Subsídio aos Combustíveis: Governo inicia retirada e corta auxílio do diesel

Com a queda internacional do preço do petróleo, subvenção de R$ 0,35 por litro chega ao fim nesta quarta-feira (1º); isenção da gasolina e do gás de cozinha estão na mira da equipe econômica.
Redação NC News
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O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o início da retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, criados de forma emergencial para conter a alta desenfreada dos preços gerada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A primeira medida prática de corte já tem data para entrar em vigor: a partir desta quarta-feira, 1º de julho, chega ao fim a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel.

A decisão foi validada pela equipe econômica após a estabilização do cenário internacional. Com o acordo parcial de cessar-fogo no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo tipo Brent recuou e voltou a ser negociado na casa dos US$ 70, um patamar muito semelhante ao período anterior à eclosão do conflito.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a queda da commodity no mercado externo reduziu a necessidade de manter as medidas de contenção de preços. No entanto, ele alertou o mercado de que o corte no diesel é apenas o primeiro passo e que o governo avalia diariamente a retirada dos demais incentivos atualmente em vigor.

O que muda no preço e quais subsídios continuam valendo?
Neste primeiro momento, os postos e distribuidores sentirão apenas o impacto do fim da subvenção de R$ 0,35 no litro do diesel. As demais isenções fiscais, concedidas em março deste ano, continuam ativas, mas já passam por um processo de avaliação rigorosa para os próximos cortes.

  • Benefícios que ainda seguem em vigor no país:

    Diesel: Subsídio complementar de R$ 1,12 por litro.
  • Gasolina: Subsídio ativo de R$ 0,44 por litro.
  • Gás de Cozinha (GLP): Manutenção do subsídio integral para conter a alta do botijão.
  • Biodiesel: Desoneração total de tributos federais.
  • Querosene de Aviação: Desoneração de impostos mantida.

O presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, pontuou que o planejamento para a retirada das subvenções foi desenhado para ocorrer de forma técnica, sem provocar um choque abrupto nos preços repassados ao consumidor final nas bombas.

O peso dos combustíveis no equilíbrio das contas públicas

Além de refletir a calmaria no cenário internacional do petróleo, a retirada gradual dos subsídios possui uma motivação interna inegociável: a proteção do caixa do governo. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, explicou que a medida é vital para garantir o cumprimento da meta fiscal estipulada para 2026.

Com a recente queda no valor do barril do petróleo, o governo federal também registrou uma forte redução na arrecadação extraordinária proveniente de royalties e tributos de exportação da commodity — justamente os recursos que estavam financiando os bilhões em subsídios.

“Mantida essa premissa da neutralidade fiscal, vamos retirando as subvenções, de modo que a nossa meta de resultado primário seja cumprida, sem nenhuma mudança”, declarou Moretti.

A expectativa do Palácio do Planalto é que, caso os preços internacionais não voltem a disparar devido a tensões geopolíticas, os incentivos restantes sobre a gasolina e o diesel sejam retirados nas próximas semanas, forçando o mercado interno a absorver novamente os custos reais e integrais dos combustíveis.

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