Crise com Michelle leva Damares a recuar de campanha de Flávio

Damares Alves se afasta da campanha de Flávio Bolsonaro após desentendimento com Michelle Bolsonaro.
Redação NC News
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Damares Alves avisa, às vésperas de 1º de julho de 2026, que não vai mais ao principal evento feminino da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A senadora ameaça também abandonar a colaboração na formulação de propostas sociais do pré-candidato do PL.

Racha expõe fragilidade da ofensiva feminina

O recuo ocorre no momento em que Flávio tenta reduzir sua rejeição entre mulheres, um dos maiores desafios da candidatura de 2026. A ausência de Damares e de Michelle Bolsonaro, que presidia o PL Mulher, expõe um racha num dos núcleos mais simbólicos do bolsonarismo.

A agenda em Brasília, marcada para 1º de julho, é pensada como vitrine da guinada de comunicação com o eleitorado feminino. Com a desistência de duas das figuras mais reconhecidas do campo conservador entre mulheres, o ato perde força política e simbólica.

Damares vinha sendo cortejada desde junho para ajudar a escrever o capítulo de direitos humanos e assistência social do programa de governo de Flávio, em articulação conduzida por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e hoje um dos nomes cotados para a vice. O objetivo é dar um selo de autoridade à área mais sensível da campanha.

Vídeo de Michelle detona crise familiar e política

A engrenagem começa a travar depois do vídeo de 27 minutos publicado por Michelle Bolsonaro, na semana anterior, em que ela diz ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado. A gravação leva a público uma disputa que vinha crescendo nos bastidores sobre a estratégia do PL no Ceará e alianças com figuras como o ex-governador Ciro Gomes, hoje no PSDB.

O desabafo de Michelle desencadeia reação em cadeia. Aliados de Eduardo Bolsonaro, como o jornalista Paulo Figueiredo, passam a atacar não só a ex-primeira-dama, mas também Damares, vista como uma de suas principais aliadas no Congresso.

Nesse ambiente, a senadora adota primeiro um tom conciliador. Tenta aproximar Michelle e Flávio, conversa com aliados, sinaliza que pode ajudar a costurar uma trégua. Em público, diz que está “orando” para decidir se participa ou não do encontro de mulheres da campanha.

O gesto, porém, não basta para conter o fogo amigo.

Fogo amigo e resposta de Damares

Nas redes, Paulo Figueiredo cobra a senadora, ironiza sua dúvida sobre ir ao evento e a acusa de aderir à “militância feminista” e a “projetos esquisitos” para a direita. A provocação irrita Damares, que reage em tom pessoal.

“Sou uma mulher que não fica atrás de um computador, mas encara as lutas e demandas em pé, olhando nos olhos dos adversários”, afirma a senadora, ao rebater o jornalista. Em conversas reservadas, avisa a interlocutores que não aceitará “pegar bala” de aliados de Eduardo enquanto tenta apagar incêndios na família Bolsonaro.

Pressionada, acaba batendo o martelo: não irá ao encontro em Brasília. Questionada por aliados sobre a presença, responde de forma direta: “Não vou não. Acho que a Michelle também”.

Na mesma faixa de tempo, outro aliado radical, o blogueiro Oswaldo Eustáquio, que vive na Espanha, passa a atacá-la, chamando-a de “uma das maiores feministas do Brasil” e fazendo insinuações sobre a vida conjugal da senadora. A escalada convence Damares de que, por ora, o custo político de se expor na linha de frente da campanha é alto demais.

Michelle se afasta, PL tenta conter danos

Michelle também se afasta. Em comunicado interno ao PL, ela informa que deixa a presidência do PL Mulher para se dedicar à família. “Deixei o comando do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, escreve.

A decisão preocupa a direção do partido. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, marca para 30 de junho de 2026 uma reunião com Michelle, em Brasília, para tentar reaproximá-la da campanha de Flávio. Sai do encontro sem uma solução definitiva.

A campanha reage com um plano alternativo. Mantém o evento de 1º de julho, com a presença de deputadas como Soraya Santos, Julia Zanatta, Simone Marquetto e Chris Tonietto, além da própria Daniella Marques. Todas são citadas nos bastidores como possíveis companheiras de chapa do senador carioca.

Também acelera o desenho do programa “Brasil Para Elas”, pacote de propostas para mulheres que a pré-campanha promete lançar em 15 de julho. O texto prevê ações de combate à violência doméstica, incentivo ao empreendedorismo feminino e políticas para a chamada economia do cuidado.

Flávio busca tom moderado e tenta descolar da briga

Flávio procura se afastar da disputa familiar em público. Em entrevistas, repete que o episódio com Michelle virou “página virada” e diz repudiar falas machistas de apoiadores. Tenta se apresentar como conservador moderado e pai preocupado com o futuro das filhas.

A interlocutores, admite que sua candidatura “precisa muito das mulheres” e que a entrada de Damares no núcleo programático seria um ativo para essa aproximação. Sem a ex-ministra e sem a ex-primeira-dama à frente do PL Mulher, o esforço ganha contornos mais difíceis.

Pesquisas internas, segundo auxiliares, mostram resistência consistente ao seu nome entre eleitoras que rejeitam o estilo agressivo de parte do bolsonarismo. A crise expõe essa contradição: enquanto o discurso busca moderação, o entorno digital mantém o tom de ataque, inclusive a mulheres do próprio campo.

Impacto na disputa de 2026 e incertezas

A ameaça de Damares de abandonar a colaboração não atinge apenas uma linha do programa, mas o desenho político da candidatura. Ex-ministra de Jair Bolsonaro e hoje senadora pelo Distrito Federal, ela se tornou uma referência entre evangélicos, ativistas pró-vida e segmentos conservadores ligados a políticas sociais.

Sem sua assinatura nas propostas e sem sua presença em palanques, o “Brasil Para Elas” corre o risco de ser visto como um pacote desenhado de cima para baixo, mais marketing do que mudança real. A ausência de Michelle, por sua vez, retira da campanha o rosto feminino mais conhecido do bolsonarismo, justamente no momento em que ele precisa mostrar unidade.

Dentro do PL, a leitura é que a crise abre espaço para adversários explorarem a fragilidade da candidatura de Flávio entre mulheres. Também evidencia o dilema central do grupo: como preservar a coesão de uma família política marcada por disputas internas e, ao mesmo tempo, falar com um eleitorado que rejeita brigas públicas e ataques pessoais.

Os próximos passos passam pela tentativa de Valdemar de recompor pontes com Michelle, pelo lançamento efetivo do “Brasil Para Elas” em 15 de julho e pela decisão de Damares sobre se manterá, ou não, algum tipo de colaboração de bastidor. Até lá, a campanha segue em campo minado, com o principal flanco aberto justamente no segmento que o pré-candidato diz querer conquistar.

Quem é Damares Alves?

Damares Alves é senadora pelo Distrito Federal, eleita em 2022. Foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro.

O que aconteceu com Damares Alves?

Ela foi atacada por aliados bolsonaristas após defender Michelle Bolsonaro e, diante da crise, avisou que não irá a evento da campanha de Flávio e pode deixar a colaboração.

Damares Alves tem filhos?

Damares é conhecida por mencionar uma filha adotiva em discursos e entrevistas, mas a reportagem não tem, neste contexto, detalhes adicionais sobre sua família.

Qual a igreja da Damares Alves?

Damares é ligada ao meio evangélico e se apresenta como pastora, mas este texto não detalha sua filiação atual a uma igreja específica.


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