Gustavo Petro não reconhece vitória de Abelardo de la Espriella, aponta fraude e convoca protestos

Presidente colombiano subiu o tom contra o resultado das urnas, alegando manipulação de algoritmos, irregularidades no exterior e o suposto envolvimento de uma empresa de inteligência privada israelense.
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Em uma declaração contundente emitida na noite desta segunda-feira (6), o presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou formalmente que não reconhece a legitimidade da vitória do presidente eleito, o direitista Abelardo de la Espriella. Petro denunciou a existência de uma suposta fraude estrutural e disparou graves acusações de interferência internacional no processo eleitoral do país.

Sem apresentar provas materiais na publicação, o mandatário usou suas redes sociais para atacar a lisura do pleito que definiu seu sucessor. “O presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do governo entrante. Abelardo não ganhou as eleições”, cravou Petro, desafiando abertamente o resultado oficial das urnas.

Algoritmos, lobby e inteligência israelense: as denúncias de Petro

A contestação de Gustavo Petro baseia-se em uma complexa narrativa de manipulação digital e geopolítica. O presidente listou os supostos pilares do que considera um esquema para fraudar a vontade popular:

Fraude Tecnológica: Petro alegou possuir informações confidenciais sobre uma suposta manipulação do sistema de apuração oficial por meio de algoritmos desenhados especificamente para inflar e favorecer a votação de De la Espriella.

Votação no Exterior: O mandatário denunciou a ocorrência de severas irregularidades em mesas eleitorais instaladas em consulados no exterior, além de distorções em diferentes regiões do território colombiano.

A Conexão BlackCube: O líder de esquerda acusou diretamente a BlackCube, uma conhecida empresa israelense de inteligência privada, de ter participado operacionalmente da suposta fraude.

Lobby com Washington: Petro também acusou uma empresa de lobby internacional de atuar nos bastidores para aproximar Abelardo de la Espriella do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo um alinhamento político para chancelar o resultado.

Convocação de manifestações e o risco de escalada

A resposta do presidente eleito e de seus aliados foi imediata. Enquanto Abelardo de la Espriella comemora o resultado oficial, lideranças da oposição e o próprio candidato derrotado da ala governista, Iván Cepeda, contestam os números em diferentes frentes. Diante do impasse, De la Espriella emitiu um comunicado oficial solicitando formalmente que o Exército e as Forças Armadas da Colômbia entrem em prontidão para “defender os resultados legítimos” das urnas e garantir a estabilidade democrática do país.

A postura de Petro de não aceitar a transição de poder promete incendiar as ruas colombianas nas próximas semanas. O presidente convocou seus apoiadores para uma grande demonstração de força popular no próximo dia 20 de julho, data em que se celebra a Independência da Colômbia.

“As maiorias nacionais ficam convocadas neste 20 de julho para dar o grito da independência nacional em todas as praças públicas”, conclamou Gustavo Petro.

Analistas internacionais apontam que a escolha do feriado nacional para a realização dos protestos eleva o risco de confrontos civis e radicalização política. A comunidade internacional acompanha com extrema cautela os desdobramentos em Bogotá, temendo que a Colômbia — historicamente um dos principais parceiros estratégicos dos EUA na América do Sul — enfrente um período de grave ruptura institucional e instabilidade social até a data prevista para a posse do novo governo.

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