Uma estudante universitária foi surpreendida após comprar um pacote de figurinhas anunciado como sendo da coleção oficial do principal torneio de seleções do planeta durante uma viagem na Linha 11-Coral da CPTM. Ao abrir a embalagem ainda dentro do trem, ela encontrou um card de Neymar referente à edição de 2022, indicando que o produto comercializado era falsificado.
O caso aconteceu na tarde de terça-feira (30), durante o trajeto entre as estações Suzano e Luz, na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo a passageira, o ambulante afirmava que os pacotes eram originais e utilizava até um QR Code impresso na embalagem para convencer os clientes da suposta autenticidade do produto.
O que aconteceu?
A estudante Rayssa Montoro contou que decidiu comprar apenas um pacote para verificar se o produto realmente era original. Apesar de já desconfiar da autenticidade, ela afirmou que queria confirmar as diferenças em relação às figurinhas oficiais.
Os pacotes eram vendidos por R$ 7, o mesmo valor praticado oficialmente para a coleção licenciada, ou em promoção: dois pacotes por R$ 10.
Segundo a estudante, o vendedor abordava os passageiros em diferentes vagões e fazia um discurso para transmitir confiança. Entre os argumentos utilizados estava a orientação para que os compradores escaneassem o QR Code impresso na embalagem, que direcionava ao site oficial da fabricante das figurinhas.
Mesmo assim, Rayssa percebeu diferenças logo ao pegar o pacote nas mãos.
“Como estou montando o álbum, percebi imediatamente que o material era diferente. Perguntei se era original e ele respondeu que sim, dizendo para confiar”, relatou.
Ao abrir a embalagem, a confirmação veio rapidamente. Entre as figurinhas havia um card de Neymar pertencente à coleção lançada para a edição de 2022, incompatível com o produto anunciado.
Como a falsificação foi descoberta?
Além da presença de uma figurinha de uma coleção anterior, a estudante afirma que outros detalhes chamaram atenção.
Entre eles estavam:
- qualidade inferior do papel;
- impressão diferente da original;
- cores alteradas;
- acabamento incompatível com os pacotes oficiais.
Segundo ela, bastou comparar o material com outros pacotes adquiridos anteriormente para perceber que havia diferenças significativas.
Outro passageiro também percebeu o golpe. Enquanto a venda acontecia, outro passageiro questionou o ambulante sobre a autenticidade das figurinhas.
De acordo com Rayssa, mesmo após levantar dúvidas, o homem acabou convencido pelo discurso do vendedor e decidiu comprar aproximadamente 30 pacotes para presentear o filho. Pouco depois, ao abrir uma das embalagens, percebeu que o conteúdo não correspondia ao produto anunciado.
A estudante contou que o passageiro demonstrou frustração ao perceber que havia sido enganado. Segundo ela, a situação chamou a atenção porque o homem pretendia levar uma surpresa para o filho, mas acabou adquirindo mercadorias falsificadas.
Como o ambulante conseguia convencer os passageiros?
De acordo com o relato da estudante, o vendedor utilizava diferentes estratégias para transmitir credibilidade. Entre elas estavam:
- afirmar repetidamente que o produto era original;
- destacar que o QR Code direcionava ao site da fabricante;
- vender pelo mesmo preço praticado oficialmente;
- responder com segurança às perguntas dos passageiros.
Esses elementos contribuíam para reduzir a desconfiança de muitos compradores.
Venda aconteceu em poucos minutos. Segundo a estudante, apenas no vagão onde estava o ambulante vendeu aproximadamente 60 pacotes em cerca de cinco minutos.
Depois disso, ele seguiu para outros carros do trem, repetindo a oferta aos demais passageiros. A estimativa é que dezenas de pessoas tenham adquirido os produtos durante o trajeto.
Operações contra a pirataria têm sido intensificadas
O episódio acontece em um momento de reforço das ações contra a comercialização de produtos falsificados relacionados à nova coleção de figurinhas. Recentemente, uma operação policial realizada na região central da capital paulista apreendeu cerca de 50 mil figurinhas e aproximadamente mil álbuns falsificados.

As mercadorias eram comercializadas como se fossem produtos oficiais da coleção.
O que diz a CPTM?
A CPTM informou que o comércio ambulante não autorizado é proibido dentro dos trens e das estações. Segundo a companhia, somente neste ano mais de 43 mil mercadorias irregulares já foram apreendidas durante ações de fiscalização realizadas nas linhas operadas pela empresa.
A orientação é para que passageiros evitem adquirir produtos de origem desconhecida e comuniquem situações suspeitas aos funcionários da companhia ou aos canais oficiais de atendimento.
Como identificar um pacote oficial?
Especialistas em combate à pirataria orientam que consumidores observem alguns detalhes antes da compra:
- qualidade da impressão;
- acabamento da embalagem;
- textura do papel;
- procedência do vendedor;
- compatibilidade das figurinhas com a coleção anunciada.
Também é importante lembrar que a presença de um QR Code não garante, por si só, que o produto seja autêntico, já que embalagens falsificadas podem reproduzir elementos visuais semelhantes aos oficiais.
Entenda o contexto
A venda irregular de mercadorias em trens metropolitanos continua sendo um dos desafios enfrentados pelas empresas de transporte público em São Paulo. Entre os produtos comercializados estão alimentos, acessórios eletrônicos, brinquedos e itens colecionáveis.
Com o lançamento da nova coleção de figurinhas do principal torneio de seleções do planeta, aumentou também a circulação de produtos falsificados que imitam as embalagens oficiais e são vendidos pelo mesmo preço praticado no mercado.
Além do prejuízo financeiro para os consumidores, a pirataria afeta fabricantes licenciados, comerciantes autorizados e pode dificultar a identificação da procedência dos produtos. Casos como o registrado na Linha 11-Coral reforçam a importância de comprar figurinhas em pontos de venda autorizados e de desconfiar de ofertas que utilizem elementos visuais para simular autenticidade sem garantir a origem oficial da mercadoria.