Após mais de três décadas de espera da população e quase dois anos de obras, Belo Horizonte vive um momento histórico para a mobilidade urbana. Foram inauguradas nesta sexta-feira (3), as estações Nova Suíça e Amazonas, as duas primeiras da Linha 2 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), antecipando em cerca de dois anos o cronograma originalmente previsto para a operação do novo ramal.
A entrega marca o início da expansão da rede metroviária da capital e representa a primeira fase de um projeto que promete transformar a mobilidade na região Oeste e, futuramente, ligar o Barreiro ao restante do sistema ferroviário.
A inauguração foi conduzida pelo governador Mateus Simões e acontece menos de dois anos após o início das obras, iniciadas em setembro de 2024. Foram cerca de 21 meses entre a construção e a entrega do primeiro trecho da Linha 2.
“Essa é uma transformação importante para Belo Horizonte e para todo o sistema de transporte da Região Metropolitana. A expectativa é melhorar a vida de quem hoje passa uma hora e meia dentro de um ônibus para fazer o deslocamento diário. Além disso, a expansão do metrô deve reduzir o fluxo de veículos na Avenida Amazonas e em outras vias de acesso, desafogando o trânsito da cidade”, disse o governador.

Investimentos fazem parte de projeto de R$ 3,9 bilhões
Somente para a implantação das estações Nova Suíça e Amazonas foram investidos R$ 142,7 milhões. Desse total, R$ 99,7 milhões foram destinados à construção da Estação Nova Suíça e outros R$ 43 milhões à Estação Amazonas.
As duas obras fazem parte de um investimento muito maior. Ao todo, R$ 3,9 bilhões estão sendo aplicados na implantação completa da Linha 2, na modernização da Linha 1 e na ampliação da capacidade do sistema metroferroviário da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Nesta primeira etapa, as novas estações beneficiarão diretamente moradores dos bairros Nova Suíça, Calafate, Gameleira, Padre Eustáquio, Salgado Filho, Coração Eucarístico e Alto dos Pinheiros, regiões que concentram mais de 100 mil habitantes.
Quando toda a Linha 2 estiver concluída, a expectativa é de transportar aproximadamente 50 mil passageiros por dia.
A Estação Nova Suíça também terá um papel estratégico no sistema por ser o ponto de integração entre as Linhas 1 e 2. A estimativa da concessionária é que, futuramente, cerca de 40 mil passageiros circulem diariamente pelo local.
Viagem entre as estações leva cerca de três minutos
O novo trecho acrescenta aproximadamente 1,6 quilômetro de trilhos ao sistema metroviário.
O tempo médio de deslocamento entre as estações Nova Suíça e Amazonas será de apenas três minutos, oferecendo uma alternativa mais rápida e previsível para milhares de passageiros.
Como será o funcionamento da Linha 2?
A implantação ocorrerá de forma gradual por meio da chamada operação assistida, modelo utilizado em diversos sistemas metroferroviários brasileiros para permitir ajustes técnicos enquanto os passageiros já começam a utilizar a nova estrutura.
A Estação Nova Suíça funcionará normalmente desde o primeiro dia, todos os dias da semana, das 5h15 às 23h, já que também integra a Linha 1.
Já a Estação Amazonas seguirá um cronograma especial.Confira o calendário:
- Entre julho e setembro, funcionará apenas de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 16h.
- Em outubro, o horário será ampliado para 5h15 às 23h, também apenas nos dias úteis.
- A partir de novembro de 2026, a operação será diária, das 5h15 às 23h.
Durante toda a fase de implantação, os trens circularão com intervalos de aproximadamente 15 minutos.
Segundo a concessionária, esse período permitirá a conclusão dos sistemas de sinalização, energia, rede aérea e demais testes operacionais necessários para garantir segurança e confiabilidade ao serviço.
Estações oferecem acessibilidade, tecnologia e conforto
As novas estações foram projetadas seguindo padrões modernos de acessibilidade e atendimento aos passageiros.
Os espaços contam com elevadores, escadas rolantes, banheiros gratuitos e acessíveis, sala de primeiros socorros, sala de supervisão operacional e áreas destinadas ao funcionamento de lojas e serviços.
Também foram instalados mapas táteis, piso podotátil e sinalização em Braille nos corrimãos, facilitando a circulação de pessoas com deficiência visual ou mobilidade reduzida.
Outra novidade é a oferta de Wi-Fi gratuito, sistema de bilhetagem digital e monitoramento por câmeras, recursos já disponíveis nas demais estações operadas pelo Metrô BH.
Integração com outros modais
Embora ainda não estejam previstas novas linhas integradas de ônibus, o Metrô BH informou que apoia projetos de integração entre diferentes meios de transporte.
Segundo a concessionária, eventuais mudanças na rede de ônibus ou novas integrações tarifárias dependem de planejamento dos órgãos públicos responsáveis.

Obras continuam até o Barreiro
A expansão da Linha 2 do metrô é uma das obras de mobilidade urbana mais aguardadas da história de Belo Horizonte. O projeto começou a ser discutido ainda na década de 1990 e, por mais de 30 anos, permaneceu como uma promessa para milhares de moradores, especialmente da região do Barreiro. Considerada uma das áreas mais antigas e populosas da capital mineira, a região sempre reivindicou uma ligação por metrô com o Centro e outras partes da cidade.
O cronograma prevê que, em 2027, sejam inauguradas as estações Nova Gameleira, Nova Cintra e Vista Alegre.
Já em 2028, entram em operação as estações Ferrugem e Barreiro, concluindo toda a Linha 2 conforme previsto no contrato de concessão.
“Nesta primeira viagem, encontramos passageiros que esperaram 20, 30 e até 40 anos para ver o metrô começar a chegar ao Barreiro. É uma alegria muito grande poder entregar essas estações e iniciar a operação da Linha 2. Neste primeiro momento, a operação será assistida, funcionando das 9h às 16h. Aos poucos, vamos ampliar os horários até chegar, em outubro, ao funcionamento das 5h15 às 23h nos dias úteis”, afirmou o governador de Minas, Mateus Simões
Desapropriações e compensação ambiental
Para viabilizar a construção das duas primeiras estações, foi necessário realizar desapropriações e desocupações nas áreas diretamente afetadas.
Na Estação Nova Suíça, uma propriedade foi desapropriada. Já na região da Estação Amazonas, sete famílias participaram do processo de desocupação, acompanhado por equipes sociais e conduzido em acordo com o Ministério Público e lideranças comunitárias.
Também houve supressão de árvores durante as obras. Segundo a concessionária, todas as intervenções foram autorizadas pelos órgãos ambientais competentes e acompanhadas de medidas de compensação ambiental previstas na legislação.