O reality show criado pelos influenciadores Viih Tube e Eliezer para colocar os próprios funcionários em uma competição por prêmios em dinheiro, folgas, vales restaurantes e massagem, além de uma moto ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (2). O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um procedimento para investigar possíveis irregularidades trabalhistas envolvendo a produção.
A investigação foi aberta após a forte repercussão nas redes sociais, onde internautas criticaram provas consideradas humilhantes e questionaram as condições em que os empregados participaram da disputa. O primeiro episódio chegou a ser retirado do ar após a polêmica.
Batizado de “As Patroas (e o Patrão)”, o reality reunia os 11 funcionários da casa de Viih Tube e Eliezer em uma competição com prêmio principal de R$ 20 mil, além de valores acumulados durante as provas. A premiação total anunciada chegava a R$ 60 mil.
O programa seria exibido nas redes sociais do casal, mas apenas um episódio foi ao ar antes de ser removido diante da repercussão negativa.
O que levou o caso ao Ministério Público do Trabalho?
O MPT informou que iniciou um procedimento para apurar possíveis condutas trabalhistas passíveis de questionamento após analisar as atividades divulgadas nas redes sociais.
Entre os pontos que chamaram a atenção estão desafios que expunham funcionários a situações consideradas constrangedoras, além de questionamentos sobre o uso da imagem dos empregados, eventual realização de atividades fora da jornada de trabalho e possíveis violações à legislação trabalhista.
A principal crítica foi direcionada à primeira prova do reality. Os participantes precisavam procurar moedas espalhadas pela residência. Algumas delas estavam dentro do vaso sanitário e outras em lixeiras, obrigando funcionários a colocar as mãos nesses locais para continuar na disputa.
Além do prêmio em dinheiro, algumas recompensas envolviam vantagens como entrar uma hora mais tarde no expediente ou ganhar massagens e jantares.
As imagens viralizaram rapidamente e geraram uma onda de críticas, com muitos internautas classificando a dinâmica como degradante e incompatível com a relação entre patrões e empregados.
Como Viih Tube e Eliezer responderam?
Antes da retirada do conteúdo, Viih Tube afirmou que ninguém era obrigado a participar das provas e que todos os funcionários aceitaram o convite de forma voluntária.
Posteriormente, o casal removeu o episódio das redes sociais. Até a abertura oficial do procedimento pelo Ministério Público do Trabalho, eles não haviam divulgado um novo posicionamento sobre a investigação.
Funcionários saíram em defesa do casal
Após o cancelamento do reality, alguns funcionários publicaram vídeos afirmando que participaram da competição por vontade própria.
Eles disseram que não se sentiram humilhados, defenderam Viih Tube e Eliezer das críticas e afirmaram que enxergavam o programa como uma oportunidade de ganhar prêmios e dinheiro extra. Mesmo assim, as manifestações não impediram a abertura do procedimento pelo Ministério Público do Trabalho.
O que acontece agora?
Neste momento, o procedimento instaurado pelo Ministério Público do Trabalho é uma fase de apuração. O órgão irá analisar se houve eventual violação à legislação trabalhista ou exposição indevida dos empregados durante a produção do reality. A abertura do procedimento não significa que os influenciadores tenham cometido irregularidades, mas serve para reunir informações e verificar se há elementos que justifiquem novas medidas. Nas redes o episódio foi lido como imoral.
Nos últimos anos, influenciadores passaram a transformar o cotidiano de suas casas em conteúdo para redes sociais. No entanto, quando funcionários participam dessas produções, especialistas apontam que podem surgir discussões envolvendo direitos trabalhistas, uso de imagem, jornada de trabalho e possíveis situações de constrangimento.
A investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho busca justamente esclarecer se as dinâmicas promovidas pelo casal respeitaram a legislação e os direitos dos trabalhadores.