A menos de um mês do Miss Universe Brasil 2026, a modelo Giovanna Figliê, 22, renuncia ao título de Miss Universe São Paulo e desiste de disputar o concurso nacional. A organização paulista confirma nesta semana a escolha de Larissa Fernandes, 24, para assumir a faixa e representar o estado na final marcada para 25 de julho, em São Paulo.
Decisão em cima da hora mexe com bastidores
A saída de Giovanna ocorre no início da semana entre 29 de junho e 5 de julho de 2026 e surpreende fãs, jurados e produtores de eventos. Em um calendário já apertado, a troca de representante a 23 dias da final obriga a reorganizar preparação, figurinos e estratégia de uma das delegações mais tradicionais do país.
O impacto vai além do universo dos concursos. O Miss Universe Brasil volta à TV aberta em rede nacional após 7 anos, em um momento de retomada de grandes eventos de beleza como produto de entretenimento. A performance da candidata paulista, historicamente favorita, é vista por patrocinadores e emissoras como peça central na tentativa de reconquistar público.
Renúncia por conflitos de agenda
A organização do Miss Universe São Paulo divulga nota oficial explicando os motivos da decisão de Giovanna. “Esta decisão ocorre em razão do surgimento de importantes e inadiáveis compromissos pessoais e profissionais, cujas agendas serão incompatíveis com o período de preparação e participação no Miss Universe Brasil”, afirma o comunicado.
O texto também ressalta que a equipe recebe o pedido de renúncia “com compreensão e profundo respeito”, reconhecendo a importância dessa virada de rota na vida da modelo, coroada em abril de 2025. A mensagem tenta conter especulações e marca a saída como escolha planejada, não como ruptura conflituosa.
Giovanna usa as redes sociais para se despedir do público e reforçar o tom de encerramento de ciclo. “Encerro aqui o meu ciclo como Miss Universe São Paulo e faço isso com o coração leve e em paz. Despeço-me da coroa, mas levo comigo o carinho inesquecível de vocês”, diz em vídeo publicado em seus perfis.
Como Larissa Fernandes chega à coroa paulista
Com a faixa vaga, a organização recorre ao resultado da edição anterior do concurso estadual. Larissa Fernandes, de Artur Nogueira, terceira colocada no Miss Universe São Paulo 2025, é escolhida para assumir o título de 2026. A decisão foge do roteiro automático de promoções, que costuma favorecer a vice-campeã.
Pelas regras, Jaque Ciocci, segunda colocada em 2025, seria a sucessora natural. A miss, porém, já havia conquistado outro título: o Miss Universe Chapada Diamantina 2026, concurso que reúne representantes de estados e também de rotas turísticas. Com a agenda comprometida, Jaque fica impedida de acumular a faixa paulista.
A solução encontrada explicita a flexibilidade dos bastidores. Em nota, a organização paulista tenta transformar a mudança em narrativa de continuidade. “Larissa chega para dar continuidade ao legado de excelência, dedicação e representatividade que marcam a trajetória do nosso concurso. Com autenticidade e compromisso, ela passa a carregar a responsabilidade de representar milhões de paulistas, celebrando a força, a diversidade e a beleza de um dos estados mais importantes do Brasil”, afirma.
O comunicado reforça o apoio à nova titular e mira o público que acompanha todas as miss São Paulo ao longo das décadas, de nomes consagrados nos anos 1980, como as misses São Paulo 1980, 1982, 1984 e 1986, até as gerações mais recentes, incluindo concursos paralelos como miss São Paulo infantil e etapas regionais que revelam misses negras e de cidades do interior.
Pressão extra com volta à TV aberta
Lidar com a pressão será parte central da preparação de Larissa. Além de chegar ao posto sem o ciclo completo de reinado estadual, ela terá menos de um mês para ajustar oratória, passarela, traje típico e vestidos de gala a um palco de visibilidade ampliada.
O Miss Universe Brasil 2026 acontece em 25 de julho, em São Paulo, com apresentação das jornalistas Michelle Barros e Natália Guimarães. Ex-miss e vice-campeã do Miss Universo 2007, Natália integra a nova gestão do concurso no país e simboliza a tentativa de atualizar a imagem da disputa, aproximando-a de debates sobre diversidade e representatividade.
O retorno à TV aberta retoma uma tradição interrompida em 2019, ano da última transmissão do concurso pela Band. Naquele ano, a mineira Júlia Horta é eleita e entra para o TOP 20 do Miss Universo. Desde então, as finais nacionais migram para canais fechados e plataformas digitais, com audiência mais segmentada.
Em 2026, a aposta recai novamente sobre a televisão aberta. A organização espera atrair um público que inclui desde quem acompanha a série histórica de miss São Paulo 1984, 1986 ou 2027 até novas audiências que veem os concursos como espetáculo cultural, e não só disputa de padrões estéticos.
Quem ganha, quem perde com a troca
Para São Paulo, a renúncia de Giovanna representa a perda de uma candidata já conhecida do público e mais lapidada para o palco nacional. A entrada de Larissa, porém, pode renovar o interesse e gerar curiosidade em torno da nova história que se escreve a poucos dias da final.
O setor de concursos de beleza e eventos culturais sente o efeito imediato da mudança. Produtores correm para ajustar ensaios, contratos e estratégias de exposição da nova representante paulista. Patrocinadores acompanham as redes sociais de Larissa em busca de sinais sobre engajamento e perfil de público.
Entre fãs, a repercussão oscila entre apoio à decisão de Giovanna e expectativa em relação à estreante. A organização tenta capitalizar esse movimento. “Desejamos que esta nova jornada seja repleta de conquistas, aprendizado e momentos inesquecíveis. Temos a certeza de que Larissa honrará essa faixa com dedicação, carisma e propósito, inspirando pessoas por onde passar”, diz o texto oficial.
A mudança também reacende discussões antigas sobre a vida útil dos títulos estaduais e a pressão sobre as candidatas, que precisam conciliar estudos, carreira e preparação intensa para o circuito de concursos. A cada renúncia, cresce o debate sobre a necessidade de regras mais claras para substituições e sobre a transparência na relação com o público.
Próximos passos até a noite da final
Até 25 de julho, Larissa vive uma corrida contra o tempo. A agenda deve incluir provas de figurino, intensivos de passarela, treinamento de mídia e encontros com patrocinadores, sob coordenação da equipe paulista. A preparação precisa compensar a falta de meses de reinado com foco e narrativa bem construída.
O desempenho de São Paulo no palco nacional tende a influenciar a imagem da própria engrenagem de concursos estaduais. Um bom resultado reforça a ideia de que o sistema suporta imprevistos sem perder competitividade. Um fracasso alimenta críticas sobre excesso de pressão e fragilidade na gestão dos títulos.
Enquanto isso, o público se divide entre revisitar memórias de antigas misses paulistas e projetar expectativas para a nova representante. A edição de 2026 pode se tornar um caso de estudo para a forma como concursos de beleza lidam, em tempo real, com a colisão entre compromissos pessoais e a vitrine de um palco nacional.