River acerta compra de Thiago Almada por € 20 milhões

River Plate negocia aquisição parcial de Thiago Almada com anúncio previsto após o Mundial.
Redação NC News
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O River Plate acerta nesta terça-feira, 7, um acordo verbal para contratar Thiago Almada, 25, do Atlético de Madrid, por 20 milhões de euros (R$ 127 milhões). O anúncio oficial fica para depois da participação da Argentina no Mundial de Seleções, que segue em disputa nos Estados Unidos.

Negócio milionário em pausa pela seleção

O meia é titular da equipe de Lionel Scaloni e entra em campo às 13h (de Brasília), contra o Egito, pelas oitavas de final. A definição do futuro acontece em paralelo, mas em segundo plano. Almada pede que qualquer formalização espere o fim da campanha argentina.

Uma pessoa ligada à direção do River resume o estágio da negociação. “Chegamos a um acordo com o Atlético e com o Thiago, mas o anúncio será feito após a Copa do Mundo”, afirma, em referência ao Mundial de Seleções.

O clube de Buenos Aires compra 50% dos direitos econômicos do jogador e recebe também os direitos federativos, que permitem registrá-lo e escalá-lo. O Atlético de Madrid mantém metade do vínculo econômico, apostando em futura valorização.

Salário maior e promessa de protagonismo

Almada tem contrato com o Atlético até junho de 2030, mas não se firma como protagonista sob o comando de Diego Simeone. Na última temporada, disputa 40 partidas e marca quatro gols. Para um campeão mundial em 2022 e peça estável da seleção, o papel parece pouco.

O diário argentino Olé relata que o River oferece salário superior ao atual. “A proposta salarial apresentada também seria superior à que Almada possui atualmente no Atlético de Madrid”, informa o jornal. O mesmo veículo afirma que o estafe do atleta aprova o projeto esportivo. “O clube já recebeu sinalização positiva do estafe do atleta durante reuniões realizadas antes da Copa”, publica o Olé.

Fontes próximas ao jogador descrevem um desejo claro: jogar mais, decidir mais. Aos 25 anos, ele vê o retorno ao futebol argentino como atalho para recuperar protagonismo e ritmo. A experiência europeia, que inclui passagem pelo Lyon antes do Atlético, não oferece a sequência que ele espera.

River muda o foco do mercado

O avanço nas tratativas muda a estratégia do River na janela. O clube desacelera conversas por outros alvos, como Ángel Correa, do Tigres, e Giovanni Simeone, do Torino, e concentra energia em fechar com Almada.

“Os clubes já definiram todos os termos e resta apenas o ‘ok’ de Almada”, afirma o jornalista argentino Germán García Grova, que acompanha de perto a negociação. A direção entende que a chance de contratação de um titular da seleção argentina, em plena idade de auge, justifica a prioridade total.

O negócio é pesado para padrões sul-americanos. Além dos 20 milhões de euros por 50% dos direitos, a Rádio Itatiaia menciona oferta próxima de US$ 20 milhões (R$ 102,95 milhões), a partir de outras fontes do mercado. Em qualquer conversão, o River entra na prateleira de clubes do continente dispostos a competir financeiramente com médios europeus.

Retorno de um velho conhecido do Brasil

O nome de Almada não é estranho ao torcedor brasileiro. Em 2024, ele lidera o Botafogo na conquista da Libertadores e do Brasileirão, em campanha que o transforma em um dos meias mais comentados da América do Sul. A passagem recoloca sua carreira em evidência e ajuda a abrir portas na Europa.

Antes disso, o meia surge no Vélez Sarsfield, em Buenos Aires, e escolhe um caminho pouco usual para jovens talentos argentinos. Em 2022, deixa o país rumo ao Atlanta United, da liga norte-americana, em vez de ir direto para a Europa. No mesmo ano, participa do elenco campeão mundial pela Argentina no Catar.

O percurso segue com transferência para o Botafogo, salto esportivo na América do Sul, ida ao Lyon e, por fim, ao Atlético de Madrid. A volta agora ao Rio da Prata, por cifras recordes, mostra a capacidade dos clubes da região de repatriar jogadores ainda no auge físico.

Impacto no River, no Atlético e no mercado

A chegada de Almada redesenha o meio-campo do River. O time, que vem de campanhas fortes na Libertadores e no Brasileirão com o meia em destaque pelo Botafogo, ganha um armador capaz de acelerar o jogo e aparecer na área. O investimento sinaliza ambição de manter o clube na disputa pelos principais títulos do continente por vários anos.

Para Almada, o River oferece titularidade quase certa, calor de um estádio cheio em todos os jogos e vitrine continental. A combinação de protagonismo técnico e exposição pode inflar ainda mais seu valor de mercado, especialmente se render em mata-matas da Libertadores e seguir na seleção.

No Atlético de Madrid, a saída de um jogador que não se consolida na equipe de Simeone reduz o elenco, mas abre espaço no orçamento para outras contratações. A manutenção de 50% dos direitos econômicos funciona como seguro: se Almada explodir de vez na América do Sul e voltar à Europa, os espanhóis participam de nova venda.

O movimento reforça uma tendência recente. Clubes sul-americanos, especialmente argentinos e brasileiros, começam a pagar caro para recuperar atletas formados na região, com passagem breve ou irregular pela Europa. O objetivo é claro: ganhar competitividade imediata e, ao mesmo tempo, participar de revendas futuras, invertendo parcialmente a lógica histórica do êxodo barato.

Pressão, expectativa e próximos passos

O desfecho da transferência depende, agora, de um gesto simples, mas decisivo: a confirmação de Thiago Almada, depois de encerrada a participação da Argentina no Mundial. A previsão de dirigentes e intermediários é de anúncio logo após as oitavas, caso a equipe seja eliminada, ou ao fim da campanha, se avançar.

O River sabe que o pacote vem com pressão incluída. Um investimento de R$ 127 milhões em metade dos direitos de um jogador cria expectativa no vestiário, nas arquibancadas e no mercado. Almada chega como referência imediata, cobrado para decidir clássicos, elevar o nível do time e justificar cada euro pago.

Se corresponder, o negócio pode abrir uma nova porta para clubes sul-americanos que queiram disputar, em campo e no mercado, jogadores que ontem pareciam exclusivos da Europa. Se decepcionar, vira alerta sobre os limites financeiros e esportivos dessa aposta. A resposta começa a ser desenhada nos Estados Unidos, mas ganha forma definitiva em Buenos Aires, nas próximas temporadas.

 

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