Hikaru Kurosaki, ator japonês que vive o herói de “O Fantástico Jaspion” e se torna ícone da TV brasileira, morre aos 64 anos em Okinawa. A morte vem a público nesta quinta-feira (2), mas a data exata do falecimento não é informada.
Notícia parte de associação de mergulho em Okinawa
A informação circula a partir de Motobu, pequena cidade da província de Okinawa onde Kurosaki vive há cerca de 30 anos como instrutor de mergulho. O amigo Masaki Sekiguchi, colega na Associação de Mergulho da cidade, publica um comunicado no Facebook para avisar empresas e parceiros do setor sobre a morte do ator.
“Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da operadora Mother Earth, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, enviamos este comunicado para informar as empresas e parceiros do setor. Desde que o Sr. Kurosaki mudou-se para Motobu, há mais de 30 anos, ele foi um companheiro com quem compartilhamos momentos de alegria e dificuldade — em uma época em que existiam apenas cerca de seis operadoras de mergulho na região. Descanse em paz”, escreve Sekiguchi.
A causa da morte não é divulgada. Também não há, até o momento, informações oficiais sobre velório ou cerimônia de despedida. Amigos indicam que a família deve manter a discrição que marca a vida recente do ator.
De dublê adolescente ao herói que conquista o Brasil
Nascido em 31 de janeiro de 1962, na cidade de Sakai, região de Osaka, Seiki Kurosaki adota o nome artístico Hikaru ainda jovem. Aos 16 anos, entra na Japan Action Club (JAC), grupo criado pelo astro Sonny Chiba para formar dublês e atores especializados em cenas de ação.
Na JAC, Kurosaki aprende a cair, saltar, lutar e atuar sob armaduras pesadas, como suit actor, termo usado para quem interpreta monstros e heróis mascarados. Participa como dublê da versão japonesa de Homem-Aranha (1978-1979) e de séries como Battle Fever J e Denshi Sentai Denjiman, que ajudam a consolidar o gênero tokusatsu, as produções de ação com atores reais e efeitos especiais.
O salto para o protagonismo vem em 1985, quando a Toei Company escolhe Kurosaki para liderar “O Fantástico Jaspion”. A série vai ao ar no Japão entre 1985 e 1986. Ele interpreta o jovem órfão que viaja pela galáxia dentro do robô gigante Daileon para enfrentar o vilão Satan Goss. Kurosaki realiza grande parte das cenas de luta sem dublê, enquanto a armadura completa do herói, em sequências específicas, fica a cargo do experiente Noriaki Kaneda.
O desempenho da série no Japão é apenas mediano. A vida de Kurosaki muda de fato em 1988, quando “O Fantástico Jaspion” estreia na Rede Manchete. Em poucos meses, a produção toma as tardes da TV brasileira, gera filas para sessões de autógrafos e entra na cultura pop infantil dos anos 1980.
No Brasil, bordões como “Pela luz de Daileon!” viram refrão de recreio. Músicas como “Jaspion-Changeman”, do Trem da Alegria, levam o herói às paradas de sucesso. Entre reprises no fim dos anos 1980 e começo dos 1990, Kurosaki se torna o rosto mais conhecido do tokusatsu no país, bem acima da recepção que tem em seu próprio mercado.
Ruptura com os holofotes e nova vida no mar
Depois de Jaspion, Kurosaki participa de filmes voltados ao público infantil e familiar, como “Setouchi Shonen Yakyudan” e “Saigo no Rakuen”. Também volta à TV em produções japonesas no início dos anos 1990. Nos bastidores, no entanto, conflitos com Sonny Chiba e com a JAC mudam o rumo de sua trajetória.
Em entrevista à revista brasileira Henshin, em 2001, ele relata desentendimentos profissionais que o levam a abandonar a atuação na década de 1990. Longe dos estúdios, passa por diferentes trabalhos, até se fixar no mergulho profissional. Em Okinawa, funda a escola Mother Earth e transforma o mar em novo palco.
Desde então, atua como instrutor e guia de mergulho em Motobu. A região, que nos primeiros anos conta com cerca de seis operadoras, vê o turismo crescer enquanto Kurosaki ajuda a formar mergulhadores e a atrair visitantes. O antigo herói espacial vira referência silenciosa de segurança e técnica debaixo d’água.
Na vida pessoal, Kurosaki é casado com a atriz e ex-dublê Yuko Asuka, a vilã Farrah de “Bioman”. Os dois se conhecem em 1984, durante gravações da série. O casamento dura até 2011, quando Yuko morre. O casal não tem filhos. Após a perda, o ator mantém rotina ainda mais reservada em Okinawa.
Legado para a cultura pop e para Okinawa
A notícia da morte repercute com força entre fãs de tokusatsu e da TV brasileira. Nas redes sociais, brasileiros que crescem diante da tela da Manchete lembram o impacto de ver um herói japonês em traje metálico combater monstros gigantes. Muitos relatam que Jaspion é a porta de entrada para a cultura pop do Japão.
Para pesquisadores e colecionadores, a morte de Kurosaki cristaliza uma era. A geração que ele representa abre caminho para a explosão de séries japonesas no Brasil, da onda de tokusatsu nos anos 1980 aos animês que ganham espaço na década seguinte. O interesse por boxes de DVD, bonecos e relançamentos tende a aumentar nos próximos meses, embalado por homenagens e pela nostalgia.
O ator Hiroshi Watari, que interpreta Boomerang, aliado do herói na série, escreve nas redes sociais: “Estou chocado com a notícia da morte do Kurosaki Hikaru. Este ano, muitos colegas da JAC partiram. Nunca esquecerei o que aprendi no palco do Shinjuku Koma Theater e no set de Jaspion. Obrigado”.
Em Okinawa, a perda atinge outra comunidade. Na Associação de Mergulho de Motobu, Kurosaki é visto como pioneiro na consolidação do turismo subaquático local. Sekiguchi destaca no comunicado a convivência de mais de três décadas e o fato de terem atravessado juntos “momentos de alegria e dificuldade”.
Para fãs brasileiros, a imagem mais forte permanece ligada ao uniforme prateado e ao capacete vermelho. No Japão, seu nome figura entre os profissionais que ajudam a consolidar a importância dos dublês e suit actors na indústria, categoria que segue pouco creditada, apesar de central nas cenas que marcam gerações.
Memória em construção e próximos passos
A morte de Hikaru Kurosaki abre uma nova fase na relação do público com Jaspion. Sem a possibilidade de reencontros presenciais em eventos e convenções, a presença do ator se desloca para arquivos, entrevistas antigas e registros de bastidores que começam a ser redescobertos por fãs e produtores de conteúdo.
Produtores no Brasil e no Japão já discutem, nas redes, propostas de exposições, mostras especiais e encontros temáticos que celebrem o legado de Kurosaki. A tendência é que novos projetos de preservação da memória do tokusatsu incluam mais espaço para dublês e atores de ação, justamente o campo em que ele se forma.
Enquanto a família define como será a despedida em Motobu, o impacto emocional se espalha entre quem o conhece só pela TV e entre colegas que dividem com ele sets de filmagem e mergulhos em Okinawa. O herói que um dia cruza a galáxia para salvar planetas termina a vida em silêncio, à beira-mar, deixando para fãs e amigos a tarefa de manter viva sua história.
O que aconteceu com o ator do Jaspion?
Hikaru Kurosaki, intérprete de Jaspion, morre aos 64 anos em Motobu, Okinawa. A morte é comunicada por um colega da Associação de Mergulho local.
Quem interpretou Jaspion?
O protagonista de “O Fantástico Jaspion” é vivido pelo ator japonês Hikaru Kurosaki, nascido Seiki Kurosaki em 31 de janeiro de 1962, na região de Osaka.
Qual foi a causa da morte de Hikaru Kurosaki?
A causa da morte não é divulgada. O comunicado da Associação de Mergulho de Motobu informa o falecimento, mas não traz detalhes médicos ou circunstâncias.
Como colegas e fãs reagiram à morte de Hikaru Kurosaki?
Fãs, especialmente no Brasil, publicam homenagens e lembranças nas redes. Colegas como Hiroshi Watari se dizem chocados e agradecem pelo convívio e aprendizado.
Qual a importância de Hikaru Kurosaki para a série Jaspion?
Além de protagonizar a série, Kurosaki realiza muitas cenas de ação, ajuda a definir o tom do herói e se torna o rosto que transforma Jaspion em fenômeno no Brasil.