No final de junho, o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) reuniu, pela primeira vez de forma presencial, estudantes estrangeiros do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). Quatro dias depois, em 4 de julho, o Caxias entra em campo em Araraquara, às 20h30min, pressionado por uma vitória fora de casa na Série C. No mesmo período, em Wimbledon 2026, a dupla M. Guinard/G. Andreozzi confirma a força no circuito ao vencer F. Romboli/J.P. Smith por 2 sets a 0.
IFSP abre as portas e reforça diplomacia pela educação
No auditório da reitoria, no centro de São Paulo, 14 dos 20 estudantes do PEC-G no IFSP se olham nos olhos pela primeira vez. Vieram de Angola, Gabão, Gana, Guiné-Bissau, Nigéria, Paraguai, Quênia, República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe. Atravessaram oceanos e fronteiras para estudar em campi espalhados pelo interior e pela região metropolitana paulista.
O encontro, pensado para celebrar diversidade, acolhimento e internacionalização, ganha um tom político e afetivo. Num cenário de tensão migratória em vários países, o IFSP aposta em recepção estruturada e na ideia de que o campus pode funcionar como pequena embaixada da educação brasileira.
Brian Agyei Kofi Wealth, aluno de Ciências da Computação em Salto, sintetiza o que está em jogo. “Cheguei sem saber falar Português e, mesmo assim, as pessoas foram muito legais. A cultura é legal, a comida nem se fala. Gosto muito de estudar aqui. Estudo no período da manhã e passo as tardes no laboratório. Agradeço ao IFSP por deixar os alunos utilizarem os laboratórios e todos os equipamentos. Isso tem ajudado muito meu aprendizado. Eu gosto de tudo aqui”, conta.
A fala ecoa na mesa de abertura. A pró-reitora de Ensino e Políticas Estudantis, Juliana Pimenta, destaca que o relato de Brian não é isolado. “Eles destacaram o acolhimento recebido, a estrutura oferecida pelo IFSP e disseram que muitos jovens de seus países gostariam de ter a oportunidade de estudar em uma instituição como esta”, afirma.
No centro da organização, a coordenadora institucional do PEC-G, Maria Lúcia Colombo Pereira, insiste na ideia de pertencimento. “Este encontro é uma forma de dizer que os estudantes do PEC-G pertencem ao IFSP, que suas conquistas também são nossas e que continuaremos trabalhando para que sejam acolhidos, apoiados e tenham uma trajetória acadêmica de sucesso. Acreditamos profundamente no poder transformador da educação. Afinal, educar também é construir pontes entre povos, culturas e sonhos, promovendo oportunidades que transformam vidas e geram impactos positivos para toda a sociedade”, diz.
O chefe de Gabinete, Ricardo Agostinho, amarra o discurso local a uma visão de política externa. “Acredito no poder da educação para que esses estudantes tenham oportunidade de regressar a seus países de origem e contribuir para o desenvolvimento da sua sociedade, de modo que essas nações se desenvolvam tanto quanto o Brasil”, afirma.
Durante a tarde, o grupo segue para o Museu da Língua Portuguesa, na Luz. Ali, a experiência deixa de ser apenas institucional e passa pela intimidade do idioma. Em português de sotaques variados, os estudantes trocam impressões sobre regras gramaticais, gírias brasileiras e o choque entre o português aprendido em casa e o ouvido nas ruas de São Paulo. A visita funciona como laboratório vivo de integração.
Por trás do encontro está o PEC-G, programa federal coordenado pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação. A iniciativa oferece vagas gratuitas em cursos superiores brasileiros para cidadãos de países em desenvolvimento. No IFSP, são 20 estudantes distribuídos por 11 campi. Para ingressar, é preciso comprovar conclusão do ensino médio com nota mínima equivalente a 12 em escala numérica, domínio de português e renda suficiente para custear a permanência no país.
Ao reunir 14 desses alunos em São Paulo, a instituição faz mais do que cumprir protocolo. Cria rede de apoio, aproxima pró-reitorias, núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas e a Coordenadoria de Relações Internacionais. A expectativa, segundo Maria Lúcia, é ampliar os encontros no segundo semestre de 2026, com encontros virtuais sobre vida acadêmica, saúde mental, inclusão e documentação migratória.
Caxias joga por virada de chave em Araraquara
Enquanto o IFSP trabalha sua diplomacia acadêmica, o Caxias encara um desafio de outra natureza. A sete rodadas do fim da primeira fase da Série C, o time grená cai para a 11ª posição após dois empates em casa contra adversários da parte de baixo da tabela. Sem nenhuma vitória fora do Estádio Centenário, a equipe se vê obrigada a pontuar na Fonte Luminosa para voltar ao G-8.
O adversário não facilita. A Ferroviária ocupa o quinto lugar, soma 19 pontos e faz de Araraquara um reduto sólido, com 13 pontos conquistados em casa. O jogo deste sábado, às 20h30min, vira um teste de maturidade para um time que, mesmo competitivo no Centenário, ainda não consegue repetir desempenho longe da Serra.
O técnico Marcelo Cabo rejeita o rótulo de crise e sai em defesa do elenco. “Os jogadores oscilam dentro do jogo, acertam, erram, tem essa questão. Mas eu acho que estamos tendo volume de jogo. Individualizar, nesse momento, qualquer circunstância não seria uma coisa muito legal. A gente precisa analisar o que foi o jogo para que a gente possa prospectar o próximo diante da Ferroviária”, afirma.
Em campo, uma das apostas para sustentar essa reação é o lateral-direito Felipe Albuquerque. Aos 26 anos, ele chega à marca de 200 jogos na carreira na rodada anterior, contra o Anápolis. Formado no Grêmio, acumula passagens por diferentes clubes e sabe o peso de disputar ponto a ponto numa competição longa.
Felipe trata a marca pessoal como consequência de um processo coletivo. “Para falar a verdade, acho que a grande conquista foi chegar até aqui. Os 200 jogos são os frutos de quem sempre acreditou em mim, sem essas pessoas nada seria possível”, diz. A fala se estende para o momento do Caxias. “Temos um objetivo claro que é classificar para a próxima fase. Temos de usar o fator casa ao nosso favor. Teremos grandes confrontos fora de casa e temos que lidar com isso da melhor maneira.”
O calendário reforça a urgência. Depois da viagem a Araraquara, o Caxias terá dois jogos seguidos no Centenário, contra Floresta e Botafogo-PB. Uma vitória sobre a Ferroviária, além dos três pontos, pode funcionar como símbolo de “virada de chave” às vésperas da reta final, recolocando o clube na briga por classificação e aliviando a pressão de torcedores e patrocinadores.
Guinard e Andreozzi avançam em Wimbledon e surfam boa fase
Longe dos gramados e da política educacional, o tênis também vive seu enredo. Em Wimbledon 2026, um dos torneios mais tradicionais do circuito, a dupla formada por M. Guinard e G. Andreozzi supera F. Romboli e J.P. Smith por 2 sets a 0, com autoridade. O placar seco, registrado nos melhores momentos oficiais do torneio, confirma o bom encaixe da parceria.
O resultado, além de manter a dupla viva na chave, reforça a visibilidade dos jogadores num dos palcos mais cobiçados do esporte. Bons desempenhos em Wimbledon costumam atrair convites para outros torneios, patrocinadores e pontos valiosos no ranking, o que pode redesenhar calendários e ambições para o restante da temporada.
Entre abraços no auditório do IFSP, pressão na Fonte Luminosa e troféus sonhados em Londres, os três episódios revelam linhas de força semelhantes. Educação pública, futebol de interior e tênis de elite se cruzam na busca por pertencimento, afirmação internacional e resultados que podem mudar biografias. Nos próximos meses, novos encontros do PEC-G, os desfechos da Série C e a sequência da temporada de tênis dirão quem transforma oportunidade em futuro concreto.