e partidos aliados a definir cedo suas prioridades. Recursos de campanha, tempo de TV e palanques regionais passam a ser organizados em torno de dois projetos. Um, ancorado na continuidade da gestão de direita de Tarcísio, com discurso de eficiência administrativa, privatizações e parceria com o setor privado. Outro, na proposta de Haddad e França de retomar e ampliar políticas sociais, revisar prioridades de investimentos e reequilibrar a relação entre estado e iniciativa privada.
A ausência de nomes competitivos de terceira via, como Kim Kataguiri e Paulo Serra, tende a intensificar o debate ideológico. Eleitores moderados ficam diante de uma escolha mais direta entre governo e oposição, sem alternativas robustas que funcionem como rota de fuga.
O que está em jogo em 2026
Os resultados da pesquisa Vox, a serem conhecidos em 28 de junho, vão oferecer o primeiro mapa consistente da disputa ao governo de São Paulo em 2026 após as últimas desistências e a definição da chapa Haddad-França. As curvas de intenção de voto de Tarcísio e Haddad servirão de termômetro para estratégias de ambos os lados e podem influenciar também a corrida ao Senado.
Setores diretamente ligados à administração estadual, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e programas sociais, acompanham o movimento com atenção. As visões de futuro em disputa implicam escolhas diferentes sobre privatizações, concessões de rodovias, investimentos em transporte metropolitano e prioridades orçamentárias.
As próximas semanas tendem a trazer novos gestos de acomodação. Na direita, a expectativa é de que Flávio e Michelle Bolsonaro se entendam e reforcem o palanque de Tarcísio. No campo de Haddad, o desafio é consolidar a aproximação com o PSB e atrair outros partidos de centro-esquerda sem espantar eleitores moderados.
Se o desenho atual se mantiver, a eleição de 2026 em São Paulo pode funcionar como prévia do clima nacional, influenciando alianças, narrativas e estratégias para a escolha do próximo presidente e para a composição do Senado e da Câmara.
Quem são os principais candidatos ao governo de São Paulo em 2026?
O cenário hoje se concentra em Tarcísio de Freitas, do Republicanos, atual governador que busca a reeleição, e Fernando Haddad, do PT, ministro da Fazenda.
Quem será o vice-governador na chapa de Fernando Haddad?
Haddad anuncia Márcio França, do PSB e ex-governador de São Paulo, como candidato a vice-governador em sua chapa para 2026.
Qual é o partido do governador de São Paulo e em que campo político ele está?
Tarcísio de Freitas é filiado ao Republicanos e se posiciona no campo da direita, próximo ao grupo político de Flávio e Michelle Bolsonaro.
O que a pesquisa do Instituto Vox vai mostrar sobre o governo de São Paulo?
A pesquisa mede intenção de voto para o governo paulista e para o Senado, em cenário polarizado entre Tarcísio e Haddad, após desistência de outros nomes.