Algoritmo da Fifa redefine melhores da Copa de 2026

Nova ferramenta da Fifa utiliza dados em tempo real para atualizar a lista dos melhores jogadores da Copa de 2026.
Redação NC News
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O alemão Deniz Undav, o canadense Derek Cornelius e o francês Michael Olise aparecem no topo da lista dos melhores jogadores do Mundial de Seleções de 2026 após a fase de grupos, atualizada em 28 de junho. A novidade não está apenas nos nomes, mas na forma como eles chegam lá: pela primeira vez, a classificação é definida por um algoritmo da Fifa, o Power Ranking.

Dados no lugar de opinião no Mundial da era Wenger

A ferramenta estreia no torneio conjunto em Estados Unidos, Canadá e México e altera um ritual tradicional do futebol: a discussão sobre quem é o melhor da competição. Até 2022, a escolha oficial dependia da avaliação subjetiva de um colegiado. Agora, a entidade entrega o veredito a um sistema que coleta e processa dados em tempo real.

O Power Ranking analisa cada ação em campo e distribui notas para jogadores de linha em três frentes compreensíveis para o torcedor: ataque, criatividade e defesa. Para goleiros, entram na conta as defesas e o jogo com os pés, cada vez mais importante em times que constroem desde a área.

Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal e hoje chefe global de desenvolvimento do futebol da Fifa, lidera o projeto. Em nota, ele afirma que o objetivo é mudar o padrão mundial de avaliação individual. “O desempenho não será mais julgado apenas por opiniões. Com o Power Ranking, cada jogador será avaliado por meio de dados objetivos, abrangendo ataque, criatividade e defesa, estabelecendo um novo padrão global para o desempenho individual no futebol”, diz.

Os novos protagonistas: Undav, Olise, Cornelius e a reação brasileira

Na prática, o algoritmo já bagunça hierarquias estabelecidas. No setor ofensivo, Deniz Undav mantém a liderança da lista de ataque, mesmo após a derrota da Alemanha por 2 a 1 para o Equador na última rodada da fase de grupos. O atacante aparece à frente de Lionel Messi, que amplia seu recorde de gols em Mundiais e ocupa a segunda posição, seguido por Kylian Mbappé, da França.

O brasileiro Vinícius Jr. ganha terreno nessa disputa. Com os dois gols marcados contra a Escócia, chega a 4 gols em três jogos na fase de grupos, marca que historicamente costuma embalar campanhas brasileiras em torneios de seleções. O desempenho rende ao camisa 7 uma subida no top 10 ofensivo do Power Ranking.

No outro extremo do campo, o canadense Derek Cornelius é o único jogador a conservar a liderança do início ao fim da fase de grupos. Mesmo com a derrota por 2 a 1 para a Suíça, o zagueiro sustenta o primeiro lugar no ranking defensivo, enquanto o Canadá avança em segundo no Grupo B. O brasileiro Casemiro estreia nessa lista na sétima colocação, sinal de que o algoritmo também reconhece o impacto de meio-campistas na proteção da defesa.

Entre os criadores de jogadas, o protagonista é francês. Michael Olise lidera pela segunda atualização consecutiva o ranking de criatividade, impulsionado por 3 assistências. Divide o topo dessa estatística bruta com Bruno Guimarães, do Brasil, e Alexander Isak, da Suécia, mas é o único desses no top 10 criativo do Power Ranking. Mbappé também aparece na lista, em quinto lugar, fazendo da França o único país com dois jogadores entre os mais criativos do torneio.

O sistema produz ainda recortes incômodos. Elijah Just, da Nova Zelândia, figura entre os destaques ofensivos apesar da eliminação precoce. O tunisiano Hannibal Mejbri aparece na lista de criatividade mesmo voltando para casa após a primeira fase. No ranking defensivo, o turco Ismail Yüksek é o único representante de uma seleção já eliminada. Jogadores fora do radar midiático ganham espaço que antes dependia do olhar de comentaristas e da caminhada de suas seleções.

França exportadora, elenco fechado em casa

O desempenho de Olise e Mbappé reforça outro dado que chama a atenção no Mundial de 2026: o peso da França como produtora de talento. Ao todo, 98 jogadores nascidos em solo francês estão inscritos no torneio, defendendo tanto a seleção principal quanto equipes de países com laços históricos com Paris, sobretudo na África e no Caribe. É o maior contingente de atletas de uma mesma origem nacional espalhados pelo campeonato.

Dentro do elenco comandado por Didier Deschamps, porém, o cenário é quase homogêneo. Dos 26 convocados, apenas o goleiro reserva Brice Samba nasce fora do território francês europeu, na República do Congo. Marcus Thuram, que atua no ataque, vem ao mundo em Parma, na Itália, mas é cidadão francês nato, filho de pais franceses. O grupo repete, com pequena variação, o perfil observado no Mundial de 2022, quando apenas dois jogadores tinham nascimento registrado fora da França europeia.

A combinação entre forte base interna e ampla diáspora alimenta debates sobre formação, identidade e escolha de seleção. Atletas com dupla ou tripla nacionalidade equilibram trajetória em centros de treinamento franceses com a possibilidade de representar países de origem familiar. Para federações africanas e caribenhas, esses vínculos ajudam a elevar o nível técnico de seus times. Para a França, confirmam a força de um sistema de categorias de base que abastece o próprio time e boa parte do Mundial.

Transparência, desconfiança e efeitos no mercado

O Power Ranking atinge não só o orgulho de torcidas, mas o modo como o futebol se organiza. Clubes e seleções encontram nas listas uma vitrine de desempenho quantificado, útil para scouting, negociações e desenho de estratégias. Jogadores que dependiam de destaques ocasionais na televisão passam a ter uma espécie de currículo estatístico público, atualizado jogo a jogo.

Analistas e técnicos mais alinhados à cultura de dados veem a iniciativa como avanço. As métricas ajudam a comparar funções distintas e a sair da dependência do gol ou da jogada plástica. Ao mesmo tempo, a Fifa ainda não divulga os pesos e critérios exatos do algoritmo, o que alimenta desconfiança. Especialistas questionam até que ponto um modelo matemático consegue captar nuances de posicionamento, liderança e leitura de jogo, aspectos difíceis de traduzir em números.

A atualização de 28 de junho já indica um efeito colateral provável: a valorização de atletas que não estão entre os mais midiáticos. Deniz Undav e Derek Cornelius entram na conversa sobre os melhores jogadores da copa do mundo 2026, mesmo sem o apelo global de Messi ou Mbappé. Contratações futuras podem se apoiar mais nesses indicadores do que em tradições de peso de camisa ou em campanhas de marketing.

Para o torcedor, o Power Ranking oferece um novo tipo de referência, acessível em tempo real e atualizado ao fim de cada rodada. Discussões sobre o melhor jogador de cada copa do mundo ganham um capítulo a mais, agora com tabelas, gráficos e recortes por função. A lista de convocados para a copa do mundo de 2026, que já circula com fotos e minúcias de todos os jogadores da copa do mundo de 2026, passa a ser lida também à luz do potencial de pontuação futura no sistema.

O que vem depois de 2026

A experiência de 2026 tende a servir de laboratório. A própria Fifa indica que deve aprimorar o Power Ranking, ampliar a explicação pública sobre o algoritmo e, possivelmente, levar o modelo para outras competições internacionais. Ligas nacionais e confederações continentais observam o teste norte-americano para decidir se embarcam na mesma direção.

No horizonte, surgem efeitos mais profundos. Premiações individuais, de melhor em campo a craque do torneio, podem migrar de vez da opinião para fórmulas numéricas. Categorias de base ajustam treinos para otimizar indicadores específicos de ataque, criatividade ou defesa. Seleções analisam pré lista dos convocados para copa do mundo 2026 com filtros estatísticos mais rígidos.

O próximo grande ensaio deve ocorrer na próxima copa do mundo 2030, quando o Power Ranking já terá acumulado quatro anos de ajustes. Até lá, uma pergunta segue em aberto: o futebol vai se reconhecer no espelho dos algoritmos ou vai insistir em confiar mais no olho do torcedor do que no cálculo da máquina?

Como funciona o Power Ranking na prática?

O sistema acompanha as partidas em tempo real, registra ações como finalizações, passes, desarmes e posicionamento, e transforma esses eventos em notas separadas para ataque, criatividade e defesa. Goleiros recebem avaliação específica de defesas e participação com os pés.

O Power Ranking define o prêmio de melhor jogador do Mundial?

A ferramenta orienta a avaliação da Fifa ao longo do torneio e influencia a escolha dos melhores jogadores, mas a entidade ainda não detalha exatamente quanto peso os números têm nas premiações finais.

A lista de convocados para a Copa de 2026 mudou por causa do algoritmo?

As convocações ainda dependem majoritariamente da comissão técnica de cada seleção. O Power Ranking estreia como instrumento de análise durante o torneio, mas tende a ganhar espaço em futuras pré-listas e cortes finais.


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