O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, comentou na manhã desta terça-feira (7) a Operação Ar Frio, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações envolvendo dois ex-servidores municipais.
Segundo o prefeito, a administração municipal tomou conhecimento das suspeitas em março, após uma denúncia feita pela ex-companheira de um dos investigados, e iniciou imediatamente as exonerações. Ao todo, seis servidores foram desligados, sendo quatro da Secretaria Municipal das Subprefeituras e dois da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras.
Nunes afirmou ainda que a licitação alvo da investigação previa, inicialmente, um valor de cerca de R$ 1 bilhão e abrangia uma ata com 11 lotes para a instalação de aparelhos de ar-condicionado em unidades da Secretaria Municipal da Educação. Segundo ele, após surgirem indícios de irregularidades envolvendo os investigados, o processo foi suspenso, um novo edital foi elaborado e o valor da nova licitação foi reduzido para R$ 512 milhões. O prefeito também disse que o novo processo licitatório ainda está em andamento e que nenhuma contratação foi realizada.
“A prefeitura tomou conhecimento em março e já em março mesmo fez a exoneração, não só do Bruno e do Vinícius, mas também das pessoas que o Bruno havia chamado para trabalhar com ele”, afirmou.
Nunes disse que, após as exonerações, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, responsável pela investigação criminal.
“A gente passa para o Ministério Público, que tem a condição de fazer investigação, quebra de sigilo telefônico, verificação de contas bancárias, fazer as buscas e apreensões”, declarou.
O prefeito também reforçou que a gestão não tolera desvios na administração pública.
“Reforçar aqui o nosso compromisso com a ética, de não permitir, de não admitir em hipótese alguma qualquer desvio, qualquer ilicitude na administração”, disse.
Em seguida, acrescentou ainda: “Infelizmente, ratos acabam se infiltrando na administração, mas a gente vai colocar nossas ratoeiras e fazer o trabalho conjunto com a Polícia Civil e com o Ministério Público para que essas pessoas, se tiverem praticado delitos, possam pagar pelo que fizeram.”
Entenda o contexto
A Operação Ar Frio foi deflagrada nesta terça-feira (7) pelo Ministério Público de São Paulo para apurar um suposto esquema de fraude em licitações na Prefeitura de São Paulo. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra dois ex-servidores municipais investigados por suspeita de favorecer empresas em contratos públicos.
As investigações apontam que o grupo teria manipulado procedimentos licitatórios para beneficiar empresas previamente escolhidas. Segundo o Ministério Público, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, os dois investigados foram exonerados em março deste ano, após a administração receber uma denúncia sobre as supostas irregularidades. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que deu continuidade às investigações e deflagrou a operação nesta terça-feira (07).