O Grêmio assinou este mês um pré-contrato com o volante Mandaca, do Juventude, válido a partir de 1º de janeiro de 2027, e tenta trazê-lo já para o segundo semestre. Ao mesmo tempo, recusa uma proposta de 11,5 milhões de euros (cerca de R$ 68,7 milhões) do Hull City por um jovem destaque da base, em meio à disputa da Série B e à pressão pelo retorno à elite.
Reforço amarrado e pressa no meio-campo
A chegada de Mandaca se torna uma peça central no planejamento tricolor para a sequência da temporada. O pré-contrato garante o jogador apenas em 2027, mas a direção trabalha para contar com ele ainda em 2026, usando a janela extraordinária aberta pela CBF entre 9 e 17 de julho e a janela internacional, de 20 de julho a 11 de setembro.
O objetivo é claro: reforçar o meio-campo já na Série B, ampliar opções táticas e reduzir o risco de perda de fôlego na reta final da competição. O clube vive a necessidade de equilibrar reposições com a manutenção da base atual, enquanto lida com assédio europeu sobre seus principais ativos.
Negociação travada com o Juventude
O caminho até o pré-contrato é mais turbulento do que o Grêmio deixa transparecer em público. Antes de recorrer ao acerto para 2027, a direção tenta comprar Mandaca de imediato. “O Grêmio tentou a contratação de Mandaca antes de recorrer ao pré-contrato. Ofereceu ao Juventude um valor – menor do que R$ 4 milhões – e um jogador”, relatam Alana Schneider e Rafael Favero, do ge. As conversas envolvem inclusive o atleta gremista que serviria de moeda de troca. Um dia depois, o Juventude volta atrás e desiste do negócio.
O clube da Serra Gaúcha endurece a posição. De acordo com o GZH, “o Juventude exige R$ 4 milhões para liberar o atleta antes do término do contrato, no final do ano. A proposta financeira apresentada pelo Grêmio, no entanto, ficou bem abaixo do valor esperado pelo clube da Serra Gaúcha”. A direção tricolor considera difícil chegar a esse patamar só em dinheiro e tenta montar um pacote que envolva jogadores pouco utilizados em Porto Alegre.
As conversas avançam a ponto de um dos nomes indicados pelo Juventude ser aprovado e colocado na mesa. O acordo parece encaminhado, mas a diretoria caxiense cancela a negociação. No bastidor, prevalece a leitura de que perder Mandaca agora fragilizaria a equipe na reta final da Série B, mesmo com a compensação financeira.
Direitos fatiados e conta pesada
A operação se complica por um motivo que vai além do impasse entre serranos e porto-alegrenses. Juventude e Corinthians detêm 40% cada dos direitos econômicos de Mandaca, enquanto o CSP, da Paraíba, mantém 20%. Isso obriga o Grêmio a negociar com três frentes distintas para uma eventual liberação imediata.
O ge resume o dilema financeiro: “Para ter o jogador antes de janeiro, o Grêmio precisa se acertar com todas as partes. Por isso, não está disposto – nem tem condições – de arcar com valores altos com cada um”. A matemática se torna ainda mais sensível em um clube que tenta reduzir dívidas, montar elenco competitivo e, ao mesmo tempo, resistir a ofertas milionárias do exterior.
Mandaca, revelado pelo Corinthians e no Juventude desde 2023, não é uma aposta às cegas. O volante soma 143 partidas pelo clube da Serra, com 15 gols e 10 assistências. Em 2026, mesmo convivendo com problemas físicos, participa de 22 jogos, marca três gols e distribui quatro assistências. O pacote de números ajuda a explicar por que o Juventude cobra alto e por que o Grêmio insiste.
Proposta europeia recusada e estratégia de valorização
Enquanto tenta trazer Mandaca, o Grêmio se vê pressionado pelo mercado na outra ponta. O Hull City, da Inglaterra, apresenta oferta de 11,5 milhões de euros, cerca de R$ 68,7 milhões, por um jovem destaque tricolor. A proposta é classificada pelo Diário da Região como “significativa”, mas a direção decide recusar.
O movimento não é casual. A expectativa interna, segundo a mesma publicação, é receber em uma venda futura cerca de 20 milhões de euros, algo em torno de R$ 119,5 milhões. O Shakhtar Donetsk também aparece como interessado e tem investida igualmente rejeitada. O recado ao mercado europeu é de que o clube não aceita valores considerados baixos para seus talentos, mesmo em cenário de orçamento apertado.
A recusa tem efeitos diretos no vestiário e na folha salarial. Manter o jovem em Porto Alegre preserva a qualidade técnica do elenco para a Série B, dá margem para que o jogador se valorize ainda mais em jogos decisivos e adia o alívio financeiro imediato que uma venda representaria. Diretoria de futebol, departamento financeiro e comissão técnica passam a dividir a responsabilidade pela aposta.
Impacto na Série B e próximos passos
O pano de fundo de todas essas decisões é a luta pelo acesso à Série A. O Grêmio entra em sequência de jogos importantes, como o duelo com a Chapecoense na Arena, sob expectativa alta da torcida e atenção redobrada da direção. Em campo, a missão é pontuar e solidificar o time. Fora dele, é fechar o elenco sem desmontar o que funciona.
Mandaca, por enquanto, segue vinculado ao Juventude, com contrato até o fim de 2026 e participação normal na Série B. O pré-contrato garante sua chegada a Porto Alegre em 1º de janeiro de 2027. Até lá, novas rodadas de negociação podem ser reabertas caso uma das partes ceda. Se o Juventude reenquadrar sua pedida ou aceitar uma composição com jogadores, a transferência ainda pode sair nesta janela.
O cenário mais provável hoje é de espera. O Juventude sinaliza que não pretende perder um titular em meio ao campeonato sem compensação robusta. O Grêmio indica que não pagará R$ 4 milhões em dinheiro, mais acordos paralelos com Corinthians e CSP, em um único movimento. O jogo se transfere para a mesa das finanças.
Os próximos meses vão mostrar se a estratégia tricolor de segurar ativos, como o jovem cobiçado por Hull City e Shakhtar Donetsk, e de investir com parcimônia em reforços como Mandaca será suficiente para conduzir o time de volta à Série A. Se o acesso vier, a aposta ganha força e tende a inflar o valor de mercado do elenco. Se falhar, cobranças esportivas e financeiras se acumulam sobre a atual gestão.