Principal narrador esportivo da TV Globo, Luís Roberto revela neste domingo (5), ao vivo no Domingão com Huck, que trata uma neoplasia cervical diagnosticada em abril de 2026. O tumor na região do pescoço o afasta das transmissões do Mundial de Seleções, em que seria a voz número 1 da emissora após a saída de Galvão Bueno.
Diagnóstico às vésperas do Mundial
O anúncio acontece em um dia simbólico: Brasil x Noruega, pelas oitavas de final do torneio, jogo que Luís Roberto se preparava para narrar até receber o laudo médico. Em um exame de rotina, ele descobre o câncer e precisa refazer toda a agenda profissional. O cronograma da Globo para o Mundial se reorganiza em poucas semanas.
No palco do Domingão, o narrador descreve o choque inicial e a necessidade de interromper a carreira para preservar a própria vida. “Cada um de nós pode passar por um momento desses. Em um exame de rotina, descobrir que você tem um câncer e tem que correr para fazer um tratamento, que é pesado”, diz.
Com o afastamento, Everaldo Marques assume a narração dos jogos da seleção brasileira na TV aberta. A troca muda a voz que acompanha o torcedor em uma das principais vitrines do esporte mundial.
Tratamento intenso e foco na saúde mental
Luís Roberto conta que passa, ao longo de cerca de dois meses, por 43 sessões de tratamento: 36 de radioterapia e 7 de quimioterapia, todas realizadas no Brasil. “É um tratamento pesado”, resume. Segundo médicos, a neoplasia cervical pode atingir estruturas como boca, faringe, laringe e tireoide. O diagnóstico precoce aumenta as chances de controle da doença.
O narrador insiste, porém, em não se deter apenas na dimensão técnica. Ele fala de medo, exaustão e da necessidade de reorganizar prioridades. “Você ter que saber que não dá, você tem que priorizar saúde, continuar vivo (…) É importante que todos estejam preparados para estar forte, porque a saúde mental conta”, afirma.
A expressão “saúde mental” surge várias vezes em seu depoimento. Luís Roberto relata o impacto emocional de pausar uma trajetória de quase três décadas na Globo, onde entrou em 1998, depois de se formar no rádio esportivo em São Paulo. “Foi um avalanche de carinho. Uma energia. Gente que eu jamais imaginava ao meu lado. São milhões de pessoas em um movimento incrível de solidariedade que tá dá força mental”, diz.
“A gratidão me move” e o bastidor da Globo
Na abertura de sua participação, ao ser abraçado por Luciano Huck, o narrador escolhe uma palavra para definir o momento. “Gratidão é uma palavra que, às vezes, a gente banaliza. Mas, neste momento da minha vida, em um dia tão especial, com a Seleção jogando eliminatória da Copa do Mundo, eu preciso dizer que a gratidão me move”, afirma.
O depoimento ecoa nos bastidores da emissora, que precisou redesenhar, em pouco tempo, a cobertura do Mundial. A saída de Galvão Bueno consolidara Luís Roberto como principal voz da casa. Sua ausência força a Globo a antecipar movimentos, distribuir responsabilidades e proteger uma de suas marcas mais sensíveis: a transmissão da seleção.
Luciano Huck explicita esse vínculo ao convidar o colega a permanecer no programa durante o pré-jogo, em outro papel. “Eu vou precisar de você ao longo do programa hoje. Qualquer esporte eu preciso do seu comentário. A hora que sair a escalação eu preciso que você me ajude”, diz o apresentador, ao acomodar o narrador entre comentaristas e humoristas.
Mesmo afastado do microfone nos estádios da América do Norte, Luís Roberto segue, por uma tarde, como referência para a audiência, agora em uma posição mais frágil e humana. A Globo mostra uma reportagem retrospectiva de sua carreira e exibe uma mensagem gravada da esposa. “Saímos vitoriosos dessa batalha”, afirma ela. Ele responde com otimismo raro em quadros oncológicos recém-tratados: “Estou a caminho da cura”.
Impacto no público e debate sobre prevenção
A revelação do diagnóstico atinge um público já acostumado a associar grandes lances da seleção à voz de Luís Roberto. Ao perder o narrador em pleno Mundial, torcedores se dividem entre a expectativa esportiva e a preocupação com sua saúde. Nas redes sociais, a repercussão é de solidariedade, com relatos de pessoas que também descobrem câncer em exames de rotina.
O caso oferece um recorte concreto dos riscos a que se expõem profissionais submetidos a jornadas intensas, viagens longas e pressão permanente por desempenho. Ao falar de saúde mental em rede nacional, um dos principais narradores do país escancara um tema ainda incômodo nas redações e nas equipes esportivas.
Para além da TV, a história reforça o papel do diagnóstico precoce. Cânceres de cabeça e pescoço costumam ser associados a tabagismo, álcool e infecções como HPV, mas muitas vezes avançam em silêncio. A narrativa de um tumor descoberto “por acaso”, em rotina de exames, pode estimular consultas preventivas e questionamentos mais objetivos a profissionais de saúde.
Ao elogiar a medicina brasileira e os profissionais que o acompanham, Luís Roberto contribui também para tensionar a distância entre o que é possível em grandes centros urbanos e a realidade da maioria dos pacientes oncológicos no país, que ainda enfrenta filas, demora em biópsias e dificuldade de acesso a radioterapia.
Retorno gradual e mudanças duradouras
Os próximos passos incluem a continuidade do acompanhamento médico e uma retomada gradual do trabalho, ainda sem data fechada. Internamente, a Globo precisa conciliar o planejamento esportivo com o cuidado a um de seus principais ativos de imagem. A reintegração do narrador, quando ocorrer, tende a ser cuidadosa, com adaptação de ritmo e carga de viagens.
Em longo prazo, a experiência pessoal de Luís Roberto tem potencial para provocar mudanças culturais. Emissoras e empresas de mídia podem ser pressionadas a investir mais em acompanhamento médico, programas de bem-estar e apoio psicológico a equipes sob forte estresse. Campanhas de prevenção e informação sobre câncer de cabeça e pescoço ganham um porta-voz reconhecido nacionalmente.
Na tarde em que o Brasil decide seu futuro no Mundial, o locutor que se acostumou a registrar gols históricos conduz outra narrativa, mais silenciosa e incerta. A bola, desta vez, é o tempo. E o placar, embora aberto, já tem uma mensagem clara, dita por ele mesmo: “A gratidão me move”.
O que aconteceu com o narrador Luís Roberto?
Ele foi diagnosticado, em abril de 2026, com uma neoplasia cervical, um tumor na região do pescoço, e precisou se afastar para fazer radioterapia e quimioterapia.
Qual é a doença que afastou Luís Roberto da Copa do Mundo?
Trata-se de uma neoplasia cervical, termo médico para tumor localizado na região do pescoço, que pode atingir estruturas como boca, faringe, laringe e tireoide.
Como foi o tratamento de Luís Roberto contra o câncer?
Ele passou por 43 sessões ao longo de cerca de dois meses: 36 de radioterapia e 7 de quimioterapia, em um protocolo que ele próprio descreve como “pesado”.
Luís Roberto já voltou a trabalhar após o tratamento?
Até a participação no Domingão com Huck, em 5 de julho de 2026, ele ainda está afastado das narrações esportivas e faz apenas essa aparição especial na TV.
Quem é a esposa de Luís Roberto que ele agradeceu durante o Domingão?
O programa exibiu uma mensagem gravada de sua esposa, que não tem o nome divulgado na atração. Ela afirma: “Saímos vitoriosos dessa batalha”.
Luís Roberto vai narrar a Copa do Mundo de 2026 após o tratamento?
Não. Ele já está fora da cobertura do Mundial de Seleções de 2026. Everaldo Marques assume a narração dos jogos da seleção brasileira na Globo.