Ao deixar o PL Mulher, Michelle reorganiza o próprio jogo político

Ao deixar o PL Mulher, Michelle reorganiza o próprio jogo político. Sem a ex-primeira-dama à frente do núcleo feminino do PL, a legenda perde capital eleitoral e vê a crise interna se aprofundar.
Redação NC News
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A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher confirma um movimento que já vinha sendo observado nos bastidores. A versão oficial fala em dedicação exclusiva ao marido, que cumpre prisão domiciliar, e à filha do casal.

Apurei, junto a fontes próximas ao núcleo do partido, que o motivo estaria ligado ao desgaste público entre Michelle e o enteado, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. A crise veio à tona depois que a ex-primeira-dama classificou publicamente o tratamento recebido do parlamentar como humilhante, o que levou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a intervir.

Como desdobramento, a presidência nacional do PL Mulher foi extinta, e o núcleo passa a ser conduzido pelas presidências estaduais até a definição de um novo comando, prevista para depois das eleições.

Perda de capital político para o PL

O impacto político da saída é significativo. Michelle consolidou capital político próprio nos últimos anos, ampliou a filiação feminina na legenda e foi a principal responsável por reduzir a rejeição do eleitorado feminino ao entorno bolsonarista, exatamente o público que o PL mais precisa sensibilizar para viabilizar Flávio em outubro.

Os possíveis próximos passos de Michelle

Duas leituras circulam sobre os próximos passos de Michelle, nenhuma confirmada. Uma aponta que setores ligados ao PSD acompanham a movimentação, na expectativa de uma aproximação com o bloco que orbita Ronaldo Caiado.

O PSD já fechou sua chapa, com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, definido como vice, o que reduz o espaço para uma composição imediata e reforça a hipótese de que qualquer movimento de Michelle nessa direção mire mais o Senado do que o Palácio do Planalto.

A outra leitura sugere que a exposição de Michelle poderia funcionar como desvio de atenção em relação ao desgaste de Flávio no caso Banco Master, que envolve negociações do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um projeto audiovisual sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Impactos para a oposição

A saída de Michelle rompe, ainda que parcialmente, a unidade que sustentava o bolsonarismo diante da possibilidade de uma terceira via, hipótese que historicamente nunca prosperou nas urnas.

Setores do mercado financeiro já apontam um ambiente mais favorável à reeleição de Lula, muito em razão da fragmentação que se acentua no campo da oposição.

O nome de Tarcísio de Freitas segue sendo observado com atenção pelo Centrão.

Mesmo tendo optado pela reeleição ao governo de São Paulo, aliados do governador não descartam, nos bastidores, uma reavaliação do cenário caso a crise no PL se aprofunde nas próximas semanas, com a aproximação das convenções partidárias.

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