Suspeita de matar casal de idosos em BH é presa em hotel e confessa o crime, diz polícia

Mulher de 30 anos foi localizada em Itabira após quatro dias de buscas. Segundo a Polícia Civil, ela alegou estar em "surto psicótico"
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A mulher apontada como principal suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi presa pela Polícia Civil de Minas Gerais na noite desta quarta-feira (1º). Segundo os investigadores, Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, confessou espontaneamente a autoria do crime durante a abordagem policial e alegou que estava em um “surto psicótico” no momento dos assassinatos. O caso é tratado como latrocínio, roubo seguido de morte.

A prisão ocorreu em um hotel na cidade de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, encerrando uma força-tarefa iniciada ainda no dia 30 de junho, poucas horas após a descoberta dos corpos do casal no apartamento onde moravam, no Bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

De acordo com a Polícia Civil, a prisão ocorreu sem qualquer resistência. Os policiais localizaram Paola hospedada em um quarto de hotel após quatro dias de buscas ininterruptas. Segundo o delegado Gustavo Barletta, a suspeita demonstrou forte abalo emocional durante a abordagem.

“Nós fomos até o quarto onde ela estava e fomos atendidos sem qualquer resistência. Durante todo o contato, ela se mostrou bastante abalada, chorando e muito emocionada. Ela estava abraçada ao filho e nos disse que já esperava a chegada da Polícia Civil ou de alguma outra força de segurança por causa da grande repercussão do caso. Disse que acompanhava toda a cobertura pela televisão e que estava profundamente envergonhada, afirmando que já não conseguia sair à rua em razão da exposição do caso.“, explica Gustavo.

Após a prisão, Paola foi levada para Belo Horizonte, onde permaneceu em silêncio ao deixar a delegacia na manhã desta quinta-feira (2). A mulher vai ficar detida em um presídio de Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte. Veja o momento em que a mulher deixa a delegacia em BH:

Furto teria motivado o crime, diz investigação
Segundo a Polícia Civil, a suspeita foi contratada para realizar um serviço de limpeza no apartamento e, durante o trabalho, decidiu furtar bens de alto valor que encontrou em um dos quartos. Os investigadores afirmam que, em depoimento, Paola contou que viu cerca de R$ 18 mil em espécie, além de relógios e decidiu cometer o furto.

“Ela relatou que, ao entrar no quarto do casal, visualizou uma grande quantia em dinheiro e alguns relógios. Segundo o depoimento, foi nesse momento que decidiu praticar o crime patrimonial. Inicialmente, afirmou que a intenção era apenas furtar os bens da residência.”, explica o delegado.

No entanto, ao ser questionada sobre a violência empregada no crime, a versão apresentada pela suspeita mudou.

“Voltamos a questioná-la sobre o motivo de ter tirado a vida das vítimas de maneira tão cruel. Ela respondeu que nunca havia visto aquelas pessoas antes, afirmou estar arrependida e alegou que, durante um surto psicótico, começou a ouvir vozes que a fizeram acreditar que, para consumar o furto, precisaria matar o casal. Segundo ela, foi por isso que utilizou a faca e praticou o ataque de forma extremamente violenta.”, afirma.

Casal teria sido dopado antes dos assassinatos
Outro detalhe revelado pela investigação é que Paola teria dopado as vítimas antes do ataque.

Segundo a Polícia Civil, a mulher triturou quatro comprimidos de um medicamento utilizado no tratamento da depressão, misturou o remédio em um suco e serviu a bebida ao casal.

A intenção, conforme os investigadores, era facilitar o furto dentro do apartamento.

“Segundo o relato dela, após o casal ingerir a medicação e começar a apresentar sinais de sonolência, ela foi até o quarto dos idosos com a intenção inicial de furtar os objetos de valor. No entanto, percebeu que uma das vítimas ainda estava acordada e ofereceu resistência. Ela afirmou que pegou uma faca, inicialmente, para ameaçá-lo. Porém, segundo o próprio depoimento, ao ser confrontada pela vítima, passou a desferir os golpes de faca, dando início ao ataque que resultou na morte do casal.”, conta o delegado.

Bens roubados foram vendidos no Centro de BH
Segundo a Polícia Civil, após deixar o prédio, Paola seguiu para a região central de Belo Horizonte. Os investigadores apuraram que ela possivelmente negociou parte dos bens roubados do apartamento, incluindo joias e outros objetos de valor.

Na sequência, a suspeita foi até uma loja, onde comprou um novo aparelho celular. Depois disso, ela seguiu para Ribeirão das Neves.

Paola trocou de roupa e descartou objetos em caçamba
As novas imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram que, depois de deixar o prédio, Paola caminhou por ruas próximas carregando sacolas e outros objetos.

Em determinado momento, ela para ao lado de uma caçamba de entulho e descarta parte dos materiais.

Segundo a investigação, uma blusa de gola alta com manchas de sangue foi encontrada no local. A peça, de acordo com a polícia, era usada por baixo do moletom azul visto nas primeiras imagens do condomínio. Além da blusa, também foram recolhidas meias com vestígios de sangue, uma bolsa vazia e porta-joias sem conteúdo.

Celulares das vítimas foram recuperados
Durante as diligências, os investigadores também conseguiram localizar os dois celulares pertencentes ao casal.

Os aparelhos foram encontrados em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e apreendidos para integrarem a investigação.

As joias, relógios e demais objetos levados do apartamento ainda não foram recuperados.

Relembre o caso
O crime aconteceu dentro do apartamento onde moravam Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, no Bairro São Pedro.

Segundo a investigação, Paola foi ao imóvel para realizar um serviço de limpeza indicado por um parente das vítimas.

Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher entrando no condomínio às 7h28. Ela permaneceu cerca de oito horas no apartamento e deixou o prédio às 15h32 usando roupas diferentes e carregando diversas sacolas.

A Polícia Civil informou que o casal foi morto entre 12h30 e 15h. A perícia apontou que as vítimas sofreram, juntas, mais de 40 golpes de faca. A arma utilizada no crime foi lavada após os assassinatos.

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