Estudo aponta mais de 8 mil mortes em ações policiais no RJ desde 2019 e aumento da letalidade em 2025

Levantamento mostra aumento de 13,8% nas mortes neste ano e aponta que a maioria das vítimas é formada por homens negros e jovens.
Redação NC News
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O Rio de Janeiro voltou ao centro do debate sobre segurança pública após a divulgação de um novo levantamento que aponta mais de 8 mil mortes decorrentes de intervenções policiais no estado desde 2019. O boletim, divulgado nesta quarta-feira (1º), também indica aumento da letalidade policial em 2025 e destaca que jovens negros continuam sendo as principais vítimas registradas.

O estudo, intitulado “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, foi elaborado pela Rede de Observatórios e reúne informações de nove estados brasileiros com base em dados fornecidos pelas próprias secretarias estaduais de Segurança Pública.

O que mostra o levantamento?

Segundo o relatório, o Rio registrou 800 mortes por intervenção policial em 2025, número 13,8% superior ao contabilizado no ano anterior.
Os pesquisadores afirmam que pessoas negras têm seis vezes mais chances de morrer durante ações policiais do que pessoas brancas.

O cálculo leva em consideração a taxa de mortes para cada grupo racial a cada 100 mil habitantes.

O levantamento aponta ainda que 88,6% das vítimas registradas em 2025 eram pessoas pretas ou pardas, enquanto esse grupo representa cerca de 57,8% da população fluminense.

Outro dado que chama atenção é a idade das vítimas. Segundo o estudo, 455 pessoas mortas em intervenções policiais neste ano tinham até 29 anos, o equivalente a 57% do total.

O documento também afirma que o Rio foi o único estado analisado com registro de mortes de crianças de até 11 anos durante intervenções policiais em 2025.

Especialistas defendem mudanças

Para o coronel da reserva José Vicente Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública, os números demonstram a necessidade de mudanças na política de segurança adotada pelo estado.

Na avaliação dele, é preciso ampliar mecanismos de controle sobre o uso da força, investir em treinamento e evitar situações que possam estimular o uso excessivo da violência durante operações policiais.

A pesquisadora Manuela Peclat, representante da Rede de Observatórios no Rio de Janeiro, afirma que os dados indicam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para combater o crime organizado e reduzir a letalidade.

Segundo ela, o perfil predominante das vítimas evidencia que jovens negros continuam sendo os mais atingidos pela violência registrada nas operações policiais.

Operação Contenção volta ao centro das discussões

O relatório também cita a Operação Contenção, realizada pela Polícia Civil no Complexo do Alemão, em outubro de 2025.
De acordo com o estudo, a ação resultou em mais de 120 mortes e é classificada pelos pesquisadores como a operação policial mais letal já registrada no país.

O documento também menciona denúncias encaminhadas ao Ministério Público e a órgãos de controle sobre supostos abusos durante as incursões, incluindo relatos de invasões de residências, furtos e roubos atribuídos a agentes de segurança.

As denúncias seguem sob análise das autoridades competentes.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil afirmou que todas as mortes registradas durante a Operação Contenção ocorreram em confrontos provocados pela resistência armada de criminosos.
Segundo a corporação, a operação teve como objetivo combater organizações criminosas fortemente armadas que dominavam comunidades, utilizavam barricadas, armamento de guerra e promoviam ataques contra forças de segurança.

A instituição também afirmou que continuará atuando dentro da legislação e que o uso da força será empregado sempre que necessário para proteger a população e os próprios agentes durante confrontos.

Debate sobre câmeras corporais

O levantamento também aborda o uso de câmeras corporais pelos policiais.

Segundo os pesquisadores, durante a Operação Contenção apenas 23% dos agentes utilizavam os equipamentos.
Para José Vicente Filho, além da adoção das câmeras, é necessário ampliar mecanismos de fiscalização, estabelecer protocolos claros para operações e investir continuamente na formação dos policiais.

O que acontece agora?

A divulgação do estudo deve ampliar o debate sobre o modelo de segurança pública adotado no Rio de Janeiro.

Enquanto pesquisadores defendem mudanças nas estratégias de enfrentamento ao crime e redução da letalidade, as forças de segurança sustentam que as operações são realizadas dentro da legalidade e que muitas mortes acontecem durante confrontos iniciados por criminosos armados.

O tema continua sendo acompanhado por órgãos de controle, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

  • Mais de 8 mil mortes em ações policiais desde 2019.
  • 800 mortes por intervenção policial em 2025.
  • 13,8% de aumento em relação a 2024.
  • 88,6% das vítimas eram pretas ou pardas.
  • 57% das vítimas tinham até 29 anos.

Entenda o contexto

A letalidade policial é um dos temas mais debatidos da segurança pública no Rio de Janeiro.

Organizações da sociedade civil defendem mudanças nas estratégias de combate ao crime e maior controle sobre as operações.

Já as forças de segurança afirmam que enfrentam organizações criminosas fortemente armadas e que muitas ocorrências decorrem de confrontos iniciados por integrantes dessas quadrilhas.

O assunto permanece em discussão entre especialistas, autoridades, órgãos de fiscalização e representantes da sociedade civil, que divergem sobre quais medidas são mais eficazes para reduzir a violência sem comprometer o combate ao crime organizado.

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