O apresentador André Marques anunciou neste domingo, 28 a adoção de uma égua destinada ao abate e leva o animal para sua fazenda no interior do Rio. Hope, como é chamada, passa a viver no Recanto do Marques, área rural entre Guapimirim e Cachoeira de Macacu, onde inicia um processo de adaptação ao lado do cavalo Rico.
Resgate em cima da hora e destino revertido
A história de Hope chega a André por mensagem de uma menina, que o procura oferecendo a adoção. Ela explica que a égua tem um problema em uma das patas, torta para dentro, o que a torna “inútil” para trabalho e montaria em um sistema que exige força e desempenho.
Sem serventia econômica, o caminho de Hope aponta para o abate e para a produção de carne seca. A perspectiva comove o apresentador, que decide intervir. “O destino dela, infelizmente, seria muito triste. Ela estava indo embora para virar carne seca. Na hora eu falei: ‘Não’. A Hope vem para a Terrinha”, relata.
Nas redes sociais, ele registra o momento em que o caminhão chega ao Recanto do Marques e a égua desce, assustada, para o novo lar. “A adoção na terrinha está chegando. Até agora o nome dela é Hope. É uma égua. Falaram que ia virar carne seca e aí eu resolvi adotar para que ela pudesse vir para cá e ela acabou de chegar”, conta em vídeo.
Adaptação em fazenda familiar e cuidado técnico
Hope encontra um cenário em transformação. Depois da morte do pai, Otto, em 2025, André assume a reforma do sítio da infância, que ficara abandonado durante o tratamento de câncer do patriarca. O espaço renasce como Recanto do Marques, mistura de homenagem familiar e projeto de vida no campo.
Nesse ambiente, a égua assume papel simbólico. “E assim começa a primeira adoção aqui da Terrinha. Uma égua linda, carinhosa, cheia de manias e super divertida. Daquelas que chegam de mansinho e já ocupam um espaço enorme no coração”, escreve o apresentador.
Ele admite o nervosismo com a nova responsabilidade. “Ela é uma princesa bonitona. Que linda! Ela é assustadinha, né? […] A Hope tem chance de mudar de nome, mas é a primeira adoção aqui do ‘Recando do Marques’. Estou nervoso porque não tenho conhecimento nenhum de cavalo, mas a Dra. Camila é especializada em grande porte e está todo mundo aqui na movimentação”, diz.
A veterinária Camila, especialista em animais de grande porte, coordena o manejo inicial. O foco é reduzir o estresse da mudança, avaliar a pata comprometida e ajustar alimentação, espaço e rotina. A preocupação é garantir que a limitação física deixe de ser sentença de morte e se torne apenas uma condição a ser respeitada.
Uma “novela de casal” com o cavalo Rico
Hope não chega sozinha ao novo capítulo de sua vida. André planeja que ela seja companheira do cavalo Rico, que já vive na fazenda. O encontro, no entanto, não é imediato nem romântico como o dono imagina. Exige distância controlada, observação e paciência.
“A Hope é carinhosa, curiosa, chega perto, quer amizade… já o Rico, mesmo castrado, ainda anda meio confuso nessa história toda. Não sabemos se a castração dele foi tardia, mas ele ainda tenta dar uns coices, umas mordidinhas, faz aquele drama… e ao mesmo tempo não desgruda dela”, descreve o apresentador, em tom bem-humorado.
Por ora, os dois dividem a mesma área apenas pelo olhar. “Por enquanto, colocamos uma baia do lado da outra, mas eles ainda estão separados, cada um no seu espaço, se conhecendo com calma e segurança. Segue aquela novela de casal: se paquerando, se estranhando, se odiando um pouquinho… mas eu acho que no final vão acabar se amando”, aposta André.
A dinâmica entre Hope e Rico humaniza o processo para o público. O estranhamento, a curiosidade e a convivência gradual ajudam a traduzir, em imagens e metáforas, o que técnicos descrevem como protocolo de adaptação segura entre equinos.
Impacto simbólico e debate sobre bem-estar animal
O resgate de um único animal costuma passar despercebido fora da rotina de fazendas e abatedouros. Quando parte de uma figura conhecida da televisão, porém, o gesto ganha alcance e vira ponto de partida para debates maiores.
A decisão de André ilumina uma engrenagem pouco visível: a de animais considerados “impróprios” para trabalho por causa de deformidades ou doenças crônicas. Em muitos casos, eles seguem automaticamente para o abate, alimentando segmentos que lucram com carne seca e outros derivados.
Ao dar rosto, nome e história a Hope, o apresentador desloca esse destino do campo econômico para o ético. A égua deixa de ser estatística e se torna personagem que o público acompanha em tempo real, com vídeos diários e relatos emocionados. “Apresento a vocês a Hope”, escreve ele, transformando um ato privado em narrativa compartilhada.
O movimento também valoriza profissionais de bem-estar animal, como veterinários e especialistas em manejo de grandes mamíferos. Sem o apoio técnico de gente como a Dra. Camila, a adoção de um equino com sequelas poderia ser apenas uma boa intenção com risco de sofrimento prolongado. No Recanto do Marques, a combinação de afeto e conhecimento serve de vitrine para práticas mais responsáveis.
Repercussão, luto e uma nova fase pública
A história da égua que “escapa” da carne seca para ganhar uma baia na serra rapidamente circula entre fãs, perfis de celebridades e páginas dedicadas à causa animal. Comentários exaltam a “sensibilidade” de André e a “sorte” de Hope. A narrativa, contudo, se encaixa em uma mudança mais ampla na vida do apresentador.
Desde a morte do pai, ele associa o Recanto do Marques a uma reconstrução pessoal. O sítio recuperado, os animais chegando, a rotina no campo e as homenagens constantes a Otto projetam uma imagem diferente daquela dos tempos de estúdio e programas diários. A adoção de Hope reforça essa virada e sugere uma agenda mais ligada a sustentabilidade, ambiente e proteção animal.
Se o gesto de agora abre espaço para uma militância estruturada ainda é uma incógnita. A exposição do caso, porém, já pressiona o debate público. Mostra que há alternativas concretas ao abate de animais com limitações físicas, especialmente quando existem recursos, área e suporte técnico para acolhimento.
Enquanto Hope se acostuma aos sons do Recanto e à presença desconfiada de Rico atrás das grades, o caso reverbera fora das cercas. A continuidade da adaptação, a evolução da pata e a convivência com outros animais tendem a alimentar novas postagens e, com elas, mais gente disposta a olhar duas vezes para o destino de cavalos, éguas e mulas tidos como “inúteis”.
No curto prazo, a história da égua resgatada se soma a outras iniciativas de celebridades em defesa de animais e do meio ambiente. No médio, pode influenciar políticas de fiscalização, programas de adoção e projetos privados de santuários rurais. Para André, a próxima etapa é menos abstrata: garantir que, daqui a alguns meses, Hope e Rico já não sejam novela, mas casal estabelecido, pastando lado a lado no terreno onde ele tenta reaprender a viver depois do luto.
Como está a vida de André Marques hoje?
Após a morte do pai em 2025, André investe na recuperação do Recanto do Marques, sua fazenda entre Guapimirim e Cachoeira de Macacu, e passa a mostrar mais a rotina no campo e seu envolvimento com animais e projetos pessoais ligados à vida rural.
André Marques tem filhos?
As informações sobre a adoção da égua Hope e o momento atual de André tratam apenas da relação dele com a família de origem e com o pai, Otto. Não há, nesse contexto, menção a filhos.
Onde André Marques mora atualmente?
Ele não detalha mudança definitiva de endereço, mas mostra que passa boa parte do tempo no Recanto do Marques, sua propriedade rural localizada entre Guapimirim e Cachoeira de Macacu, no estado do Rio de Janeiro.