Aos 34 anos, em plena disputa do Mundial de Seleções de 2026 nos Estados Unidos, Neymar Jr. enfrenta uma cobrança fora de campo: a ausência da filha Helena, de quase 2 anos, e o desgaste público da imagem de pai dedicado. A mãe da menina, a modelo e influenciadora Amanda Kimberlly, afirma que não houve convite para que a criança viajasse e acompanha a polêmica à distância, do Brasil.
Modelo sai dos bastidores e entra no centro da crise
Amanda Kimberlly circula há alguns anos no universo de reality shows, moda e redes sociais. O nome dela, porém, ganha outra dimensão quando entra no noticiário ligado a Neymar. Foi de um breve relacionamento entre os dois, anunciado ao público em janeiro de 2024 e confirmado por teste de DNA após o nascimento, que nasceu Helena.
Enquanto Davi Lucca, de 14 anos, filho de Neymar com Carol Dantas, e as pequenas Mavie, de 2 anos, e Mel, de 11 meses, filhas com Bruna Biancardi, se integram com naturalidade ao entorno do jogador, Helena aparece como ponto cego. O fato de a menina não estar nos Estados Unidos, em um torneio apontado como possivelmente o último Mundial de Neymar, acende o debate: até onde vai a imagem de “paizão” construída nas redes e na publicidade, e onde começam as falhas de combinação na vida real?
Nas redes brasileiras, a pergunta “cadê Helena?” vira assunto recorrente a cada jogo. O incômodo explode em 29 de junho de 2026, depois de Brasil x Japão, quando Amanda decide contar sua versão e desafiar a narrativa que a colocava como responsável por barrar a viagem da filha.
“Não houve convite para haver uma recusa”
Em uma sequência de publicações, Amanda relata que se preparou para a possibilidade de Helena acompanhar o pai. Diz que providenciou, com antecedência, toda a documentação necessária, inclusive para babás que a ajudariam na rotina da criança.
“Todo pós-jogo a internet faz um espetáculo com o meu nome e o da Helena, por puro preconceito e desinformação”, afirma. Segundo ela, o planejamento começou cerca de um mês antes da concentração da seleção. “Tirei o visto de todos. Queria levar todo mundo nas costas do Ney (risos)”, ironiza um internauta, em comentário reproduzido por veículos como a CNN Brasil, espelhando o clima de deboche e cobrança em torno do tema.
Amanda insiste que não partiu dela qualquer veto. “Não houve convite para haver uma recusa”, diz. Em outro momento, reforça a sensação de deslocamento em relação ao núcleo mais visível da família paterna: “Se eu sou ou não bem-vinda, eu não sei. Mas a presença dela não foi solicitada por ninguém. Essa história de que eu barraria a ida dela meio que não faz sentido”.
Ela se irrita com a transferência de responsabilidade para outras figuras ligadas a Neymar. “Parem de jogar a culpa em outras pessoas. Isso é um assunto meu e do pai dela. Toda hora querem envolver outras pessoas em um assunto que diz respeito apenas à mãe e ao pai”, escreve, tentando delimitar o conflito ao casal parental.
Rede expõe rachaduras na imagem de “pai de menina”
A ausência de Helena ganha força porque contrasta com a construção recente da imagem de Neymar. Desde o nascimento de Mavie, em 2024, e de Mel, em 2025, o atacante explora nas redes o papel de “pai de menina”, com fotos em casa, brincadeiras e viagens em família. Davi, o primogênito, também costuma aparecer em jogos, férias e comemorações.
Durante o Mundial, o jogador volta a se cercar de familiares e amigos mais próximos. As arquibancadas registram a presença de Davi, de Carol Dantas e de Bruna Biancardi, grávida de outra menina. O contraste com o lugar de Helena, que permanece no Brasil, alimenta a sensação de uma filha à margem desse círculo.
As redes reagem de forma ruidosa. Críticas apontam incoerência entre o discurso carinhoso e a ausência de gestos concretos em um momento simbólico da carreira. “Caiu por terra a história do paizão Neymar”, escreve uma internauta. Outra cruza a fala recente de Carol, que diz ser sempre convidada porque “plantou” respeito e amor, com o relato de Amanda de que sequer recebeu um chamado oficial para estar nos Estados Unidos. A comparação intensifica a leitura de que existem hierarquias afetivas e de convivência entre os filhos do jogador.
Defesas, marketing e o limite da vida privada
Amigos de Neymar tentam conter o desgaste. A empresária Samara Costa, próxima ao atacante, argumenta que a permanência de Helena no Brasil é a opção mais adequada neste momento da carreira dele. “Helena, que tem apenas um ano, deveria permanecer no Brasil ao lado da mãe”, afirma, ancorando a defesa na pouca idade da criança e na rotina de concentração pesada, com treinos, viagens e pressão esportiva.
O argumento encontra eco em parte do público, que vê nos bastidores de um torneio desse porte um ambiente pouco propício para uma menina tão pequena. Outra ala, porém, sustenta que a idade não impede a presença, desde que exista estrutura adequada, e lembra que outros filhos do jogador já cruzam fronteiras em compromissos do pai desde cedo.
O embate não se limita às famílias. Patrocinadores e gestores de imagem acompanham com atenção uma crise que atinge um dos ativos mais valiosos da marca Neymar: a figura do pai carinhoso, que equilibra a vida glamourosa com momentos domésticos. Em um cenário em que campanhas publicitárias vendem a ideia de proximidade com os filhos, cada ausência ganha peso simbólico.
Para o universo de influenciadores, o episódio também funciona como termômetro. O desabafo de Amanda — “Todo pós-jogo a internet faz um espetáculo com o meu nome e o da Helena, por puro preconceito e desinformação” — expõe o desgaste emocional de mães solo que dividem a criação dos filhos com figuras públicas. A repercussão de gestos aparentemente banais, como a camiseta de um amigo com o nome “Neymar” riscado e substituído por “Amanda Kim”, mostra como qualquer sinal é lido como posicionamento político em uma disputa familiar.
Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente
Na prática, a maior afetada é a própria Helena, que se torna centro de uma tempestade digital antes de completar 2 anos. A menina faz aniversário em 3 de julho, data em que o pai segue concentrado no Mundial. A discussão sobre se ela deveria ou não estar nos Estados Unidos corre solta entre pessoas que nunca conviveram com a família.
A reputação de Neymar como pai amoroso, construída ao longo de mais de uma década, sofre o primeiro abalo de grande escala. A narrativa que o coloca ao lado dos filhos em todas as situações contrasta com a admissão pública de Amanda: “A presença dela não foi solicitada por ninguém”. O questionamento atinge justamente o ponto que o jogador mais explora fora de campo.
Para Amanda Kimberlly, o episódio consolida um lugar incômodo. Deixa de ser apenas a ex-affair que teve uma filha com o craque e passa a ser a voz que fratura a imagem do “paizão”. Ao mesmo tempo, assume o risco de ser vista como alguém que expõe conflitos íntimos em praça pública, ainda que diga reagir apenas à pressão e às acusações.
O caso deve forçar um reposicionamento. A tendência é que a equipe de Neymar busque gestos de recomposição, seja com declarações, seja com aparições futuras ao lado de Helena em datas estratégicas. O episódio também tende a influenciar como outros atletas expõem filhos em grandes eventos, pressionando por combinações mais claras entre pais, mães e assessorias para evitar que lacunas de comunicação virem crise global em tempo real.
No centro dessa disputa de narrativas, uma pergunta permanece sem resposta imediata: na próxima grande convocação da vida de Neymar, seja em campo ou fora dele, Helena estará na arquibancada ou seguirá aparecendo apenas nas entrelinhas da biografia do jogador?