Brasil apresenta proposta aos EUA para tentar evitar tarifa de 25% sobre exportações

Governo entrega plano com medidas em áreas sensíveis e intensifica negociações antes da decisão prevista para julho; Pix permanece fora das conversas
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governo federal intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A proposta foi apresentada durante uma nova rodada de reuniões entre representantes dos dois países realizada nesta semana.

O documento entregue pelo Brasil reúne um conjunto de medidas e compromissos que buscam responder às preocupações levantadas pelas autoridades norte-americanas em uma investigação comercial. Apesar da tentativa de avançar nas negociações, integrantes do governo admitem que o prazo é apertado e que ainda existe a possibilidade de a sobretaxa entrar em vigor.

O que aconteceu?

O governo brasileiro elaborou um plano de negociação para demonstrar disposição em ampliar mecanismos de fiscalização e aperfeiçoar políticas públicas que vêm sendo questionadas pelos Estados Unidos.

Entre os temas abordados estão:

  • comércio digital;
  • propriedade intelectual;
  • combate à corrupção;
  • tarifas preferenciais;
  • etanol;
  • combate ao desmatamento ilegal.

Segundo integrantes do governo, a proposta pretende mostrar que essas políticas não prejudicam empresas norte-americanas nem criam barreiras injustas ao comércio internacional.

Por que os Estados Unidos ameaçam impor novas tarifas?

A possível tarifa faz parte de uma investigação comercial conduzida pelas autoridades norte-americanas.

O governo dos Estados Unidos avalia se determinadas políticas brasileiras podem representar práticas consideradas desleais para empresas americanas.

Caso a medida seja confirmada, produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano poderão enfrentar aumento significativo de custos, reduzindo sua competitividade.

Pix permanece fora das negociações

Um dos assuntos citados durante a investigação comercial é o Pix. Apesar disso, integrantes do governo brasileiro afirmam que o sistema de pagamentos instantâneos não será objeto de negociação.

A avaliação do Executivo é de que o Pix representa uma política pública consolidada e aberta à participação de diferentes empresas do setor financeiro, sem tratamento discriminatório contra companhias estrangeiras.

Quais setores podem fazer parte de um acordo?

Como parte das negociações, o Brasil também avalia reduzir tarifas de importação sobre determinados produtos norte-americanos.

Entre os segmentos que podem ser contemplados estão:

  • máquinas industriais;
  • equipamentos médicos;
  • produtos de tecnologia da informação.

Esses setores representam centenas de linhas tarifárias que poderiam ser utilizadas como instrumento para ampliar o diálogo comercial entre os dois países.

O prazo preocupa o governo brasileiro

As negociações acontecem em ritmo acelerado porque a decisão das autoridades norte-americanas deve ocorrer ainda em julho.

Representantes do governo reconhecem que o calendário é curto e afirmam que fatores políticos têm dificultado o avanço das conversas.

Mesmo com a continuidade das reuniões técnicas, auxiliares do governo consideram que existe risco de a nova tarifa ser implementada caso não haja consenso até a decisão final.

O que acontece agora?

Nos próximos dias, técnicos brasileiros e norte-americanos devem realizar novos encontros para tentar reduzir as divergências.

Também está prevista uma audiência pública nos Estados Unidos para discutir os impactos da proposta de taxação, reunindo representantes de empresas, associações e integrantes da sociedade civil interessados no tema.

O resultado dessas etapas poderá influenciar a decisão final sobre a aplicação das tarifas.

Qual pode ser o impacto para o Brasil?

Caso a sobretaxa seja confirmada, diversos setores exportadores poderão enfrentar aumento de custos para vender produtos aos Estados Unidos.

Especialistas apontam que medidas desse tipo costumam afetar:

  • competitividade das exportações;
  • geração de empregos em setores exportadores;
  • investimentos;
  • fluxo do comércio bilateral.

Por outro lado, um eventual acordo pode preservar o acesso de produtos brasileiros ao mercado norte-americano e reduzir tensões nas relações comerciais entre os dois países.

Entenda o contexto

Brasil e Estados Unidos mantêm uma das maiores relações comerciais das Américas, envolvendo bilhões de dólares em importações e exportações todos os anos.

Nos últimos meses, porém, divergências sobre regras comerciais, políticas públicas e acesso ao mercado passaram a fazer parte das discussões entre os dois governos.

A tentativa brasileira de apresentar um plano de negociação busca demonstrar disposição para manter o diálogo aberto e evitar prejuízos para empresas exportadoras. O desfecho das negociações poderá influenciar não apenas o comércio bilateral, mas também o ambiente de investimentos entre os dois países.

Carregar Comentários