PSD lança chapa Caiado-Kassab e testa força em 2026

PSD aposta em chapa Caiado-Kassab para fortalecer terceira via e ampliar influência nas eleições de 2026.
Redação NC News
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O PSD oficializa em 1º de julho de 2026, em Brasília, uma chapa pura para a Presidência, com Ronaldo Caiado como candidato e Gilberto Kassab na vice. A decisão reposiciona o partido na disputa polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e mira, sobretudo, mais poder de barganha em 2026 e depois das urnas.

Projeto de partido, não de candidato

A cúpula do PSD transforma a candidatura de Caiado em projeto institucional. O movimento responde a um incômodo interno: a leitura de que o ex-governador de Goiás, recém-chegado ao partido, tenderia a apoiar automaticamente Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula.

Com Kassab na chapa, essa decisão deixa de ser individual. Passa a envolver o presidente do partido, responsável pela condução nacional da sigla e pelo comando de um fundo eleitoral de R$ 421 milhões em 2026. Aliados avaliam que qualquer apoio a Flávio, favorito hoje para enfrentar Lula, ficará “mais caro”.

A candidatura própria também funciona como escudo para a base do PSD. Em um cenário em que Lula aparece com 41% e Flávio com 31% das intenções de voto na pesquisa Datafolha de 20 de junho, prefeitos e candidatos do partido reclamam de pressão para escolher um lado já no primeiro turno. Com Caiado no páreo, terão resposta pronta: o partido tem nome próprio na corrida ao Planalto.

Aposta em centro-direita e votos de Flávio

O discurso oficial do PSD é de ocupação de um espaço de centro-direita, em disputa direta com Flávio Bolsonaro. Kassab tenta se afastar da imagem de um partido alinhado automaticamente à direita radical e reforça sua trajetória de alianças diversas ao longo da carreira.

“Eu tenho uma carreira associada ao centro da política brasileira. O meu perfil é de centro, com alianças, em alguns momentos da vida, mais à direita, mais à esquerda. O perfil do PSD também é mais centro do que direita. A candidatura do Caiado é bastante abrangente, porque ela é uma candidatura de centro-direita, e é esse o espaço que está sendo ocupado para enfrentar o presidente Lula”, afirma Kassab.

Caiado fala a um eleitorado conservador que migra hoje para Flávio. Em Brasília, ele faz um apelo direto à direita para não apostar no senador do PL. “Se chegarmos ao segundo turno, teremos os votos dos independentes e vamos derrotar Lula. Chegando ao segundo turno, aglutinaremos todas as forças deste país para devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, diz.

Na mesma linha, projeta um segundo turno Lula–Flávio como cenário ideal para o PT. “Se Flávio chegar ao segundo turno, é tudo que Lula quer, e teremos o PT governando o país por mais quatro anos”, afirma.

Chapa pura, pouco dinheiro e 55 segundos de TV

A opção por uma chapa “puro-sangue” cobra preço imediato: dinheiro mais escasso para a corrida presidencial e apenas 55 segundos de propaganda eleitoral na televisão. Sem alianças, o PSD corre sozinho, limitado ao tempo garantido por sua bancada na Câmara.

Do total de R$ 421 milhões do fundo eleitoral, a legenda destinará, segundo aliados, pelo menos R$ 30 milhões à candidatura de Caiado. O valor é relevante, mas distante do potencial de uma coligação ampla. Kassab vinha negociando com o Novo, de Romeu Zema, e com a federação União Brasil–Progressistas. As conversas travam em meio à polarização e à disputa interna em outras siglas.

Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper, resume a conta política e financeira: “A coligação é muito mais interessante porque ela não só agrega força política como agrega recurso para a campanha”. Sem parceiros, Caiado entra na campanha com estrutura enxuta, enquanto Lula e Flávio tendem a atrair os maiores blocos partidários.

Blindagem à base e meta modesta nas pesquisas

A engrenagem do plano passa pela musculatura local do PSD. O partido elegeu cerca de 900 prefeitos no último pleito municipal e governa seis estados. Kassab assume pessoalmente a missão de aproximar Caiado dessa rede, oferecendo palanque nacional e discurso unificado.

Em estados onde a polarização já domina a disputa, a chapa presidencial vira ferramenta de sobrevivência. No Paraná, por exemplo, Sandro Alex (PSD) enfrenta Sergio Moro, apoiado por Flávio, e Requião Filho, respaldado por Lula. Ter um candidato próprio ao Planalto ajuda o PSD a resistir a pressões simultâneas do PT e do PL sem perder votos de um lado ou de outro.

Os resultados esperados são realistas. Caiado aparece com 3% no Datafolha de 20 de junho. A meta interna é levá-lo a pelo menos 5% após a temporada de debates. Dirigentes consideram pouco provável uma virada que o coloque no segundo turno, a não ser em caso de novos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro que desestruturem o campo da direita.

Na prática, uma candidatura na faixa de 5% já seria útil ao projeto do PSD. Com visibilidade nacional, o partido espera fortalecer suas nominatas para a Câmara e empurrar a bancada para a casa de 65 deputados. Quanto maior o grupo, maior o poder de negociação na montagem de maiorias no próximo governo, qualquer que seja o vencedor do Mundial.

Nem Lula, nem apoio automático a Flávio

O PSD envia sinais claros também ao Palácio do Planalto. Um apoio institucional a Lula é considerado improvável, mesmo em caso de segundo turno contra Flávio. A leitura dominante na sigla é que, se o petista vencer, cargos e ministérios já estarão destinados a aliados que hoje fazem campanha aberta por ele dentro do próprio PSD e em outras legendas.

Parte da direção avalia que a legenda tem mais a ganhar preservando autonomia. Em eventual governo de Flávio ou de Lula, Kassab quer sentar à mesa como líder de um bloco expressivo, não como coadjuvante. A presença do próprio presidente do partido na chapa presidencial expõe esse cálculo: qualquer negociação de segundo turno passa inevitavelmente por ele.

O recado a Flávio é que não haverá cheque em branco. Para ter o PSD de forma organizada em seu palanque, o senador do PL terá de oferecer espaço real em ministérios e na cúpula do Congresso. A conta envolve presidência de comissões, relatorias-chave e participação na agenda econômica.

O que vem agora

A campanha de Caiado entra na fase seguinte com dois desafios imediatos. O primeiro é transformar sua imagem de ex-governador de um estado de porte médio em liderança nacional capaz de dialogar com o eleitorado que rejeita tanto Lula quanto Flávio. O segundo é convencer prefeitos e governadores do PSD a assumir publicamente a candidatura, mesmo em redutos dominados pelos dois polos.

Se alcançar a meta de 5% e consolidar uma bancada robusta na Câmara, o PSD sairá de 2026 maior do que entrou, ainda que longe do Planalto. Caso um fato novo atinja Flávio e reabra o tabuleiro da direita, Caiado pode virar opção de emergência para parte do eleitorado conservador e para partidos órfãos de palanque nacional. Até lá, Kassab joga no tempo longo: menos a vitória imediata, mais o lugar do PSD no centro da política brasileira dos próximos anos.

Ronaldo Caiado é de direita ou de esquerda?

Caiado se apresenta como candidato de centro-direita. Ele dialoga com o eleitorado conservador e disputa diretamente votos com Flávio Bolsonaro.

Qual é o partido de Ronaldo Caiado hoje?

Ronaldo Caiado é filiado ao PSD, partido que agora lança sua chapa própria para a eleição presidencial de 2026.

Quais são as propostas de Ronaldo Caiado?

A campanha ainda não detalha o programa, mas aliados destacam segurança pública, agenda econômica liberal e discurso de alternativa de direita a Flávio Bolsonaro.

O que muda se o PSD não apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno?

Flávio perde um apoio importante no campo conservador e terá de negociar mais. O PSD ganha espaço para barganhar cargos e agenda com qualquer vencedor.


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