Estudo alerta que 1 em cada 5 adultos toma decisões sobre saúde com base nas redes sociais

Pesquisa com mais de 7 mil pessoas mostra que, mesmo desconfiando das informações publicadas nas plataformas, muitos usuários ainda seguem orientações vistas na internet
Redação NC News
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Mais de um em cada cinco adultos toma decisões relacionadas à própria saúde com base no conteúdo que encontra nas redes sociais. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta semana e publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), uma das principais revistas científicas da área médica.

A pesquisa entrevistou mais de 7 mil adultos nos Estados Unidos para entender como as redes sociais influenciam a busca por informações sobre saúde. O levantamento revela um cenário contraditório: embora a maioria dos usuários desconfie da veracidade desse conteúdo, muitos ainda utilizam essas informações para decidir sobre tratamentos, hábitos e cuidados com a saúde.

O que revelou o estudo?

Os pesquisadores identificaram que aproximadamente 22% dos adultos afirmam tomar decisões relacionadas à saúde com base no que veem nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, quase 80% dos entrevistados disseram acreditar que grande parte das informações sobre saúde publicadas nessas plataformas pode ser falsa, enganosa ou imprecisa.

Apesar da desconfiança, o estudo mostra que o alcance desse tipo de conteúdo continua crescendo e influenciando milhões de pessoas.

Quem é mais influenciado?

A pesquisa aponta que alguns grupos tendem a confiar mais nas informações encontradas nas redes sociais.

Entre eles estão:

  • pessoas com mais de 65 anos;
  • parte da população latina nos Estados Unidos.

Os pesquisadores destacam que esses públicos apresentam maior probabilidade de utilizar conteúdos publicados por influenciadores ou perfis especializados para orientar decisões relacionadas à saúde.

Compartilhar informações também virou rotina

O levantamento mostra que o comportamento dos usuários vai além da simples leitura.

Cerca de 85% dos entrevistados afirmaram já ter publicado ou compartilhado conteúdos relacionados à saúde, incluindo:

  • relatos sobre doenças;
  • experiências com tratamentos;
  • dicas de bem-estar;
  • recomendações de medicamentos ou hábitos saudáveis.

Esse compartilhamento contribui para que informações corretas — e também conteúdos enganosos — se espalhem rapidamente.

Qual é o risco das informações falsas?

Segundo os pesquisadores, um dos principais problemas é que nem todo criador de conteúdo possui formação ou qualificação na área da saúde.

Mesmo assim, muitos conseguem transmitir credibilidade e convencer o público.

O estudo também destaca que o crescimento das ferramentas de inteligência artificial tornou ainda mais difícil identificar conteúdos confiáveis, já que textos, vídeos e imagens podem ser produzidos com aparência profissional, mesmo sem qualquer embasamento científico.

Outro ponto levantado é que, diferentemente de revistas científicas ou órgãos oficiais de saúde, as redes sociais não passam por um processo rigoroso de revisão antes da publicação dos conteúdos.

Isso favorece a circulação de informações incorretas, boatos e recomendações sem comprovação científica.

Mercado bilionário impulsiona conteúdos sobre saúde
A pesquisa também chama atenção para o crescimento da chamada economia dos influenciadores.

Segundo o estudo, o mercado de conteúdo sobre saúde nas redes sociais está avaliado em aproximadamente US$ 1,27 bilhão em 2026.

A expectativa é que esse valor chegue perto de US$ 3,8 bilhões até 2035, impulsionado pelo aumento do consumo de vídeos curtos, podcasts, transmissões ao vivo e perfis especializados em saúde e qualidade de vida.

Esse crescimento também amplia o interesse comercial pelo setor, aumentando a presença de publicidade, parcerias e conteúdos patrocinados.

O que os pesquisadores recomendam?

Os autores defendem que os usuários tenham mais cuidado antes de seguir recomendações encontradas nas redes sociais.

Entre as orientações estão:

  • verificar se o conteúdo foi produzido por profissionais qualificados;
  • desconfiar de promessas de cura rápida ou tratamentos milagrosos;
  • confirmar as informações em fontes médicas confiáveis;
  • procurar orientação de profissionais de saúde antes de iniciar qualquer tratamento ou interromper medicamentos.

Os pesquisadores também afirmam que ainda não existe uma fiscalização consistente sobre a divulgação de conteúdos relacionados à saúde nas plataformas digitais, o que facilita a propagação de informações enganosas.

Entenda o contexto
Nos últimos anos, as redes sociais passaram a ocupar um papel importante na divulgação de informações sobre saúde, alimentação, atividade física e qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que facilitam o acesso ao conhecimento, essas plataformas também permitem a rápida disseminação de conteúdos sem comprovação científica.

Especialistas alertam que informações falsas ou distorcidas podem levar pessoas a abandonar tratamentos, consumir medicamentos sem orientação ou adotar práticas que colocam a saúde em risco. Por isso, a recomendação é utilizar as redes sociais como fonte complementar de informação, mas sempre confirmar orientações com profissionais qualificados e instituições de referência.

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